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Quando apresentou publicamente o seu novo projecto, agora colorido em tons de azul, deixando de vez para trás o laranja que marcou a sua carreira nos últimos anos, Elisabete Jacinto contou ao LusoMotores o que sente agora todos os dias de manhã, quando chega ao seu roupeiro e vê tudo numa cor que até há pouco não era a sua. Agora com as cores da Oleban. uma linha de produtos de dermosestética do Grupo Medinfar, a piloto lusa espera ter o mesmo apoio que sempre teve quando surgiu nas corridas com o seu camião em laranja, motivo pelo qual está actualmente a participar em acções de promoção com o seu MAN 2000 pintado de azul, e irá alinhar já em Setembro numa prova em Marrocos com as cores dos produtos Oleoban porque, como nos disse, ficará particularmente triste se não sentir o mesmo apoio em provas futuras em que os portugueses possam estar à espera ainda de um camião pintado em laranja.
Numa entrevista descontraída, afinal bem ao estilo da própria piloto, Elisabete Jacinto deu conta dos seus projectos, explicou esta mudança, falou de aspectos da sua vida pessoal, de como um dia achou que ia ser mais fácil ter um filho do que rodar com um camião numa prova como o Dakar, e como a vida se encarregou de inverter essas probabilidades. Leia a entrevista, ou escute o diálogo que o LusoMotores manteve com aquela que é, porventura, a piloto mais conhecida dos desportos motorizados em Portugal.
LusoMotores – Elisabete, antes de mais, como é acordar de manhã, levantar-se, abrir o armário e dizer “este armário não é meu, esta cor não tem nada a ver comigo!”?
Elisabete Jacinto – É verdade que isso acontece, marca uma diferença muito grande e exige uma habituação, até porque eu estão tão habituada ao laranja que, de certa forma, quando penso em mim e quando passo pelas pessoas dou comigo à procura da minha equipa em laranja, e esta novidade exige uma aprendizagem e uma adaptação. Vai requerer o seu tempo, mas não há dúvida que um projecto novo é sempre entusiasmante e é um desafio grande, mas também é verdade que o meu "casamento" com a Trifene durante estes anos todos foi feliz, em que ambos tirámos partido e o projecto funcionou bastante bem e que fica guardado na caixinha das memórias mas fica muito bem guardado porque foi algo de bom, de que eu gostei muito, e foram anos muito bons da minha vida. Portanto, agora faço votos para que esta associação ao Oleoban funcione bem, e para que eu consiga tirar tanto partido das minhas prestações como se fez com o Trifene, pois é para isso que vamos trabalhar.
– Portanto, o laranja está esquecido?
– Não está esquecido porque o meu guarda-roupa laranja é tão grande que ultrapassa muito o logotipo do Trifene. O laranja existe em muitas camisas, camisolas, relógios, brincos, tudo laranja... malas e sapatos...
Portanto, eu acabo por, no meu dia, continuar a usar muito o laranja porque é uma cor que eu gosto e que ficou comigo.
– E agora, identifica-se com o azul?
– Agora é uma novidade, um fato novo.
– Mas sente-se bem nesse novo guarda-roupa?
– Sim, sinto-me bem, gosto muito das cores. Sou uma mulher que não tem medo da cor, sou capaz de fazer as junções de cores mais disparatadas, as mais chocantes, algo que deve resultar da minha veia africana, e acho que a cor transmite muito o nosso estado de espírito, a nossa maneira de ser e de encarar a vida. Houve uma altura da minha vida em que, confesso, andava sempre vestida de preto, mas passei essa fase, felizmente, e agora a cor é uma coisa que me diz muito, gosto de me vestir de uma forma colorida e o meu guarda-roupa é construído por roupas muito coloridas, todas elas. Além disso, o azul é uma cor que eu gosto, e depois tem estas bolinhas, todas muito animadas, que dão um colorido giro, pelo que sinto-me igualmente bem.
– Uma mudança que a vai obrigar a investir em acessórios?
– Exactamente, já comecei com o relógio e os sapatos, mas isso também faz parte, as mulheres gostam de fazer essas toilletes.
– Vamos ter a Elisabete no próximo Dakar de azul. E depois?
– Depois vou continuar de azul enquanto der. Desde há uns anos que não consigo afirmar que vou fazer mais tantos anos de competição. Se cada ano conseguir chegar à conclusão que posso fazer um próximo ano, é sempre um medir de forças com a situação, quer financeira, quer logística. Em cada ano fazemos o balanço para ver se é possível ir mais longe ou não e, portanto, este ano posso dizer que temos o programa até ao Dakar e, se correr bem, eventualmente farei mais um ano. O meu contrato com a MAN e com a Medinfar, nomeadamente, nesta questão do camião foi por três anos e depois teremos que fazer um balanço e ver se continuamos ou não. A utilização do camião durante três anos é bastante razoável, o camião aguenta perfeitamente, mas a partir daí já requer um investimento maior. Vai sair este ano um modelo da MAN mais competitivo, portanto um camião mais potente. Provavelmente, se eu continuar a fazer progressos, um dia vou ter vontade de mudar para um camião diferente, e tudo isto são coisas que temos de ponderar. Provavelmente não conseguirei porque, com o orçamento que temos, não me vai ser possível chegar lá... Tem de ser ver sempre, ano a ano, e infelizmente nunca consigo fazer projectos a longo prazo. Eu digo muitas vezes que se no passado tivesse tido a visão de que ia fazer desporto por um número "x" de anos, ou de que iria poder chegar a esta ou aquela situação, teria investido de uma outra maneira e tinha feito melhor mais cedo, mas eu não consegui ter essa visão porque, de facto, é impossível para nós ter um projecto a longo prazo.
– Qual será a primeira prova em que teremos o MAN em azul?
– Será agora em Setembro. Vai haver uma prova em Marrocos e a nossa mudança agora foi propositada para que nessa prova possam sair algumas fotografias na Imprensa, e para que as pessoas comecem a conhecer o camião agora com uma cor diferente, para o Dakar não ser uma surpresa absoluta. No último Dakar deu-me um gozo muito grande chegar às especiais, e aos sítios onde estavam as pessoas, e ver toda a gente de braços no ar, toda a gente a abrir um corredor para eu poder passar,algo que me deu uma satisfação muito grande, e vou sentir muita pena se as pessoas estiverem à procura de um camião laranja e não me reconheçam quando eu passar. Por isso, vou trabalhar o mais possível para passar a imagem do camião azul a toda a gente, para que as pessoas estejam, de facto, à espera de um camião azul e não laranja.
– Uma pergunta de algum modo pessoal e indiscreta, mas confesso que não sei se a Elisabete tem filhos...
– Não, não tenho. Sempre quis ter filhos, toda a vida, mas sempre fui adiando...
– A questão passa por aí. O Trifene era um produto virado para uma determinada área da mulher enquanto que o Oleoban surge como um produto em que a primeira relação que se faz é com os bebés, nomeadamente com os banhos dos bebés. Esta associação aos produtos Oleoban pode ser uma chamada à maternidade?
– Eu acho que a chamada à maternidade ultrapassa muito a questão do Oleoban. Sempre quis ter filhos e durante toda a vida, pelas circunstâncias da vida, fui adiando, e com esta brincadeira do desporto, quis levar o desporto a sério e isso obrigou-me a adiar ainda mais. Agora, até em face da idade que já tenho, já não é tão fácil pensar na maternidade neste momento, mas um dia porei a hipótese de adoptar, e penso nisso seriamente quando toda esta questão do desporto terminar, pelo que não é um assunto que esteja fora de questão. A verdade é que a marca Oleoban já existe há mais de vinte anos, é um produto que tem provas dadas, e agora abriram o produto à dermocosmética, e lançaram novos produtos, para além do tal gel para bebés, como por exemplo cremes para a pele seca. Por isso, trata-se de um produto não só vocacionado para os bebés mas também para a família, e por isso eles terem pensado que eu seria uma boa aposta para dinamizar um pouco a imagem da marca.
– Peço desculpa de ter entrado nesta área pessoal...
– Não tem problema nenhum. É uma pergunta que toda a gente gosta de fazer. Naturalmente, todas as mulheres gostam e sonham ter filhos e eu também, mas a vida... quando eu achava que era fácil ter filhos e era difícil ter um camião, consegui ter um camião e os filhos não. Portanto, a vida tem destas coisas, são surpresas que vamos gerindo.
Com a participação na 30ª edição do Euromilhões Lisboa Dakar no horizonte, a primeira saída desportiva deste novo projecto será o Rallye de Marrocos, competição da Taça do Mundo que se disputará de 24 a 30 de Setembro.
...por Jorge Reis
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