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Se num passado não muito distante as incógnitas em relação ao arranque do Mundial de Ralis passavam por se saber quais os construtores que iriam ter representação oficial na prova, para 2012 a preocupação parece ser maior, isto porque as dúvidas surgem agora em redor da própria prova, cuja concretização parece estar em causa depois do principal patrocinador, a North One Sports (NOS) ter ficado impossibilitada de cumprir os contratos de patrocínio em face da falência da CSI - Convers Sports Initiatives, entidade que funcionava como holding controladora da NOS. Perante a situação financeira da NOS, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) decidiu denunciar o contrato, tendo já revelado que ainda não recebeu qualquer proposta alternativa.
Afirmando tudo ter feito para que a NOS pudesse ainda dar garantias de poder cumprir as obrigações contratuais assumidas, a FIA já disse que tudo irá fazer para que possa ser possível a concretização do Rali de Monte Carlo, agendado já para o próximo dia 17 do corrente mês de Janeiro, prova que deverá marcar o arranque da temporada de 2012 do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC). Contudo, perante a falência da CSI, verificada após a prisão de seu maior investidor, Vladimir Antonov, na sequência de uma investigação sobre uma liquidação de activos do Banco Snoras, da Lituânia, a concretização da primeira prova do calendário do WRC está seriamente comprometida.
Em comunicado, a FIA veio já assegurar que "procurou urgentemente garantias inequívocas de que a NOS poderia cumprir as suas obrigações contratuais e realizar a promoção do próximo Rali de Monte Carlo e do Campeonato de 2012, e para o futuro”. Porém, acrescenta o mesmo comunicado, “é com pesar e decepção que informamos que nenhuma garantia foi dada à FIA”. “A NOS visivelmente não conseguiu cumprir suas obrigações contratuais, o que representa uma violação do contrato”, justificou ainda a FIA negando ter conhecimento sobre quaisquer intenções de compra da North One Sports após o pedido de falência da CSI.
“Ao contrário do que foi divulgado na imprensa, nenhuma proposta concreta para a compra da NOS foi apresentada à FIA durante este período, mas apenas inúmeras demonstrações de interesse, sem propostas sujeitas a avaliação. A FIA foi notificada de pelo menos sete manifestações de interesse, mas nenhuma delas se concretizou”, explicaram ainda os responsáveis da FIA, que se encontram agora perante o que eles próprios classificaram já como "uma situação sem precedentes a apenas dez dias do Rali de Monte Carlo". Perante esta situação, o comunicado da FIA deixa claro que tudo está a ser feito para que a primeira prova do campeonato possa sair para a estrada em território monegasco: "A Federação está a trabalhar incansavelmente para garantir a continuidade do WRC como foi planeado e para atenuar as consequências da violação do contrato”.
Para já, sabe-se que a FIA iniciou negociações classificados como "urgentes de alto nível" com vários parceiros e fornecedores para garantir a organização e a promoção do campeonato, incluindo cronometragem e navegação, mas também produção e distribuição do conteúdo de TV, podendo entrar aqui em cena a Eurosport, entidade que por diversas vezes no passado manifestou a disponibilidade de chamar a si a promoção do WRC, a exemplo do que faz já hoje em dia com o Intercontinental Rally Challenge (IRC). Curiosamente, e no que diz respeito aos contratos estabelecidos para Portugal, poderíamos estar perante um conflito de interesses, isto porque os direitos televisivos para Portugal das transmissões das provas do WRC foram adquiridos pela SportTV, que deverá transmitir os respectivos conteúdos em canal fechado, apenas para assinantes, uma situação que a Eurosport poderá querer rever.
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