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– Que nova Fiat é esta agora denominada por Fiat Group Automobiles Portugal?
– Esta nova Fiat já começou desde há algum tempo, nomeadamente desde 2004, em termos internacionais, com a chegada ao construtor de Sérgio Marchionne, e em Portugal em 2005, quando começámos a reconstruir a Fiat Auto Portuguesa, mas a partir dessa altura tentando seguir a lógica de funcionamento que Marchionne estava a ditar, e aproveitar o produto que se afirmava então, nomeadamente o Fiat Punto e também a partir dessa altura o Fiat Grande Punto. Tivemos então que mudar o pensamento dentro da empresa, o que implicou uma primeira mudança estrutural, que aconteceu no início de 2006. Nessa altura foram criadas duas Direcções Comerciais, nomeadamente uma para a Fiat e os Veículos Comerciais, e outra para a Lancia e a Alfa Romeo.
– Qual foi, na verdade, o objectivo dessa primeira reestruturação?
– Digamos que procurámos concentrar esforços em aspectos concretos sem dispersarmos meios, e isto porque cada marca nossa possui características diferenciadas e tinham, cada uma delas, naquela altura, problemas diferenciados para os quais eram necessárias soluções totalmente diferentes. Estabelecemos assim uma estrutura com necessidades transversais, que passavam, por exemplo, pela criação de departamento para o reequilíbrio da rede, que era uma necessidade premente da Fiat, um departamento de frotas e usados que tinha que servir como ponto de referência para toda a estrutura, e ainda um terceiro departamento para peças e pós-venda. Depois disso, quando conseguimos focalizar os nossos esforços nos pontos em que havia a necessidade de intervir, houve a necessidade de iniciarmos nova mudança. Aliás, será conveniente lembrar que por esta altura em Itália, já não existia uma duplicidade de acções em termos de branding, mas sim brands únicas e independentes, algo que em Portugal ainda não existia.
– A verdade é que depois dessa primeira mudança, avançou-se agora para uma segunda mudança…
– Uma das ideias-chave de Sérgio Marchionne determina que apenas a focalização e a concentração nos objectivos individuais de cada marca permitem que, uma a uma, possam atingir os seus respectivos resultados. Deste modo, e após um primeiro patamar, que permitiu uma fase inicial de desenvolvimento, houve agora a necessidade de prosseguir a evolução para um segundo estágio, agora sim indo ao encontro da realidade que é vivida pela Fiat em termos globais. Chegámos assim a um estágio, que eu diria natural, pois conseguimos finalmente adaptar-nos ao modo de funcionamento determinado pela casa-mãe, e focalizar as nossas atenções nos pontos-chave de cada uma das marcas. Aliás, afirmo mesmo com orgulho que o avanço para esta política “mono-brand” foi possível de concretizar recorrendo a pessoas que assimilaram o que se pretendeu com a primeira fase da mudança, e que agora estão perfeitamente identificados com a nova realidade.
– E essas pessoas são…
– Foi possível encontrar pessoas no interior da estrutura criada no início de 2006, que conseguiram crescer para serem agora essas pessoas a responder individualmente pelo próprio negócio. Estou a falar nomeadamente do José Carreira, que está agora à frente dos Veículos Comerciais, ou Fiat Professional, e do Artur Fernandes, que fica à frente da Lancia e da Alfa Romeo. Do mesmo modo, na marca Fiat, foi possível encontrar o Marco Lazarino, que já estava na nossa estrutura, com responsabilidade na área das frotas e usados, e que assume também a responsabilidade da área de vendas da marca Fiat, que é, sem dúvida, a mais importante em termos de volume de vendas.
– De qualquer forma, o Director Geral do Fiat Group Automobiles é o “country-manager” da Fiat. Não vem isso sobrecarregar o papel de alguém que deveria ser mais um supervisor de toda a estrutura?
– Não. Aliás, numa empresa moderna já não existe a imagem do supervisor, sendo antes necessário que todas as pessoas trabalhem com o mesmo empenho para o sucesso colectivo. Cá, como em qualquer outro mercado – e a estrutura que temos em Portugal é agora exactamente igual à que temos nos restantes países –, o Director Geral, ou o “general country-manager”, tem que ser o responsável directo de uma marca, e normalmente da marca Fiat, porque é a marca que representa o maior volume de vendas na estrutura.
– Poder-se-á dizer que esta alteração da estrutura, dentro do edifício em que se encontra o Fiat Group Automobiles Portugal, não é tão evidente quanto se poderia pensar, mas antes uma continuidade de uma mudança que já vinha a ser operada?
– Digamos que existiram mudanças efectivas. O José Carreira, por exemplo, tinha todas as ferramentas para mexer nos Veículos Comerciais e na marca Fiat, e agora já não mexe na marca Fiat, da mesma forma que o Artur Fernandes ocupava-se das vendas da Lancia e da Alfa Romeo, e agora é o “country-manager”, mas em termos operacionais, no dia-a-dia, as tarefas de cada uma dessas pessoas não mudaram muito. Digamos que para cada um deles houve vantagens e desvantagens, nomeadamente porque passam a falar directamente com Itália, enquanto que no passado era eu que surgia como um filtro, o que não acontece hoje em dia. Actualmente, a minha função para as outras marcas, para além da Fiat, é a de encontrar o equilíbrio ao nível de estratégia a seguir pelo Fiat Group em Portugal.
Nem os italianos entendem
a fiscalidade em Portugal
– Estão já em vigor as novas normas fiscais para o sector automóvel, iniciadas em Julho, o que leva a uma questão: foi sentida em Junho alguma corrida anómala às vendas ou, ao invés, houve alguma retenção à espera do resultado dessa nova política fiscal?
– Digamos que o mês de Junho foi perfeitamente anómalo. Esperávamos uma quebra de mercado, mas afinal o mercado respondeu de uma forma completamente diferente. Ainda assim, é preciso perceber como é que foram construídos os números das vendas em Junho, e a que correspondem efectivamente. A verdade é que alguns modelos foram penalizados pela nova política fiscal, e outros nem por isso, o que levou a que algumas marcas tiveram que fazer mexidas nos preços dos seus produtos para não serem penalizadas. De qualquer modo, entre aquilo que os construtores esperavam, e o que aconteceu realmente, houve uma diferença considerável e para melhor.
– De qualquer forma, em face da questão entretanto surgida em redor do IVA e da alegada dupla tributação, leva-nos a um novo problema num mercado que de há dois anos para cá tem mudado de seis em seis meses. Como é possível trabalhar deste modo?
– Realmente, o dinamismo fiscal no mercado tem sido de tal ordem que ninguém consegue trabalhar devidamente. A sucessão de notícias impede mesmo que seja possível trabalhar os nossos clientes da melhor forma pois quando procuram um carro ficam sempre à espera da próxima notícia antes de avançarem para a compra, porque essa notícia pode determinar uma mudança de opinião ou novas capacidades de compras. Por outro lado, para o mercado automóvel como para qualquer outro, mas em particular para este mercado tão sensível a mudanças estruturais, torna-se determinante a nossa capacidade de prever o que poderá acontecer no futuro a médio prazo. Ora, em Portugal, nestes últimos anos, ninguém consegue fazer uma previsão credível do que irá acontecer a um ano de distância, nem tão pouco a meio ano. Veja-se que já se disse que em Janeiro a fórmula de cálculo fiscal poderá mudar de novo, pela alteração do peso das emissões de CO2, mas também já há quem diga que essa mudança já não acontecerá em Janeiro. A verdade é que já só o facto de se falar em mudança leva o mercado a criar expectativas, e isso torna particularmente difícil para nós estabelecermos um budget que aguente um ano sem precisar de ser mudado a meio ou até mais do que uma vez.
– E para a casa-mãe, no caso do Fiat Group Automobiles, os dirigentes em Itália entendem esta realidade do mercado português?
– Para a casa-mãe, a minha grande vantagem é que eu sou italiano e falo italiano, pois caso contrário seria difícil explicar esta realidade que já assim eles têm dificuldade em compreender. Na verdade, num primeiro contacto, nem os italianos entendem a fiscalidade do sector automóvel em Portugal. Esta última situação do IVA e da dupla tributação, por exemplo, quando mandei um e-mail a dar conta da situação, a primeira reacção foi a que eu estaria a brincar. Eles tinham sido informados da mudança do IA para o ISV, e agora ficavam a saber dos possíveis erros com a aplicação do IVA, e só faltou perguntarem-me se eu estava a brincar com eles, porque na realidade não é fácil, para quem está de fora, compreender tamanha complicação.
– Já teve algum cliente a exigir o reembolso do que pagou em resultado da aplicação do IVA sobre o Imposto Automóvel, agora transformado em Imposto Sobre Veículos?
– Por enquanto ainda não tive nenhum cliente a dirigir-se aos nossos concessionários a exigir o que pagaram derivado do IVA, e ao que sei o Governo está a procurar resolver esse problema pelo que a instrução que os nossos concessionários têm aponta para a necessidade dos clientes que tenham algo a reclamar, o façam em sede própria que é junto das entidades fiscais, porque também nós cumprimos o que é determinado pelas normas fiscais do Estado.
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