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O piloto português Ricardo Leal dos Santos, ao volante de um Mini, conseguiu, esta quinta-feira, o seu melhor resultado em etapas do Rali Dakar, ao ser terceiro classificado do dia, um feito que lhe permitiu a subida ao nono lugar da geral.
O sucesso de Leal dos Santos contrapôs com a queda de Carlos Sousa (Haval), que enfrentou muitos problemas na ligação entre Arica, no Chile, e Arequipa, no Peru, com o piloto da equipa chinesa Great Wall a perder mais de hora e meia e a cair para sétimo da geral.
Em termos de topo da classificação, a especial de 478 quilómetros revelou-se bastante selectiva, com o norte-americano Robbie Gordon (Hummer) a perder quase duas horas para o líder, o francês Stephane Peterhansel (Mini). Agora, não há quem nos últimos três dias possa fazer frente ao domínio dos Mini, nem sequer importando que Gordon continue em prova à condição, por ter recorrido da sua exclusão da corrida.
Leal dos Santos apenas perdeu na etapa 8.56 minutos para Peterhansel, vencedor em 3:56.53, completando um pódio de Minis, que de permeio teve o espanhol Joan Roma (a 3.44). Este é o melhor resultado em etapas do piloto luso, manifestamente satisfeito com o conseguido: “Já tinha dois quintos lugares, mas terminar em terceiro é fantástico. Foi a etapa mais dura da prova, mas também aquela que me deu mais gozo”. “Teve zonas dificílimas, com um fesh-fesh [dunas de areia fina] incrível e outras pistas, tipo serra da Lousã, onde o andamento foi de puro divertimento”, referiu ainda, à chegada a Arequipa. Leal dos Santos coloca já alguma pressão sobre Carlos Sousa, pelo estatuto de melhor português em prova. O piloto da equipa chinesa sofreu uma “aterragem” violenta na passagem de uma duna cortada, ainda no arranque da especial. Foi assim 21º posicionado, a 1:36.40 horas de Peterhansel, e na geral desceu um lugar, para sétimo, já a 4:04.43 do primeiro.
Sem poder recorrer aos macacos hidráulicos e com a frente do automóvel bastante danificada, o português foi obrigado a esperar pelo colega de equipa para retomar a corrida e tentar não perder muito mais tempo. Encravado entre duas dunas e sem poder recorrer aos macacos hidráulicos, danificados com a força do embate, viu-se mesmo forçado a esperar por Zhou Yong.
O maior “perdedor” do dia foi, no entanto, Robby Gordon, que chegou em 22º, a 1:50.40 horas de Peterhansel. Na geral, está em quarto (à condição), mas já com 2:10.31 de atraso. Mesmo sem forçar, os Mini de Peterhansel e Roma não deram hipóteses à concorrência, estando agora separados na geral por 22.49.
Rodrigues penalizado,
tal como Gonçalves
Hélder Rodrigues (Yamaha) foi penalizado na 11ª etapa do Rali Dakar 2012, mantendo o terceiro lugar na classificação geral, mas agora com uma vantagem para o quarto posicionado de 16 minutos. Os “motards” portugueses parecem estar a atravessar uma fase “negra” neste Dakar, já que esta penalização se segue às seis horas aplicadas a Paulo Gonçalves (Husqvarna), e ao tempo perdido por erro de navegação por Ruben Faria (KTM), já na etapa desta quinta-feira.
A especial Arica-Arequipa, de 478 quilómetros, dividida em dois sectores, era variada, com pistas de pedra e escorregadias, passagens de rios e dunas de areia branca, com passagens por zonas consideradas perigosas, já no Peru.
À partida, o francês Cyril Despres e o espanhol Marc Coma, ambos em KTM, abordaram a etapa de ligação do Chile ao Peru separados por 21 segundos apenas, mas no final do dia o líder, vencedor em Arequipa, reforçou o estatuto, agora com uma margem de 2.22 minutos. Despres venceu a etapa, em 4:03.37 horas, seguido de mais duas KTM, dos espanhóis Farres Guell (a 1.39 minutos) e de Coma (a 2.01). Na geral, Despres tem 13:11.16 e um dia, com Coma a 2.22 minutos e Hélder Rodrigues a 1:08.40, depois de ter sido oitavo na tirada, a 7.44.
Hélder Rodrigues continua bem posicionado para repetir o pódio do ano passado, mas as expectativas de uma boa classificação final terminaram para Paulo Gonçalves (Husqvarna), penalizado em seis horas e a cair mais de vinte lugares na geral. O castigo aplicado a Gonçalves não se aplica ao sucedido na etapa desta quinta-feira, mas sim na etapa em que ficou atolado na lama: alegadamente foi rebocado para sair daquela zona, o que não era permitido, e após terem recebido denúncias do sucedido, os juízes do Dakar aplicaram a severa penalização ao “motard” luso, que assim caiu do sétimo lugar para 30º, a 8:00.16 horas do primeiro. Desmotivado, ele que admitia antes da competição querer lutar pelo pódio, foi o 15º do dia, a 18.35 de Despres.
Quanto a Ruben Faria (KTM), cometeu um erro de navegação, logo no início da etapa, cerca do vigésimo quilómetro, falhando a pista que devia. Um desacerto que acabou por lhe custar caro, já que foi apenas o 38º do dia, a 1:02.16. Na geral, Faria mantém o 12º lugar, mas já a 3:42.43 de Cyril Despres, de quem é a primeira assistência na prova.
Por seu turno, Pedro Bianchi Prata (Husqvarna) continua em prova e com tendência para subir alguns lugares, tendo sido 40º no dia, a 1:03.58, e subindo para 45º, a 11:25.44 do primeiro.
A etapa desta sexta-feira liga Arequipa a Nazca, sendo uma especial de 245 quilómetros, que se antevê difícil, com cerca de 20 quilómetros de dunas encadeadas umas atrás das outras. Deverá ser nesse sector de dunas que as diferenças se farão sentir, contando muito a experiência dos pilotos.
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