|
Hélder Rodrigues (Yamaha) subiu, este domingo, ao pódio do Rali Dakar Argentina Chile Peru 2012, terminado no terceiro lugar do mais importante e competitivo rali de todo-o-terreno do mundo pelo segundo ano consecutivo e assumindo-se, mais uma vez, como o piloto português mais bem classificado entre os participantes na prova.
Na derradeira especial, disputada no decorrer da etapa que ligou Pisco a
Lima, o piloto luso da Red Bull Yamaha TMN Team gastou 26m07s para
percorrer os cerca de 29 quilómetros cronometrados, mais 3m41s que o
norueguês Pal Anders Ullevalseter, que foi o mais rápido neste troço de
consagração para todos os pilotos que terminaram o Dakar Argentina Chile
Peru 2012.
Com a penalização averbada por Marc Coma na sequência de uma segunda
mudança de motor, Hélder Rodrigues terminou o Dakar em terceiro lugar a
1h11m17s do vencedor, Cyril Despres, e com uma diferença de 17m57s para o
segundo classificado. A vantagem para o quarto classificado, Jordi
Viladoms, foi de 29m39s.
À chegada a Lima, Hélder Rodrigues fez um balanço bastante positivo da
sua participação: “Terminar um Dakar é excelente, subir ao pódio é
extraordinário. Terminaram à minha frente dois grandes pilotos. Eu tive a
infelicidade de perder 20 minutos na quarta etapa e outros 20 dois dias
depois, o que tornou quase impossível conseguir melhor que o terceiro
lugar, como eu tanto ambicionava. Tenho uma excelente moto, mas
necessito de um maior apoio financeiro, para poder ter uma estrutura que
me permita lutar pela vitória”.
De salientar que, para além da subida ao pódio pela conquista do
terceiro lugar absoluto, Hélder Rodrigues alcançou, na especial deste
sábado, mais uma vitória em etapas do Dakar, a sexta da sua carreira,
tendo em conta que também lhe foi atribuída a vitória na etapa 9 desta
edição de 2012. Hélder Rodrigues é assim o português com maior número de
vitórias alcançadas, num total de 19 obtidas por pilotos lusos.
Ainda entre as motos, Ruben Faria (KTM), que teve a missão de ajudar
Cyril Despres ao longo da corrida a chegar à vitória, foi o 12º
classificado da geral, apesar de ter sido 95º na especial final. De
referir que Ruben Faria teve, logo na terceira etapa do Dakar 2012, uma
queda que o afastou dos primeiros lugares e que ainda provocou uma
entorse no polegar da mão direita e consequentes dores nos dias
seguintes.
Na derradeira etapa, Paulo Gonçalves (Husqvarna) obteve o 25º lugar e
terminou o Rali Dakar 2012 no 26º posto da classificação final. O piloto
da Husqvarna Rallye Team by Speedbrain teria muito provavelmente
conquistado um lugar no “top 5” final, se não tivesse sofrido uma
penalização de seis horas, por alegadamente ter sido rebocado para fora
de uma zona com lama onde ficou atolado no decorrer da 10ª etapa.
Por sua vez, Pedro Bianchi Prata atingiu o 31º lugar na última especial,
tendo alcançado o 42º lugar na classificação geral. O piloto comentou a
etapa de hoje e fez uma retrospectiva sobre o Dakar 2012: "Chegou ao
fim mais um Dakar, a missão foi cumprida, mas os objectivos não. Mas o
Dakar é mesmo assim, tudo pode acontecer. Foi um Dakar duro e quem
chegou ao final foi bem merecido. A equipa trabalhou muito bem e sem
eles nada disto era possível".
Passando para os automóveis, Carlos Sousa foi o melhor representante
luso e o principal responsável por oferecer à Great Wall Motors o melhor
resultado de sempre de um construtor chinês na prova. Repetindo os
feitos de 2005, 2006 e 2007, Sousa concluiu a sua 13ª participação num
Dakar na sétima posição da geral, ficando agora dependente do resultado
ao apelo interposto por Robby Gordon, após as irregularidades técnicas
detectadas no seu Hummer, para eventualmente igualar o sexto lugar
também conseguido em 2010.
Com o sentimento de dever cumprido e a plena convicção de que seria
impossível fazer melhor, Carlos Sousa cumpriu a promessa de regressar em
excelente forma ao Dakar, após um ano de ausência forçada, e de
conduzir uma das mais jovens e inexperientes equipas do pelotão
automóvel ao primeiro plano internacional.
“Face à juventude deste projecto e às várias condicionantes que
envolviam esta participação – como estar parado desde Abril e ter
testado o carro apenas três dias, em Marrocos –, é evidente que só posso
estar muito satisfeito com este resultado. Cumpri a promessa de
concluir a prova no top 10 e sei que dei todos os dias o meu melhor ao
longo destas duas semanas. Nem sempre foi fácil, porque também tivemos
alguns percalços, especialmente nas duas primeiras etapas no Peru, onde
acumulámos uma série de problemas e um atraso superior a duas horas.
Costumo dizer que no Dakar é habitual ter-se um dia mau… Só que desta
vez tivemos dois consecutivos! Com um pouco mais de sorte, acho que
poderíamos estar hoje um lugar acima na geral. Mas o Dakar é mesmo assim
e o importante é que a equipa está muitíssimo satisfeita com o
resultado, que realmente excedeu as melhores expectativas de todos os
seus responsáveis”, resumiu Carlos Sousa, após a consagração no inédito
pódio instalado na Praça das Armas, em Lima.
Regular e consistente, apesar da arreliadora gripe que o limitou durante
a primeira semana e os sintomáticos problemas com a refrigeração do
motor e a afinação do seu SUV Haval, Carlos Sousa chegou ainda a temer
uma desistência já perto do final, em face da lesão no pescoço
diagnosticada ao seu navegador, Jean-Pierre Garcin, que obrigou o
francês a cumprir as últimas duas etapas com um colar cervical.
“Passámos por situações algo insólitas neste Dakar, mas que ajudam a
reforçar ainda mais o mérito deste resultado. Em todo o caso, acho que
evidenciámos o enorme potencial que este projecto pode vir a ter no
futuro caso a equipa decida investir um pouco mais na preparação do
próximo Dakar e na resolução de alguns problemas de base do próprio
carro. Mas esta é uma decisão que caberá sobretudo à marca”, revelou
Carlos Sousa, na véspera de festejar o seu 46º aniversário e também de
se reunir com o vice-presidente da Great Wall Motors para discutir o
futuro e uma eventual renovação do seu contrato. “Independentemente do
que possa reservar o futuro, sinto que já contribuí para que o desporto
mundial ganhasse mais um construtor interessado em investir no
automobilismo e em se promover internacionalmente através do Dakar”,
concluiu Sousa.
Por seu turno, a dupla formada por Ricardo Leal dos Santos e Paulo
Fiúza, aos comandos de um Mini All4 Racing, terminou a sua participação
no Dakar Argentina Chile Peru 2012 com mais uma exibição de grande
nível. Depois de, na etapa de sábado, ter abdicado de um quase certo
segundo lugar, em prol do importantíssimo apoio a dar à equipa, a dupla
lusa confirmou, no derradeiro sector selectivo, o excelente momento que
atravessa, evidenciado uma crescente capacidade de lutar pelas primeiras
posições. Nos 29 quilómetros cronometrados deste domingo, Leal dos
Santos averbou um tempo de 23m04s, apenas superado pelo Hummer de Robby
Gordon, que já foi desclassificada pela organização do rali, mas que
prosseguiu em prova, na sequência do apelo feito pelo piloto
norte-americano.
“Estamos a andar muito bem. A nossa adaptação ao Mini All4 Racing foi-se
consolidando durante o rali e hoje, que partimos mais aliviados de
peso, conseguimos, finalmente, ter uma palavra a dizer, em termos de
classificação. Este foi até à data o nosso melhor resultado de sempre
numa etapa. Fomos os melhores da armada Mini e só o Hummer que, de
acordo com os comissários técnicos não está regulamentar, ficou à nossa
frente”, referiu Ricardo Leal dos Santos, à chegada a Lima.
Para Ricardo Leal dos Santos e Paulo Fiúza, o oitavo lugar, que poderá
ser sétimo, vai sempre saber a pouco, já que a classificação geral da
equipa ficou condicionada após as 2h30m que perdeu a 500 metros da linha
de chegada, na terceira etapa, quando, na ultrapassagem a uma moto, o
Mini All4 Racing ficou ficado preso num lamaçal que não estava indicado
como sendo uma zona a evitar no “road book”. Sem esse percalço, a equipa
poderia ter terminado a corrida, pelo menos, duas posições mais à
frente.
Sublinhe-se, mais uma vez, que as posições de Sousa e Leal dos Santos
até podem melhorar um lugar, caso se confirme a desclassificação do
norte-americano Robby Gordon (Hummer). A “expulsão” do Hummer da prova
também dará a Leal dos Santos a vitória na etapa de Lima.
Por outro lado, o Rali Dakar 2012 terminou mais cedo para o português
Francisco Pita, depois de o seu SMG ter ficado sem caixa de velocidades,
logo no início da 10ª etapa, no Chile. Estavam apenas decorridos 12,8
quilómetros da especial, quando a caixa de velocidades cedeu de vez,
sendo o último de uma série de problemas mecânicos que têm afectado o
SMG do piloto luso, que tem Humberto Gonçalves como navegador.
"O Dakar é que nos comanda e enganam-se aqueles que pensam que o
venceram quando ele não quer", afirmou, no final do dia em que desistiu, o piloto
português, de 54 anos. Francisco Pita, que no dia anterior ao abandono
era o 59º da geral, participava pela terceira vez no Dakar, depois de
ter sido 78º em 2009 e de ter desistido há dois anos.
Classificação final dos portugueses
Motos
|
| Piloto |
Classificação |
Hélder Rodrigues
|
3º
|
Ruben Faria
|
12º
|
Paulo Gonçalves
|
26º
|
| Pedro Bianchi Prata |
42º
|
Automóveis
|
| Piloto |
Classificação |
Carlos Sousa
|
7º *
|
Ricardo Leal dos Santos
|
8º *
|
Francisco Pita
|
desistiu
|
| * pode subir um lugar, caso se confirme a desclassificação de Gordon |
 |
Apenas utilizadores registados podem introduzir comentários. Por favor efectue login ou registe-se. |