|
Tiago Monteiro considera ter tido em 2011 uma das suas melhores épocas no Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCC), apesar de todas as adversidades que teve de ultrapassar. O piloto português faz uma retrospectiva do ano que passou em entrevista promovida pela sua assessoria de imprensa.
Monteiro começou por ser questionado sobre o que esperava da época de
2011, sabendo que se estava num processo de mudança: “Sabíamos que o
contexto seria diferente, com muitas incertezas, mas ainda assim com
esperança de conseguir bons resultados, apesar de a meio da época termos
um novo motor. Estávamos 100% motivados pois o nosso objectivo era
atacar o máximo como sempre”.
O piloto luso foi claro quanto ao facto de ter sido fácil a transição da
equipa oficial para a Sun-Red: “Sim, claro. Isto porque se mantiveram
as mesmas pessoas. A maior parte dos engenheiros e mecânicos
acompanharam os pilotos. Mas tivemos que nos adaptar pois passámos a ter
menos pessoas para analisar a informações no terreno. Menos pessoas,
significa mais trabalho. Cada um de nós passou a trabalhar a mais”.
iago Monteiro foi também questionado sobre se a sua forma de agir teria
mudado, tendo em conta que chegar à vitória passou a ser uma tarefa
muito complicada: “Não propriamente, pois sabíamos que podíamos chegar
ao pódio, a quarto ou quinto lugares. Era esse o nosso objectivo. Para
atingir qualquer objectivo tem que se atacar. A nossa postura técnica
não se alterou mas tivemos que percorrer um caminho duro para atingirmos
os nossos objectivos. Corremos riscos e fizemos tudo o que estava ao
nosso alcance”.
O piloto lusitano expressou a sua opinião sobre o sistema de
qualificação ao longo do ano, que invertia os 10 melhores para a grelha
de partida da segunda corrida: “Foi um sistema muito criticado desde
início, mas ao mesmo tempo temos de reconhecer que não havia uma solução
miraculosa na configuração do campeonato em 2011. Apesar de
desportivamente o sistema não ter lógica, a realidade é que se assim não
fosse, teríamos tido sistematicamente os três Chevrolet na frente. Em
determinadas alturas beneficiámos deste sistema, outras vezes acabámos
por ficar fora do top 10. Estávamos sempre a brincar com o fogo. Foi
exactamente o que me aconteceu em Macau, mas também estive várias vezes
na frente ao saber jogar este jogo”.
A meio da temporada, o piloto luso estava na quarta posição do
campeonato, com 101 pontos,e na segunda metade apenas amealhou 16
pontos. Tiago Monteiro explicou o sucedido: “Foi o meu melhor início de
época desde que entrei no WTCC. Mas infelizmente, depois da corrida do
Porto, os azares começaram a aparecer. Problemas técnicos e mecânicos
arruinaram alguns fins-de-semana de corridas. Para além disso, tive um
acidente no Japão e um furo na China. No entanto, em termos de
performance, fui melhorando significativamente se compararmos com o
Tarquini, que era o Campeão do Mundo. No final, fui o piloto mais rápido
da Seat Sun-Red. Mas por vezes estamos no lugar errado à hora errada e
eu acabei por perder demasiados pontos na segunda metade da temporada”.
Segundo piloto português, o novo motor teve responsabilidade neste
desfecho: “Em parte sim, mas não tínhamos escolha, uma vez que fazia
parte das regulamentações. Foi um motor que entrou em pista depois de
apenas o testarmos durante 2 dias e como tal não podíamos esperar
milagres. À parte disso, o trabalho feito pela Sun-Red foi notável.
Apesar de não estar ao nível dos Chevrolet ou BMW, tinha um grande
potencial”.
No geral, Monteiro foi o melhor piloto Seat em termos de performance,
pelo que foi peremptório a mostrar-se satisfeito: “Não me posso queixar.
Ainda podemos fazer melhor, mas eu dei o meu melhor e estava bem
colocado em termos de performance. Cada ano que passa é melhor que o
anterior. O Muller e o Huff estão há muitos anos neste campeonato e
continuam a melhorar. É um campeonato onde a experiência conta e para se
ser campeão tudo tem que estar em sintonia”.
Confrontado com o facto de em Macau ser o piloto mais rápido logo após
os Chevrolet nos treinos livres, Monteiro confessou: “Essa foi a minha
maior frustração, pois também estava muito mais rápido que os meus
companheiros de equipa. Mas na qualificação estava em 9º ou 10º e acabei
por ficar fora dos 10 melhores devido a uma bandeira amarela. Toda a
nossa estratégia foi para o espaço. Podemos lamentar o que aconteceu
depois mas devemos saber medir os riscos na altura. Não estava longe da
pole e acredito que poderíamos ter discutido a vitória”.
Tiago Monteiro falou ainda de como gere a sua actividade com a Ocean na
GP2 Series sem que interfira com o seu percurso no WTCC: “Tenho que ser
muito disciplinado. A GP2 não interfere na minha actividade como piloto
no WTCC, mas sim na minha vida familiar. Em vez de rumar a casa para
estar com a minha familia após um fim-de-semana de corridas, volto à
estrada para acompanhar a Ocean na GP2. A experiência num campeonato
ajuda-me no outro e vice-versa”.
O piloto luso abordou ainda a sua participação nas 24 Horas de Le Mans
no protótipo com 3.4 litros e um motor V8: “As condições apresentadas
eram novas mas isso é exactamente o que eu gosto. Sempre gostei de novos
desafios. Em 2010 participei no V8 Supercars na Austrália mas em 2011
havia um conflito de datas com o WTCC. O protótipo das 24h de Le Mans
era muito rápido e remeteu-me para os monolugares. Adorei a sensação
pois é um ritmo distinto. Foi muito importante em termos de actividade
profissional. No WTCC os carros são fenomenais, não há tempo para nada
ao volante. As travagens são muito fortes e o carro é extremamente
agressivo nas curvas. Tem que se estar sempre muito atento”.
Por fim, Tiago Monteiro falou em relação a 2012, não adiantando grandes
detalhes: “Há vários projectos no horizonte, mas nada em concreto até ao
momento. Assim que tudo estiver definido será obviamente divulgado. A
todos, um excelente 2012”.
Apenas utilizadores registados podem introduzir comentários. Por favor efectue login ou registe-se. |