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Desde o início do corrente ano que se encontra em Portugal, com representação directa, uma marca automóvel que deixou de ser comercializada há alguns anos entre nós, e que agora regressa plena de ambições. Falamos da SsangYong, marca que justificou o aparecimento da SsangYong Portugal para a sua gestão entre nós, e que tem à frente do leme José Luís Atienza, um espanhol de 46 anos, apaixonado pelo futebol – adepto confesso do Real Madrid e simpatizante do Benfica –, que começou a sua carreira profissional na Lada, em Espanha, uma marca sem expressão em Portugal e com pouca ou nenhuma em Espanha, o que leva a olhar para este responsável no mercado automóvel como alguém que tem feito grande parte da sua carreira em redor de desafios, ou não fosse o lançamento de uma marca “um verdadeiro desafio face a um sector tão complexo como é o sector automóvel”.
À frente de uma estrutura pequena – quatro a cinco pessoas –, também porque “terá muito apoio a partir de Espanha, no que diz respeito às questões de ‘back-office’”, José Luís Atienza, que dialogou com o LusoMotores em serviço especial para a "Rent Magazine" assume a convicção de que o nascimento de uma marca implica “muito esforço da parte de todos, numa acção contínua de afirmação, e com uma ligação muito forte entre os concessionários e o importador para que todos remem para o mesmo lado e de forma concertada”. Entre nós, a SsangYong Portugal é, de acordo com o seu Director geral, “uma sociedade portuguesa integrada dentro do universo da Bergé Automoción”, um grupo espanhol que tem vindo a ganhar espaço e importância no mercado luso. Aliás, este grupo representa entre nós um total de 10 marcas, nomeadamente a SsangYong, mas também a Kia, Chrysler, Jeep, Dodge, Isuzu, Cadillac, Hummer, Corvette e Bugatti. Relativamente à SsangYong, depois da Espanha, Polónia, e Chile, Portugal surge como o quarto país no qual as acções de importação e representação da marca são colocadas a cargo do Grupo Bergé.
Na sequência de um investimento na ordem do meio milhão de euros, a SsangYong regressa assim a Portugal para um trabalho comercial que será feito com base em quatro concessionários, como explicou José Luís Atienza: “Começamos com um concessionário na área do Porto, outro em Faro e dois em Lisboa, e em breve poderemos avançar para a implementação de concessionários nas zonas de Leiria/Aveiro, Braga/Guimarães, Évora ou ainda de Castelo Branco, podendo a rede ficar completa com cerca de 12 concessionários, no máximo. Já em relação à passagem das actuais quatro concessões às 12 pretendidas, esse alargamento deve acontecer no espaço de um ano a ano e meio, tudo dependendo também da resposta que o próprio mercado possa dar à nossa presença”.
Consciente de que a SsangYong terá uma difícil penetração no mercado nacional, até pelo facto dos seus produtos serem destinado a três áreas de “nicho”, como são os SUV, as pick-ups e os monovolumes, três segmentos que, no mercado nacional, significam qualquer coisa como 14 mil unidades por ano, o seu director-geral em Portugal garante possuir uma enorme confiança no sucesso dos produtos SsangYong, pelo que ambiciona conseguir o seu espaço próprio, para uma marca em que a sua principal implementação deverá acontecer em redor dos SUV’s, desenhados a partir da Coreia, mas virados claramente para o estilo europeu, ao ponto de José Luís Atienza afirmar que hoje em dia é mais fácil a comercialização da marca na Europa do que no mercado coreano, no país de origem do construtor.
A reintrodução da SsangYong em Portugal será feita com o lançamento de cinco produtos, nomeadamente três SUV’s, nomeadamente um mais pequeno apelidado de Actyon, com o qual a SsangYong aposta num novo conceito SUC – Sport Utility Coupé –, o médio Kyron, e o Rexton II, de maiores dimensões, aos quais se junta uma pick-up – Actyon Sports – e um monovolume – Rodius –, com estes últimos a surgirem nos extremos opostos da gama para já disponibilizada pela marca.
“Vamos aproveitar o apoio
da qualidade dos motores Mercedes”
Após cerca de cinco anos em que a SsangYong não esteve representada de forma oficial no mercado nacional, José Luís Atienza reconhece que a marca pura e simplesmente não tem qualquer imagem reflectida do consumidor nacional, até porque a saída da marca do país coincidiu com o momento de queda do segmento dos SUV’s e veículos de tracção total. Ainda assim, os poucos que se recordam da marca lembrar-se-ão que os veículos SsangYong são equipados com motores fornecidos pela Mercedes, um factor positivo que José Luís Atienza faz questão de destacar: “A marca tem a ligação à Mercedes por via dos motores, e em Portugal tudo o que vem da Mercedes merece uma aceitação generalizada. Assim, naturalmente, a associação ao nome Mercedes poderá funcionar como um apoio ao crescimento da marca e à nossa entrada no mercado, e é claro que iremos explorar também esse caminho. De qualquer modo, vamos ter agora uma gama de produtos mais alargada do que aquela que tínhamos anteriormente, e que assentava quase em exclusivo sobre o Musso, pelo que, todos os nossos novos modelos, e o facto de podermos associar a respectiva imagem à qualidade que é transmitida pela ligação à Mercedes, serão factores que poderão ajudar-nos a construir uma imagem de qualidade para SsangYong enquanto marca, e também para que as pessoas reconheçam essa qualidade”.
Integrada no Grupo Bergé, a SsangYong acaba por conviver, no mesmo espaço de possíveis sinergias, com marcas que afinal são concorrentes no mercado, como a Kia e a Jeep para os SUVs, por exemplo, ou a Isuzu nas pick-ups, pois todas estas marcas circulam dentro do “universo Bergé”. “Aqui somos um grupo, mas cada um tem a sua parcela. Lutamos entre nós porque cada um tem a sua marca, mas em relação à SsangYong, somos mais uma marca no mercado, e cada uma, nós tal como as demais, tem de conseguir pelos seus meios o espaço no mercado. É claro que há questões em que procuramos ter algum cuidado no relacionamento, porque pretendemos manter um bom relacionamento com todos os agentes no mercado, e se uma das marcas já possui um determinando concessionário que nos interessa, poderemos conversar e ver se é possível um entendimento, mas o objectivo final é sempre permitir os melhores resultados para a nossa marca, por forma a concretizarmos os nossos objectivos”, explicou José Luís Atienza.
“Mercado espanhol
é mais livre em tudo”
Em Portugal há ano, se não como residente permanente, pois mantém a sua residência em Espanha, como presença assídua entre nós, José Luís Atienza tem já uma visão alargada da realidade do mercado nacional, que classifica de “muito complicado”, e sobre o qual diz que possui “demasiadas forças vivas dos pontos de vista legal e fiscal”. “A influência que a carga fiscal exerce sobre o mercado português leva a que este seja desvirtuado totalmente, e não me parece que este cenário possa vir a mudar assim tão rapidamente. Aliás, fala-se que as mudanças no imposto automóvel poderão mudar o mercado, mas pessoalmente não sei até que ponto é que essas mudanças estão a ser operadas correctamente. Veja-se o caso da importância crescente que será dada à componente ambiental nesse mesmo imposto que, depois de ter passado no início do ano para 10%, passará dentro de poucos meses para 30%, e no final de 2007 para 60%. Ou seja, no espaço de um ano, aquilo que não tinha influência na carga fiscal, passa a ter mais de metade do peso total dos factores que determinam essa mesma carga fiscal, e isso leva-me a questionar se esta mudança não será demasiado radical para o mercado”, interroga José Luís Atienza.
Já em relação a uma possível comparação entre os mercados português e espanhol, o Director Geral da SsangYong Portugal garante que o mercado no país vizinho “é mais livre em tudo”. “Em termos comerciais, em Espanha, é possível fazer uma série de acções comerciais que, se resultam, permitem crescimentos visíveis nas vendas. Ao invés, em Portugal, é difícil avaliar os resultados das acções realizadas, não só porque o mercado é mais pequeno, e as variações são, naturalmente, muito menores, mas também porque se trata de um mercado mais complicado. Em Espanha, as autoridades reconhecem que se a carga fiscal for menor o mercado cresce, e muitos pequenos contribuintes fazem grandes valores. Já em Portugal, o Estado aposta em cobrar muito de uma vez só, impedindo o mercado de crescer.”
Ainda a propósito de impostos, José Luís Atienza deixa clara a sua convicção relativamente à criação do imposto de circulação, referindo que este só será positivo se permitir a diminuição do preço do veículo na compra. Ao invés, se esse preço for mantido e apenas for criado mais um imposto, este responsável não tem dúvidas ao afirmar que está a ser criado mais uma situação travão ao mercado, impedindo as vendas e a rotação do parque automóvel.
E por falar em rotação, lembramos questões como o valor residual dos veículos, situação para a qual o Director Geral da SsangYong diz estar atento. Porém, devido à juventude da marca entre nós, esse tipo de situações, bem como as de vendas sob o regime de “buy-back”, o relacionamento com os gestores de frotas, e outras questões como a presença junto das empresas de rent-a-car, ainda não estão totalmente equacionadas, e “só quando estiver lançada será possível ter uma real percepção do que há a fazer nessas áreas”.
Em jeito de conclusão, pedimos a José Luís Atienza que nos dissesse, de uma forma muito resumida, quais os motivos que justificam a compra de um SsangYong, e a resposta foi objectiva: “Trata-se de um bom produto, tem uma mecânica fiável e que dá garantias de qualidade, e possui um design vanguardista e inovador que, sem dúvida, marca a diferença pela positiva”.
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