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Com a crise financeira mundial em pano de fundo, e com as preocupações ambientais a marcarem, uma vez mais, e como tem sido ponto comum dos certames dedicados ao sectgor automóvel nos últimos anos, na Europa mas não só, os grandes construtores automóveis mundiais fizeram, todos eles, questão de marcarem presença no "Salon Mondial de l'Automobile 2008", o certame que de dois em dois anos tem lugar na cidade de Paris, e que este ano abre hoje as portas ao público, depois de dois dias destinados aos jornalistas e profissionais do sector. O LusoMotores, como tem sido hábito nos últimos anos em relação aos principais Salões Automóveis que se realizam na Europa, nomeadamente em Paris, mas também em Genebra e em Frankfurt, voltou a estar presente, acompanhando os dois dias dedicados à Imprensa, durante os quais foram apresentadas novidades para todos os gostos e todas as carteiras.
Para resumir a realidade do Salão de Paris bastaria, porventura, usar três palavras: verde, inovação e precaução. Na verdade, afinando pelo mesmo diapasão que tem estado presente nos certames dos últimos anos, a necessidade da defesa ambiental implica a aposta no verde por parte das marcas, com todos os construtores a apresentarem as suas soluções para uma maior mobilidade sem dependência dos combustíveis fósseis, e com menores emissões de poluentes para o ambiente, que se pretende cada vez mais limpo e saudável. Derivada desta necessidade surge o segundo termo, isto porque, na busca pela melhores soluções para uma produção de veículos mais "verdes", os construtores têm vindo a inovar, e aproveitam cada certame para apresentar essas inovações, com concept cars mais ou menos arrojados, mais ou menos futuristas, mas em que a originalidade é quase sempre uma constante.
Por fim, e porque a crise financeira que afecta a economia internacional é um facto incontornável, torna-se evidente que os diversos construtores assumem cautelas e precauções evidentes, demonstradas nos diferentes discursos proferidos pelos responsáveis de cada construtor que, de A a Z, não escondem a sua preocupação e alguma ansiedade quanto ao futuro de um sector que pretende sobreviver apesar das enormes dificuldades económicas mundiais que se avizinham. Para conjugar tudo isso, os diferentes construtores automóveis apresentam assim no Salão de Paris veículos novos, com baixas emissões e que possam garantir o volume de vendas indispensável à continuidade no mercado.
O LusoMotores acompanhou os dois dias dedicados à imprensa e profissionais antes da abertura das portas do Salão de Paris ao público propriamente dito, e foi com natural curiosidade que vivemos particularmente o primeiro dia, durante o qual os principais construtores apresentaram as respectivas novidades. Aliás, o Salão de Paris, para o LusoMotores, começou mesmo na passada quarta-feira, quando fomos conhecer em pré-apresentação o mais recente concept car da Mazda.
Apelidado de Kiora, pretende dar uma pista para aquele que poderá ser o futuro Mazda1, para um mercado global em que os consumidores se aglomeram cada vez mais em redor das grandes cidades, agravando problemas como os da mobilidade e poluição. Sobre este modelo, bem como sobre a realidade específica da Mazda no Salão de Paris, iremos aqui trazer mais dados nos próximos dias.
Entretanto, logo pela manhã de quinta-feira, a Citroen apresentou as suas propostas, desde o novo C3 Picasso, ao modelo pronto a entregar a Sebastien Loeb no dia em que a FIA permita o uso de híbridos no Mundial de Ralis, até propostas mais arrojadas, como o Citroen GT, concebido a partir das ideias de um modelo virtual para o famoso videojogo GT5 que se prepara para chegar às lojas da especialidade, ou ainda o Citroen C-Cactus, que promete chegar aos mercados europeus em 2009 como o primeiro carro eléctrico de produção em série, capaz de uma autonomia de 150 quilómetros após carregamentos das baterias que não ultrapassam as cinco horas.
Outra das marcas que, a jogar e, casa, foi no passado uma estrela incondicional do certame, a Renault, pela voz do seu presidente, Carlos Ghosn, optou por uma posição defensiva, provavelmente por saber que a produção do maior construtor francês teve uma queda de 21,4% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2007. Ainda assim, Ghosn garantiu que a Renault está a cumprir os objectivos, garantindo que irão surgir novos produtos para garantir a renovação da marca". Carlos Ghosn, que controla também a nipónica Nissan, alertou para o facto de que a volatilidade dos mercados requer metas mais prudentes.
Em termos de produtos, o novo Mégane, o Laguna Coupé, e ainda o concept Ondelios foram as estrelas deste espaço Renault, lado a lado com o da Dacia, marca do universo Renault, que em Paris apresentou algumas novas propostas seguindo sempre a filosofia de "dar mais produto por menos dinheiro", revelando automóveis com preços ao público reduzidos, mas que nem por isso deixem de ser consideradas como propostas válidas no mercado.
Já no grupo Volkswagen, o presidente mundial do grupo germânico, Martin Winterkorn, afirmou que só com lançamentos atraentes a sua empresa vai conseguir superar um "dificil ano de 2009". Garantindo que o grupo que dirige já está a dar conta do aumento dos preços das matérias-primas, como o ferro e o aço, Winterkorn destacou o facto desta situação tem um impacto directo no custo da indústria, que enfrenta quebras nas vendas em mercados importantes, como o norte-americano e o europeu. Assim, perante esta realidade, o objectivo do Grupo Volkswagen, segundo garantiu, "é garantir a concretização de luvros com veículos atraentes, de baixíssimas emissões e que conquistem o consumidor". O novo Volkswagen Golf, mas também o concept car Audi A1, que já tinha estado no Salão de Lisboa, foram assim algumas das propostas deste construtor germânico.
Um grupo que atravessa um momento favorável, apesar da crise generalizada, mas que nem por isso se mostra disponível para "dormir na parada", é o Fiat Group Automobiles, cujo presidente Lorenzo Sistino, insistiu no tema da sustentabilidade, num espaço em que aqui e ali era visível o logo PUR-02, nomeadamente no Fiat 500, um símbolo que identifica versões da marca com alta tecnologia que diminui consumos e níveis de emissões.
Desenvolvido pela Bosch, o dispositivo Start&Stop melhora a eficiência no consumo. Depois, há ainda o Eco Packs, que inclui pneus verdes, fluídos de baixa viscosidade, pacotes aerodinâmicos e transmissões com relações alteradas. A partir de Novembro, a etiqueta PUR-02 será aplicada nas versões específicas de outros modelos da Fiat, como o 500, Bravo e Croma, que se destacam por serem capazes de níveis de emissões reduzidos de CO2, e baixos consumos de combustível.
Para baixar ainda mais os níveis de consumos de combustível, as propostas de veículos eléctricos e híbridos foram imensas e para todos os tipos, num Salão de Paris em que não passou despercebido todo o glamour que acompanha este tipo de eventos, com uma imagem agregada que, aqui e ali, distrai o observador menos atento daquele que deveria ser o seu pólo principal de atenção: o automóvel.
Resta referir que, ao longo dos próximos dias, o LusoMotores vai-lhe trazer aqui pormenores, histórias e imagens do Salão Mundial do Automóvel de Paris, desde os carros mais originais, os mais arrojados, as novidades mais imediatas para o mercado, nomeadamente de outras marcas que aqui nãoi foram ainda referidas, como a Kia, que apresentou em Paris o novo Soul, ainda a Suzuki, com o novo Alto, de que o LusoMotores també, já aqui falou, ou a Opel, cuja estrela mais cintilante foi, naturalmente, o novo Insígnia. À margem das máquinfas, mas igualmente importante, também todo o ambiente envolvente, habitual num certame de brilho e cor como sempre o da Cidade-Luz que é Paris, mereceu também a nossa atenção.
Jorge Reis
... em Paris
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