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Cerca de meia centena de elementos do movimento ecológioco Greenpeace conseguiram este sábado iludir a vigilância dos seguranças do Salão Mundial do Automóvel de Paris 2008, acabando por, após algumas acções de diversão, colocar alguns elementos na fachada principal dos pavilhões onde decorre o certame, na Porta de Versailles, em Paris, que depois de escalarem a parede descerraram um pano tapando parte do logotipo do Salão onde era visível uma imagem do planeta terra calcada por um trilho de um pneu de um automóvel.
O objectivo desta acção do Greenpeace, que se estendeu também ao interior dos pavilhões onde se encontram os diferentes construtores, e onde foram particularmente visados os grandes construtores automóveis alemães, foi o de protestar contrta a poluição que o sector automóvel tem vindo a provocar para o ambiente do planeta, havendo também quem protestasse contra o crescente desemprego que tem afectado o sector.
Às 10 horas da manhã, 9h00 em Lisboa, naquele que foi o primeiro dia Salão Automóvel de Paris de 2008 para o público em geral, cinco militantes escalaram a fachada do pavilhão cinco e exibiram uma enorme faixa em que eram visíveis os protestos contra a poluição com as já referidas marcas de pneus sobre o planeta Terra. A polícia procurou então retirar os elementos do Greenpeacce daquele local, mas a verdade é que estes só desceram da fachada do edifício, numa acção de "rapel" que aconteceu às 14h30 locais.
Entretanto, no interior dos pavilhões, outros elementos do Greenpeace, bem como elementos de associações sindicais do sector automóvel, tomaram posições radicais. Assim, enquanto os primeiros mantiveram as acções de protesto pelas questões ambientais, os segundos manifestaram-se contra a onda de desempregos que o sector automóvel tem provocado um pouco por todo o Globo, e nomeadamente em França onde decorre este que é tido como o mais importante certame para o mercado automóvel.
Ainda no exterior, e já depois da polícia ter conseguido retirar os elementos que tinham escalado as paredes do hall 5 onde foi desfraldada a faixa de protesto pela poluição do sector automóvel sobre o planeta, cerca de meia centena de activistas do Greenpeace surgiram então no interior dos salões, e envergando t-shirts negras sobre as quais surgiam mensagens sobre a necessidade de baixar o nível de emissões de CO2 pelo sector automóvel.
Envergando estas t-shirts, os militantes do Greenpeace entraram então em vários dos carros expostos nos stands das marcas alemãs mais importantes, como a Mercedes, BMW, Volkswagen e Audi, provocando uma enorme confusão já que se acorrentaram ao interior dos veículos, fechando-se no seu interior, e algemando-se aos volantes dos veículos, para além de, aqui e ali, colocarem autocolantes sobre os automóveis a exigir como limite de emissões de poluentes pelos automóveis.
Em ambos os casos, quer nas t-shirts quer nos autocolantes, a mensagem era clara, surgindo a exigênca de redução dos valores de emissões de CO2 para 120 gramas por quilómetro em 2012, e para 80 gramas por quilómetro oito anos depois, em 2020, valores afinal bem distintos daquilo que defende a União Europeia.
Refira-se que a Greenpeace acusa a UE de estar a ser pressionada por parte dos construtores alemães no sentido de manter níveis de emissões pelo sector automóvel que os ambientalistas acham inaceitáveis.
Em jeito de explicação sobre estas acções, Anne Valette, responsável para as questões climáticas do movimento Greenpeace France, afirmou que "todos os construtores presentes no Salão Automóvel destacaram o seu empenho no desenvolvimento de viaturas menos poluentes, mas em Bruxelas, os construtores alemães têm feito pressão sobre a União Europeia para impedir que avance a legislação que pretende limitar as emissões de poluentes por parte dos veículos ligeiros de passageiros". De acordo com esta activista do Greenpeace, este protesto visou assim alertar a opinião pública para a intenção dos construtores alemães em sabotarem a legislação sobre as emissões de CO2, a qual deve ser adoptada até ao Natal do corrente ano.
Recorde-se que a Comissão Europeia está a estudar a implementação de uma regulamentação que limite as emissões de CO2 a 120 g por quilómetro em 2012. A regulamentação, actualmente em discussão em Bruxelas, deverá ser examinada ainda esta semana, por forma a que seja estabelecido um compromisso de base preparado durante a presidência francesa da União Europeia em curso.
A proposta que está sobre a mesa aponta para a necessidade de que 60 por cento da gama de produtos de cada construtor responda àquele limite até 2012, havendo depois um segundo prazo, até 2015, para que cada construtor possa corrigir os níveis de emissões nos resntantes 40 por cento dos veículos de cada gama no mercado. Esta proposta, curiosamente, vem repor algumas ideias rejeitadas no passado dia 25 de Setembro pela Comissão de Ambiente do Parlamento Europeu.
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