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O compromisso da marca sueca é o de reduzir em 50% as emissões de CO2 até ao ano de 2020. É por demais evidente que na Scania, acreditam por exemplo, que até lá o gasóleo atingirá a qualidade necessária para atingir os valores nas emissões poluentes dos gases de escape. No entanto, também é verdade que a marca sueca se encontra preparada para utilizar outros combustíveis como o GPL ou até o Etanol, ou mesmo as soluções híbridas, e com estas é muito mais credível que se cheguem aos resultados exigidos pela EU – a mesma União Europeia que obriga os construtores a cumprir com os Euros, mas não exige da mesma forma às petrolíferas a cumprir com o fornecimento de combustíveis mais ‘limpos’.
Face a este panorama e para cumprir o Euro 5 que entrará em vigor em Outubro do próximo ano, a Scania propõe a recirculação dos gases de escape para reduzir o NOx e CO2 e a filtragem das partículas, evitando assim a aplicação do AdBlue no pós-tratamento dos gases de escape.
Com base nesta solução, os suecos chegam mesmo a garantir que os motores desta geração, cumprem com o normativo exigido no Euro 6 (ainda não definido) estendendo-se a proposta aos blocos de nove litros de 230, 280 e 320 cv, ou seja as potências habitualmente aplicadas nos transportes urbanos ou na distribuição de mercadorias.
Num breve contacto ao volante, foi-nos dada a oportunidade de ensaiar a potência intermédia de 280 cv sobre um chassis-camião de dois eixos e 18 toneladas de peso bruto (7.100 na frente e 11.500 atrás) de acordo com a legislação escandinava. Atrás da cabina curta e de tecto baixo, uma caixa de 44 m³ assente em suspensões pneumáticas, num chassis com 5.300 mm de distância entre-eixos. Acoplada ao motor DC9 estava a transmissão automatizada GR875 Opticruise, com uma relação final de 3.42. Nas oito relações de transmissão, a “prise” directa 1:1 era conseguida com a quarta alta. A travagem contava com quatro discos e gestão electrónica.
O camião verde
Para este P 280 de ensaio, é muito provável que a cor verde (na gama designada como verde eucalipto) não tenha sido escolhida ao acaso pela Scania. A profusão de controlos electrónicos, o turbo de geometria variável, a recirculação de gases de escape, o filtro de partículas, os travões de disco, a transmissão automatizada e o enquadramento Euro 5, tornam este camião numa verdadeira montra tecnológica e ‘amiga’ do ambiente conforme enfatiza a sigla EEV relativa aos níveis de emissões conseguidos. Até o índice de ruído de 80 dB(A) está o nível de algumas “berlinas” do segmento médio.
Ao longo de três horas e meia de condução e 163 quilómetros, conseguimos chegar a uma média de 48 km/h e 26 litros de consumo de combustível, ambos valores bastante razoáveis, tendo em atenção o percurso acidentado da CREL e Serra de Sintra, ou o naturalmente sinuoso tráfego urbano da Grande Lisboa. Em estrada e num percurso entre Lisboa e Madrid, com uma média de 80 km/h o consumo de combustível baixou naturalmente, chegando aos 19,2 litros por cada 100 quilómetros percorridos.
Mediante os dois degraus de acesso é fácil chegar ao interior do P 280, que concede vários ajustes para quem vai ao volante. O banco de quem conduz permite acerto longitudinal, inclinação das costas, ajuste do assento e regulação do peso. A coluna de direcção pode ser ajustada em altura, e o volante permite acerto em profundidade. A existência do “Opticruiser” transforma o comando da transmissão numa alavanca colocada do lado direito da coluna de direcção, com as escolhas de R para marcha-atrás, e D para a condução. No topo da alavanca, a pré-selecção M ou A para a selecção manual ou automatizada da transmissão, que para arrancar e parar, exige que se prima o pedal de embraiagem.
No tocante à visibilidade, os seis espelhos concedem um bom campo de visão, mas em trânsito urbano, obrigam a alguma habituação de quem conduz, em especial os espelhos laterais. A volumetria das caixas em que estão os espelhos é tal, que tanto peões como viaturas podem ser encobertas através dos ângulos-mortos entretanto criados. Registe-se que esta característica é mais ou menos genérica dos camiões, que cumprem as normas europeias no que diz respeito à dimensão e colocação dos espelhos.
Com 18 toneladas o P 280 não concede boas acelerações. No entanto, em termos de reprises, estas são bastante satisfatórias tendo em atençaõ o peso transportado. E para estes bons resultados nas reprises, a transmissão “Opticruise” contribui bastante. Não existem perdas nas passagens de caixa, e até o pedal de acelerador pode ficar sempre na mesma posição. O sistema vai desacelerando consoante for necessário, e acelera logo que possível, optimizando a potência que no valor máximo pode ser de 280 cv às 1.900 rpm. Outra das características que contribuem para este bom desempenho, tem a ver com os valores de binário de 1.400 Nm (137,2 kgm) encontrados entre as 1.000 e 1.350 rpm. Na prática esta elasticidade do motor justifica as tais reprises que atrás referimos.
Com um bom nível de conforto devido à existência de amortecimento pneumático nas suspensões e cabina apoiada em quatro foles, o P 280 Opticruise é um camião fácil de conduzir e com a possibilidade de quem conduz se centrar mais na condução do que na gestão do camião, que na travagem disponibiliza quatro discos, e um travão de escape cuja eficiência nos deixou surpreendidos, em especial nos baixos regimes e baixas velocidades. A menos de 25 km/h e mesmo com o motor abaixo das 1.500 rpm a eficiência do travão de escape é notável, sendo bastante satisfatória quando em circulação em estrada e a velocidades mais elevadas. Nestes casos, para retirar toda a eficiência que o sistema concede, é necessário ir à pré-selecção manual e gerir a rotação do motor em torno das 2.000 rpm e obter aí a melhor eficiência do travão de escape.
Uma nota final para um interessante dispositivo opcional: o Intercator. Através deste visor, é possível obter diversas informações sobre a gestão do veículo (consumos, distâncias, tempos de condução, GPS e mapas, e serviço de mensagens limitado a quem tem o sistema) ou gestão do transporte.
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| Scania P 280 EEV |
*** |
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Percurso
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EN + CREL + Urbano
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Meteorologia
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Céu Limpo 18 a 28º |
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Distância (km)
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162,6
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Velocidade média (km/h)
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48,05 (80*)
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Consumo médio (l/100 km)
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25,99 (19,20*)
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Consumo adblue (l/100 km)
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Índice rendimento
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1,84 (4,16*)
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| *(valores do Madrid-Lisboa) |
*** |
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