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No dia em que o Governo, através do ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, José Vieira da Silva, e ainda do ministro da Economia, Manuel Pinho, deverá encetar as primeiras reuniões de trabalho com representantes do sector automóvel, já depois deste último governante ter afirmado publicamente que em Portugal o sector não está tão mal como porventura se encontra em outras partes do Mundo, o presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), ao LusoMotores, numa entrevista que pode escutar aqui, na íntegra, no formato podcast em MP3, contrapôs com uma opinião bem divergente daquela que foi defendida por aquele governante. É que, de acordo com António Ferreira Lopes, a realidade é "bem negra", podendo-se mesmo considerar que estamos a viver um momento "preocupante e catastrófico", ao mesmo tempo que o Governo "parece não ter em consideração os problemas das empresas que se encontram nas diferentes áreas do sector automóvel".
Questionado sobre a posição da ARAN em face da realidade da crise que estamos a viver em Portugal decorrente da crise financeira que se abateu sobre o sector automóvel internacional, António Ferreira Lopes chega mesmo a ironizar, referindo não saber qual o futuro da Associação que dirige perante o número de empresas que estão a encerrar, e em face da eventualidade dos seus associados ainda em actividade terem que fechar as suas portas. Mais preocupantes ainda são as palavras deste dirigente se tivermos em conta que ele se mostra convicto de que a verdadeira crise irá acontecer em 2010, deixando a previsão de que, até lá, o cenário de crise se irá agravar ainda mais.
"A situação catastrófica que estamos a viver é aflitiva, estou extremamente preocupado, penso que o ano de 2008 não será o pior ano, em 2009 o sector ainda não irá bater no fundo, e penso que, se calhar, só em 2010 isso acontecerá", defende Teixeira Lopes, suportando esta ideia em números avançados por entidades internacionais relativos a previsões de quebras de vendas no sector automóvel até 2011, que apontam para descidas nas vendas em percentagens próximas de 25 por cento. Aliás, e por falar em quebras, o nosso interlocutor recorda que "se olharmos para os nossos vizinhos espanhóis, em Agosto verificou-se uma quebra de 43%, em Setembro a quebra foi de 32%, e no mês passado (Outubro) tivemos de novo uma quebra de 40%"
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| António Ferreira Lopes |
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Escute aqui as opiniões do presidente da ARAN
sobre a realidade que se vive no sector automóvel |
Em Portugal, este dirigente associativo considera que "o mercado ainda não bateu no fundo", avançando com a "certeza" de que os números "ainda vão baixar mais", sendo algo que "vai acarretar grandes problemas para a sobrevivência das empresas". Perante este cenário, e a propósito do encontro que está marcado entre o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e os representantes dos fabricantes do sector automóvel (AFIA), António Teixeira Lopes considera que será tido em conta um grupo importante de agentes nesse encontro, mas deixa a questão se não será muito mais pertinente analisar a questão do retalho automóvel: "Os fabricantes são uma parte do problema, e são agentes que têm a sua importância, mas não sei se a parte do retalho não será mais importante".
Curiosamente, perante este cenário, o dirigente da ARAN assume que não sente a preocupação do Governo que deveria existir perante tamanhos problemas, e justifica com tempos de espera superiores a um ano, ou mesmo a ano e meio, por respostas a questões que a Associação que dirige já colocou às entidades governamentais. "A título de exemplo, sobre uma questão que foi colocada pela ARAN ao Governo, tenho uma carta do senhor primeiro-ministro a dizer que o senhor ministro dos Transportes vai respoder, tenho uma carta do senhor ministro dos Transportes a dizer que a senhora secretária de Estado vai responder, e ainda estou há espera que a resposta chegue efectivamente", destaca Teixeira Lopes.
"Estou muito descrente relativamente à posição do Governo. Infelizmente, podendo estar errado, começo a recear que o Governo só reage quando há barulho, como está a acontecer com os professores, ou como aconteceu em Junho quando os camionistas e os rebocadores pararam", acrescenta o dirigente da ARAN, frisando que não possui qualquer resposta às questões então colocadas, o que o leva a crer que "não existe da parte do Governo a atenção necessária" para as questões do sector automóvel.
Ao LusoMotores, tal como pode escutar se clicar junto à imagem em cima acedendo ao formato podcast em MP3 do diálogo mantido, António Ferreira Lopes rematou frisando que "a situação do sector automóvel, no retalho, é muito gravosa, seja na área das vendas, seja na área do pós-venda e até na parte da assistência rodoviária, dos rebocadores, que nós também representamos".
A realidade da ARAN...
Sobre a ARAN - Associação Nacional do Ramo Automóvel - será importante recordar que se trata de uma entidade que dispõe do estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública, conferido em Fevereiro do corrente ano, mas com uma história afinal bem mais antiga, ou não estivéssemos perante uma Associação que existe já há bem mais de meio século, isto porque teve origem em Maio de 1940, então sob o nome de Grémio das Oficinas de Reparação de Automóveis e Indústrias Anexas do Norte. Em 1948, passou a integrar os ramos das garagens, estações de serviço, do fabrico de carroçarias e de acessórios para automóveis, acabando por receber uma nova denominação em 1975, altura em que assumiu o nome de Associação do Ramo Automóvel do Norte, o qual deu origem à sigla que ainda hoje mantém.
Em 1988, a ARAN viu o seu o leque de actividades alargado, passando a incluir o comércio de retalho de automóveis novos e usados, atrelados, caravanas e motociclos. Foram abrangidos também o comércio de retalho de pneus, peças, componentes e acessórios. Mais tarde, em 1994, estando atenta à evolução do associativismo do sector automóvel, a ARAN adquiriu âmbito nacional passando a designar-se ARAN - Associação Nacional do Ramo Automóvel, com representação de todas actividades do sector automóvel correspondendo a cada uma delas uma divisão dotada de órgãos e funções estatutárias próprias.
O ano de 2002 marca a transição para um regime de gestão empresarial com forte empenho e com atenção ao desenvolvimento do sector, criando mais valias para as empresas associadas para conseguirem uma diferenciação na área da gestão. Hoje, a ARAN aponta como sua missão a promoção, defesa e apoio dos "interesses legítimos das actividades empresariais que representa, bem como o seu desenvolvimento", tendo ainda a preocupação de "fomentar o espírito de solidariedade e apoio recíprocos entre os seus membros".
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