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Se houve marcas automóveis que conseguiram saltar para a ribalta à custa de um modelo, a Kia é, sem dúvida, uma delas, muito por força da qualidade da gama Cee’d, a qual conseguiu uma plena afirmação no mercado europeu, para o qual, aliás, foi expressamente concebida. Agora, depois daquele modelo de que é fácil gostar, em que é visível a qualidade, utilidade, e uma relação perfeita entre factores tão importantes como o preço, a qualidade e o nível de equipamento, o construtor coreano prepara-se para uma nova aposta num modelo que dá pelo nome de Soul. A primeira apresentação, ainda enquanto protótipo, aconteceu no Salão de Genebra, e desde aquela altura, pelo menos aparentemente, houve apenas que afinar pormenores já que poucas mudanças pudemos encontrar na versão final que o LusoMotores foi conhecer a Valência.
Com efeito, a apresentação internacional deste novo Kia Soul decorreu na passada semana na cidade espanhola de Valência, onde o LusoMotores teve oportunidade de o conduzir nas mesmas estradas por onde, há poucos meses, circularam os monolugares de Fórmula Um, no mais recente circuito urbano criado para a modalidade rainha do desporto automóvel. Naturalmente que a ideia nunca foi apostar em velocidades, mas à escala de importâncias, a verdade é que o Soul também impressionou naquele palco. Logo de entrada verificámos estar perante um automóvel tão interessante quanto estranho, tão atraente quanto intrigante, mas no qual conseguimos encontrar a linha de afirmação de qualidade que o construtor pretende continuar a evidenciar nos seus modelos.
Sendo certo que não será um modelo consensual, podendo mesmo afirmar-se que num mercado "cinzento" como insiste em ser o mercado português poderá haver dificuldade para a Kia conseguir o melhor sucesso com este novo Soul, a verdade é que foi essa originalidade que os seus criadores pretenderam quando idealizaram as suas linhas estéticas. É caso para dizer que, de uma forma racional, o Cee’d continuará a ser a melhor proposta da Kia, mas quem responder à emoção antes da razão terá neste Soul um modelo capaz de motivar paixões, por força do seu design particularmente original, no automóvel com linhas algo “quadradas”, mas a transmitirem, ainda assim, uma sensação clara de dinamismo.
A grande arma deste novo Kia será assim, sem qualquer dúvida, a capacidade que pretenderá ter de mexer com as emoções de cada um, que o mesmo é dizer atingir a "alma" (Soul) dos potenciais clientes Kia. Para tal, o design diferente, diremos mesmo arrojado, em primeira análise, será a arma ideal para o conseguir. Depois, o excelente nível de equipamento com que chegará a Portugal, com ESP de série e alguns "gadgets" originais, como o ecran LCD incorporado no espelho retrovisor, capaz de permitir uma imagem da retaguarda do veículo durante as acções de estacionamento, ali apresentadas a cores de acordo com a captação de uma câmara colocada na porta traseira do veículo, serão argumentos para apelar às emoções dos que prezam a originalidade e tecnologia.
Boas impressões ao volante
Neste primeiro contacto dinâmico, o Kia Soul revelou-se pouco amigo de pisos irregulares apesar do seu aspecto de crossover. à margem desse detalhe, o seu comportamento foi particularmente agradável, principalmente na versão equipada com o motor a gasóleo, a única, aliás, que será comercializada em Portugal. Diga-se que em Valência pudemos conduzir igualmente a versão equipada com o motor a gasolina, mas o bloco diesel revelou-se bem mais agradável, com respostas mais imediatas para uma condução descontraída. Em ambos os casos, falamos de motores de 1.6 litros de capacidade, devendo surgir no final de 2009 uma motorização de 1.4 litros a gasolina.
Sem termos tido oportunidade de fazer um ensaio mais exaustivo, temos que acreditar nos dados do construtor, segundo o qual, para a versão diesel, o novo Kia Soul consegue um consumo médio de 5,1 litros a cada 100 quilómetros, situando-se as emissões de CO2 nas 137 gramas por quilómetros. Aliás, ainda em relação às médias de consumo, nem sequer nos pudemos socorrer do cadavez mais "normal" computador de bordo já que este não existe a bordo do Soul, apontado pelos responsáveis da Kia Europe como um equipamento demasiado racional para um carro que se pretende emotivo. Assim, no que diz respeito ao equipamento, e para além do ESP e da câmara de ajuda ao estacionamento, os destaques vão para o sistema de som, dotado de seis altifalantes, rádio/CD, com entradas para para equipamentos auxiliares e uma porta USB. Em opção, o Soul poderá ser adquirido com um sistema de 315 Watts, com oito altifalantes, amplificador externo e subwoofer.
E já que estamos a falar da realidade do habitáculo deste Kia Soul, há que fazer referência ao espaço amplo do seu interior, onde ficou claro que quatro adultos conseguem viajar sem apertos. Afinal, com 4,10 metros de comprimento, 1,78 metros de largura e ainda1,61 metros de altura, apresentando uma distância entre eixos de 2,55 metros, o Soul fica próximo do Kia Carens, porventura o modelo mais familiar da gama do construtor coreano. Ainda a propósito da versão equipada com o motor diesel de 1.6 litros de capacidade, a única a ser comercializada entre nós, convenhamos que poderia ter uma melhor insonorização do habitáculo em relação ao barulho do motor, mas para um veículo “emocional”, esse não será certamente um factor negativo.
É claro que, por muito grande que seja a emoção, todos irão querer saber o preço deste modelo, porventura o argumento cada vez mais racional em face da crise que atravessamos. Assim, para o Kia Soul, embora ainda não estejam definidos preços finais de venda ao público, estes deverão rondar os 23.000 euros.
Jorge Reis
em Valência (Espanha)
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