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Reportagem: Jorge Reis
... em Roma (Itália)
Oito anos depois do lançamento da primeira geração, e após mais de dois milhões de C3 vendidos, a Citroen resolveu renovar o seu modelo mais importante para o segmento B com o lançamento agora realizado da nova geração francamente melhorada, em que o construtor francês demonstrou claras preocupações com factores tão importantes quanto a qualidade, a estética, as prestações dinâmicas, o conforto no habitáculo e a defesa ambiental.
Reportagem de Jorge Reis
em Roma (Itália)
Em Roma, numa apresentação gaulesa entre os romanos, os agora maiores Citroen C3 surgiram aos olhos dos jornalistas que ali se deslocaram com versões diesel e a gasolina, permitindo em ambos os casos boas impressões no rolamento ao longo de centena e meia de quilómetros percorridos neste primeiro contacto. Sem a necessidade de qualquer poção mágica, este veículo gaulês, que chegará ao mercado português apenas no próximo mês de Março, mas que começará a rodar na Europa já a partir de Novembro, por via do início da comercialização em França estar marcado para a próxima semana, apresentou argumentos que certamente irão permitir a continuidade de uma carreira de sucesso para o "brand" C3.
Maior do que na anterior geração, depois de ter sido "esticado" nas suas dimensões, como explicaram os responsáveis da Citroen durante a apresentação, o novo C3 surge agora mais requintado no seu interior, mas também mais confortável, e com um espaço interior francamente maior, não só nas dimensões efectivas, como principalmente naquilo que somos capazes de percepcionar depois de nos sentarmos a bordo. Graças ao pára-brisas Zenith de grandes dimensões -- a Citroen desenvolveu o pára-brisas Zenith para o C3 com 1,35m (!), que permitiu aquilo que a marca chama de conceito "Visiodrive" --, condutor e passageiros são brindados com um verdadeiro ecran panorámico para o exterior. Os benefícios são vários, sendo o principal a sensação de um espaço ainda maior do que realmente existe dentro de um habitáculo que deixa a impressão de não colocar barreiras para o exterior. E se o sol incomodar o condutor, o tejadilho interior pode ser literalmente puxado à frente, transformando este novo Citroen C3 num carro "normal", podendo mesmo baixar-se a pala para evitar os por vezes incómodos raios solares nos olhos de quem conduz.
Mas se o enorme pára-brisas Zenith é o detalhe que mais rapidamente salta à vista de quem observa este novo Citroen C3, pela manifesta influência que exerce na estética exterior e interior, mas também pela já referida percepção acrescida de espaço para quem viaja no habitáculo deste modelo da Citroen, outros detalhes merecem reparo, nomeadamente ao nível de design. Os conjuntos ópticos já utilizados no novo Citroen C5, o friso cromado na porta da bagageira, os vincos laterais a darem uma imagem de dinamismo acrescido ao conjunto, ou os pormenores no interior do habitáculo, onde encontramos um ambiente claramente diferenciado da realidade que marcava o anterior C3, fruto das aplicações metálicas no painel frontal, do volante, "herdado" também do C5, e dos dois mostradores analógicos e um ecrã LED digital no painel frontal, reunidos em três círculos claramente dirigidos ao condutor, tudo com materiais de qualidade superior e montagem aparentemente isenta de falhas, permitem uma primeira nota particularmente elevada nesta primeira apreciação. Uma nota a rever pelo construtor será a ausência de um simples gancho para o transporte de um casaco, tão útil por vezes ao condutor ou a qualquer passageiro.
Nota ainda para o facto deste novo Citroen C3 apresentar um volume disponível na bagageira de 300 litros, o que o coloca claramente acima dos concorrentes directos no segmento, facto que merece ainda maior destaque se pensarmos que entre os seus concorrentes directos no mercado, lado a lado com modelos como o Opel Corsa, o Volkswagen Polo ou o Ford Fiesta, o Citroen C3 é o modelo com o menor comprimento total. Ainda assim, no interior do habitáculo, as cotas apresentadas e os espaços disponíveis, quer se viaje atrás ou à frente, são francamente generosas, capazes de permitirem elevados níveis de conforto.
Curiosamente, durante a apresentação deste novo Citroen C3, os responsáveis do construtor francês deram conta da vontade de equiparar em termos de qualidade este modelo a concorrentes que normalmente não surgem lado a lado com este modelo da Citroen para o segmento B, tendo enunciado o Audi A3 ou o BMW Serie 1, objectivo claramente ambicioso, porventura demasiado ambicioso, para o construtor francês. Ainda assim, e porque a ambição é legítima a qualquer indivíduo ou empresa, não se poderá criticar esta vontade expressa pelos responsáveis da Citroen, até porque ainda que falte "um bocadinho assim" para um posicionamento ao mesmo nível com concorrentes de outro campeonato, a verdade é que esta nova geração do Citroen C3 subiu claramente relativamente à geração anterior, quer no que diz respeito aos cuidados estéticos, quer também na qualidade perceptível que o automóvel transmite.
Segundo modelo
da nova geração C
Depois do novo Citroen C5, nomeado "Carro do Ano 2009" em Portugal, e introduzido no mercado no final de 2008, o agora apresentado Citroen C3 é o segundo modelo da segunda geração C -- a primeira geração C dos modelos Citroen, que veio substituir a "velhinha" geração X, dos saudosos AX ou CX, foi inaugurada exactamente com o primeiro Citroen C3 apresentado em Setembro de 2001 --, a gama mais importante da marca considerando as gamas Picasso e DS como variantes à linha genética dos modelos C. Não admira por isso que muitas das soluções estéticas inauguradas com o C5 seja agora adoptadas também pelo C3. Depois, igualmente com naturalidade entende-se o acréscimo na qualidade colocada nesta nova proposta da Citroen, agora mais atraente quer ao nível do design, quer ao nível do equipamento, num automóvel que é o primeiro da marca a transportar o seu novo logotipo.
Uma das preocupações da Citroen com a aposta na nova geração C passa, assumidamente, pela capacidade dos seus modelos serem mais amigos do ambiente. Este facto teve um compreensivo peso na definição da gama do novo Citroen C3, motivo pelo qual as motorizações deste modelo foram estudadas com o maior cuidado, havendo a considerar uma versão 1.6 HDi de 90 cv equipada com filtro de partículas para emissões de CO2 que não ultrapassa as 99 gramas de CO2 por quilómetro. Aliás, a nova geração de motores a gasolina com 3 cilindros, que será aplicada à gama C3, assegurará modelos com emissões inferiores a 100 g/km de CO2.
E porque falámos em motorizações, é chegado o momento de referirmos as impressões permitidas pelo Citroen C3 no ensaio dinâmico, durante o qual constatámos o bom comportamento do conjunto, com uma insonorização de bom nível para o habitáculo, capaz de permitir elevados índices de conforto a bordo. Refira-se que a Citroen defende que os veículos do segmento B, sendo um segundo carro familiar, usado para o transporte das crianças para a escola ou para as deslocações diárias para o local de trabalho, rapidamente assumem o estatuto de carro principal para o núcleo familiar, motivo pelo qual carece de níveis superiores de conforto e prestações.
Três motores diesel
e mais três a gasolina
O novo C3 equipa motores apresentados pelo construtor como ecológicos e económicos na utilização: 3 blocos HDi (70, 90 e 110 FAP) e três unidades a gasolina cumpridoras da norma EuroV (1.1, 1,4i e 1,4 VTi95), em todos os casos acoplados a caixas de 5 velocidades manuais. No que diz respeito às emissões de CO2, estão perfeitamente enquadradas com as exigências da marca, pelo que, em ciclo misto, os níveis de emissões dos motores diesel são sistematicamente contidos, abaixo dos 118 g/km – com uma oferta já aqui referida que começa nos 99 g/km – enquanto nos propulsores a gasolina esse valor fica entre os 124 e os 160 g/km de CO2.
Paralelamente e em resposta às preocupações crescentes dos automobilistas em matéria de condução "ecológica" e "económica", o novo C3 possui de série um dispositivo, o indicador do momento ideal de mudança de velocidade, ajudando assim a economizar combustível. Este controlo dos consumos irá prosseguir e reforçar-se-á com a chegada em 2011 de novos motores que incluem o sistema Stop & Start de segunda geração.
Para já ainda sem preços estipulados para a gama a comercializar em Portugal, sabe-se no entanto que o novo Citroen C3 terá os valores de venda ao público balizados entre os valores indicativos de 13.400 euros para a versão de entrada a gasolina, e os 23.000 euros para a versão topo de gama equipada com motor diesel. Estes valores, contudo, só deverão ser conhecidos bem mais perto do momento previsto para o seu lançamento comercial em Portugal, agendado para Março de 2010.
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