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Electricidade e gás natural assumem-se como alternativas ao petróleo versão para impressão enviar por e-mail
A Lisboa E-Nova e a Iveco organizaram um workshop que visou divulgar fontes de energia, para abastecimento de veículos, alternativas aos combustíveis convencionais e juntou especialistas na matéria
27-Nov-2009

Lisboa E-Nova e Iveco promoveram debate sobre energias alternativasA subida progressiva do petróleo, que promete continuar e acentuar-se cada vez mais, e a poluição gerada pelas emissões de gases dos veículos são dois dos motivos apontados para a urgência de se definir, o quanto antes, energias alternativas aos combustíveis convencionais. Para já, a electricidade e o gás natural comprimido parecem partir à frente nesta corrida, que ganha mais velocidade e pressão a cada momento que passa. Uma ideia é certa e unânime: é preciso soluções! Neste sentido, a Lisboa E-Nova e a Iveco Portugal organizaram esta quinta-feira um workshop denominado “Diversificação de fontes de energia para veículos”, que juntou diversos especialistas no auditório do Centro de Informação Urbana de Lisboa.

O painel contou com as presenças de João Almeida, Fábio Nicora e Rui Alexandre, em representação da Iveco Portugal, ainda Jorge Figueiredo, da Associação Portuguesa do Veículo a Gás Natural (APVGN), Robert Stüssi, da Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico (APVE), e Carlos Marques, especialista nas áreas de Transportes e Energia.

A aposta na mobilidade...

Robert Stüssi

O presidente da Associação Portuguesa do Veículo Eléctrico, Robert Stüssi, apresentou neste workshop as diferentes soluções e projectos existentes, em diversos países, em termos de mobilidade eléctrica. Confessando que, na sua opinião e de muita gente, o carro eléctrico ainda não existe na forma de que muitos gostariam, nomeadamente em termos de design, algo já conseguido nos veículos híbridos, Robert Stüssi frisou que esta solução não assenta apenas nos automóveis mas também em veículos de duas rodas, como as bicicletas eléctricas, que se vendem a um ritmo de cerca de 15 milhões de unidades por ano na China.

Recordando que há três décadas atrás já era possível andar de veículo eléctrico em Amesterdão e até fazer “car-sharing”, o responsável da APVE chamou a atenção para a necessidade de se alterar “a ideia de que o veículo eléctrico é limitado”, por exemplo, em termos de velocidade, pois tal já não corresponde à verdade. Stüssi defendeu mesmo que é preciso dar formação às pessoas sobre a mobilidade eléctrica, principalmente a quem trabalha na administração pública. Assumindo que gostaria que os veículos movidos a electricidade ganhassem o seu espaço no futuro, explicou ainda que não existe sequer necessidade de aumentar as capacidades das redes eléctricas para apostar nesta tecnologia, bastando haver um carregamento inteligente, em alturas do dia como o horário nocturno ou as horas de ponta.

Em termos de manutenção, Robert Stüssi também esclareceu uma das principais dúvidas dos presentes, defendendo a sua opção: “O veículo eléctrico é caro, às vezes a bateria quase que custa mais do que o veículo, mas os custos operacionais (como os relativos a combustível) são claramente inferiores”.

Estava ainda prevista a participação de Delgado Domingos, presidente da Lisboa E-Nova - Agência Municipal de Energia e Ambiente, que acabou por não poder estar presente.

Coube assim ao director geral da Iveco, João Almeida, abrir a sessão, começando por falar na importância do conceito de sustentabilidade e dando conta das políticas de sustentabilidade seguidas pelo grupo Fiat, de que a Iveco faz parte. Segundo João Almeida, os fabricantes de automóveis necessitam estar preparados para o que se vai passar num prazo de cinco ou seis anos, trabalhando atempadamente, pois “é preciso muito tempo para arranjar soluções”, nomeadamente no caso concreto das energias alternativas, face à imprevisibilidade do preço do petróleo e da limitação das reservas petrolíferas.

Seguindo esta política, João Almeida garantiu que a Iveco tem já actualmente diversas soluções para os transportes urbanos, estando consciente de que no futuro o cenário de mobilidade urbana sofrerá várias alterações, como a criação de restrições de entrada aos veículos mais poluentes nas cidades. As principais respostas da Iveco aos novos desafios que se apresentam passam pela vasta oferta de motores, com apostas na optimização da tecnologia diesel e no desenvolvimento das tecnologias híbrida, eléctrica e de gás natural comprimido (CNG).

Melhor mobilidade urbana,
mais qualidade de vida

O especialista em Transportes e Energia Carlos Marques defende que as necessidades de mobilidade urbana têm vindo a aumentar, verificando-se “uma utilização crescente do transporte individual”, facto que levanta diversos problemas, como o aumento da emissão de gases poluentes. Acreditando que “a mobilidade é um requisito para ter qualidade de vida”, Carlos Marques explicou a necessidade de lutar contra a “tendência estrutural de crescimento dos custos”, que implica obrigatoriamente a busca por novas tecnologias e veículos que possam inverter essa situação.

Como solução, Carlos Marques apresentou algumas linhas de acção em sintonia com as da Iveco: a necessidade de utilização e afirmação de combustíveis alternativos não poluentes; a utilização de tecnologias híbridas, como uma espécie de transição suave entre o uso do petróleo e a estandardização das novas alternativas; a aposta em tecnologias disruptivas, que revolucionem o mercado automóvel, como é o caso dos veículos movidos a hidrogénio.

Dificilmente vamos ver mudanças radicais no nosso dia-a-dia nos próximos anos, mas vamos ver novas soluções no mercado”, Carlos Marquescomentou Carlos Marques, reconhecendo que num futuro próximo deverá ocorrer uma “hibridização”, com diferentes energias, mas lembrando que, “olhando para o futuro, pressente-se uma urgência de mudança profunda e radical”.

Para Carlos Marques, esta “pressão para avançar” tem feito “muitas marcas que estavam estagnadas”, como as japonesas, viabilizar novas tecnologias que promovam um “desempenho optimizado dos veículos convencionais”. O especialista pensa ainda que deverá existir uma “convergência de interesses” entre o sector automóvel e outros sectores, principalmente o de abastecimento eléctrico.

“O século XXI será
do gás natural”

Jorge FigueiredoJorge Figueiredo, da APVGN, começou a sua apresentação com uma referência ao “Pico de Hurbert”, o qual indica que já terá sido ultrapassado o pico de produção do petróleo, facto que, defendeu, legitima a sua ideia de que o gás natural comprimido deverá ser o combustível principal do século XXI e de que já se “devia estar a promover esta solução”, pois o preço do petróleo caminha para “os três dígitos”. “Um governo lúcido devia substituir tanto petróleo quanto possível no sector dos transportes por gás natural, como acontece noutros países”, comentou o vice-presidente da APVGN, referindo que, enquanto na Europa esta aposta está a ser feita rapidamente, em Portugal “perde-se tempo e dinheiro” com outras soluções, como o biodisel. “Temos todas as condições para avançar para este caminho, só falta uma coisa: vontade política”, acrescentou.

Apesar de acreditar que “a diabolização do CO2 é uma coisa ridícula” e que “o aquecimento global é uma fraude cientifica e uma mistificação”, outro dos argumentos usados por Jorge Figueiredo para defender os veículos CNG foi a redução de cerca de 20% nas emissões de dióxido de carbono, em comparação com os veículos movidos a combustíveis convencionais. Mesmo assim, deixou clara a sua posição nesta matéria: “O que deveria importar é a eficiência energética”.

O representante da APVGN sublinhou também que a conversão de veículos ligeiros a gasolina para gás natural comprimido é “muito fácil” e salientou a existência no mercado de uma ampla oferta de veículos que utilizam de forma complementar (bifuel) ou exclusiva o gás natural, de marcas como a Iveco ou a Fiat, entre outras.

Jorge Figueiredo aproveitou ainda para incentivar os empresários, cuja empresa tenha uma considerável frota e efectue percursos tipificados e relativamente curtos, a avançar com a aposta nos veículos movidos a gás natural, lembrando a necessidade de criação de mais postos de abastecimento do género. Para os interessados, a APVGN disponibiliza-se para elaborar e apoiar projectos específicos para as empresas, “porque cada caso é um caso”.

 

Transporte de mercadorias
com energias alternativas

João Almeida

A Iveco, um dos anfitriões desta acção, apresentou as soluções já existentes no que diz respeito ao transporte de mercadorias em meio urbano com recurso a fontes energéticas alternativas. Rui Alexandre, director de Relações Externas da marca, começou por definir o gás natural comprimido como “uma tecnologia excepcional”, que permite um suave funcionamento do motor, um elevado poder energético e um baixo nível de emissões de CO2 e NO2. Razões que levaram a que esta tecnologia fosse uma das apostas da Iveco na sua nova gama EcoDaily, que alia a solução híbrida e a de propulsão eléctrica, além dos motores a diesel optimizados de forma a cumprir todas as normas ambientais actuais (EEV) e futuras (Euro6).

Explicando, juntamente com Fábio Nicora, todas as evoluções e características da gama EcoDaily, de que o LusoMotores dará conta de forma detalhada em breve, Rui Alexandre salientou a importância do produto se adaptar facilmente às necessidades do cliente e frisou que a tecnologia CNG “não se esgota na gama ligeira”, existindo também soluções nas gamas média e pesada, nomeadamente os modelos Strallis e Eurocargo. Rui AlexandreEste representante da Iveco lembrou ainda que, apesar do gás natural já ser uma alternativa consolidada em vários países, em Portugal existem apenas cinco postos deste combustível, o que “é impossível para movimentar uma frota”. “Tem de se pressionar as entidades competentes a investirem mais”, reforçou. Mesmo assim, a marca já vendeu 52 unidades CNG no nosso país, tendo comercializado cerca de 11 mil na Europa e na América do Sul.

Quanto à aposta eléctrica na gama Daily, Fábio Nicora explicou que “a Iveco investe em veículos eléctricos, porque é um nicho de mercado que tem uma missão principalmente urbana e diária”. Ainda sobre a mobilidade eléctrica, João Almeida, o director geral da Iveco, assumiu que têm de existir mais postos de carregamento, “em Lisboa há apenas cinco ou seis”, mas afirmou que este desenvolvimento faz parte dos planos do Governo. Este responsável garantiu ainda que a manutenção deste tipo de veículos está completamente assegurada pela rede de concessionários da marca, sendo os custos semelhantes.

Lisboa E-Nova
Iveco aposta em energias alternativas

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