Refinaria de Sines é "o maior projecto industrial português"
O primeiro ministro José Sócrates visitou a unidade da Galp Energia e pôde ver como estão as obras resultantes de um investimento que chega, no total, a 1800 milhões de euros
15-Mai-2010
A Galp Energia apresentou esta sexta-feira ao primeiro-ministro José Sócrates, ao ministro da Economia, Vieira da Silva, e ao presidente da Câmara Municipal de Sines, Manuel Coelho, aquilo que foi definido como "o maior projecto industrial português" em curso, avaliado em 1300 milhões de euros. Falamos das obras da terceira fase da refinaria de Sines, que deverão ficar concluídas no próximo ano, e que permitirão à Galp Energia, de uma forma conjunta entre as refinarias de Sines e de Matosinhos, aumentar em mais dois milhões de toneladas o volume possível de crude a ser tratado nas duas refinarias, com benefícios compreensíveis já que isso resultará na produção de mais dois milhões de toneladas de gasóleo, já a partir do último trimestre de 2011.
Este aumento será particularmente importante para a Galp Energia, mas também para a economia nacional, se pensarmos que ao invés de ter que importar um milhão de toneladas de gasóleo, tal como acontece actualmente, Portugal poderá passar a ter um papel de exportador, utilizando para proveito próprio um milhão de toneladas de gasóleo, e ficando com mais um milhão que poderá vender além-fronteiras. Como mercado preferencial para o escoamento da produção do gasóleo, a Espanha é um mercado preferencial já que, apesar de ser já um grande produtor de gasóleo, a sua produção é ainda deficitária em face das necessidades do país vizinho.
Durante a apresentação, José Sócrates recordou que Portugal "foi um dos primeiros países a sair da condição de recessão técnica depois da eclosão da crise mundial", tendo sido igualmente "um dos países que melhor resistiu à crise em toda a Europa". Dando conta daquilo que disse serem "factos e não opiniões ou pontos de vista", Sócrates frisou ainda que "Portugal teve este trimestre o maior crescimento da Europa", situação que evidencia o comportamento que o país teve e que lhe permitiu "ser dos primeiros a sair da recessão, que permitiu apresentar-se como um dos países que melhor resistiu à crise e que mais cresceu economicamente em 2010".
Discursando em pleno estaleiro de obra, num local em que, já no próximo mês de Setembro, deverão estar em operações mais de cinco mil trabalhadores, José Sócrates deu este como um bom exemplo de um investimento que acrescenta valor à economia pelo contributo que dará para o "aumento de exportações e redução de importações". "É disto que o país precisa: de investimento, de emprego, de oportunidades de negócio, mas principalmente de projectos industriais que reduzam as importações e aumentem as exportações do país (...) É assim que se responde ao nosso défice externo, reduzir as importações, aumentar as exportações", salientou.
O mega-projeto da Galp Energia tem além disso o simbolismo de ter sido lançado "em 2008, exactamente quando começou a maior crise económica e financeira da história recente". "A Galp resistiu e continuou o seu investimento, não desfaleceu (...) Aqui está o exemplo de uma empresa que, não tendo desistido, apostou em Portugal. Este investimento significa isso mesmo: aposta em Portugal e confiança na economia portuguesa. Confiança de quem decidiu não adiar o projecto, mas continuá-lo", apontou.
Na ocasião, o primeiro-ministro manifestou ainda o seu empenho em prosseguir os investimentos públicos em Sines, uma zona que "precisa de estar bem ligada aos mercados internacionais" e precisa por isso de infra estruturas para ligar melhor o porto local de forma a torná-lo mais competitivo. "Olhamos para Sines como um dos principais portos nacionais e a importância que os portos têm no sistema logístico é absolutamente decisiva", observou.
Curiosamente, antes mesmo da promessa de José Sócrates, já o presidente da Câmara Municipal de Sines, Manuel Coelho, tinha deixado um recado ao Governo no sentido de darem todo o apoio à construção de "boas ligações rodoviárias e ferroviárias a Sines, nomeadamente pela criação de condições para que seja possível a circulação, a partir de Sines, de um comboio de maiores dimensões, tudo no sentido de transformar o porto de Sines numa infra-estrutura "verdadeiramente competitiva com os portos internacionais do país vizinho". Quando estiver a operar em pleno (juntamente com a refinaria de Matosinhos), o projecto dará um contributo para "reduzir a dependência externa" do país, juntamente com o investimento no domínio das energias renováveis e da eficiência energética.
Sobre a dimensão e importância deste projecto industrial falou o presidente da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, que apontou a circunstância de esta unidade permitir reduzir entre 7,5 e 10 por cento do saldo negativo comercial do país no domínio da energia (Portugal importou no ano passado 6,4 mil milhões de euros de produtos energéticos (crude, gás natural e carvão) e exportou 1,4 mil milhões de euros). No total, o investimento "ultrapassa os 1800 milhões de euros" (com a construção de duas unidades de co-geração e nos projectos em curso dentro da refinaria), constituindo "o maior investimento jamais feito na história do país".
Medidas de ataque ao défice
apontadas como "imprescindíveis"
À margem da visita ministerial às instalações da refinaria de Sines da Galp Energia, o ministro da Economia, Vieira da Silva, em declarações aos jornalistas, admitiu, ainda em Sines, que o pacote de medidas aprovado na véspera para acelerar a redução do défice orçamental e responder aos mercados internacionais tenha "impactos que penalizem o desenvolvimento económico". As medidas anunciadas pelo Governo são "imprescindíveis" para que se "possa realizar o crescimento da economia nas melhores condições", reconheceu o ministro, admitindo porém, que, "no curto prazo, possa haver impactos que penalizem o desenvolvimento económico".
Vieira da Silva teve ainda oportunidade de se pronunciar sobre as anunciadas alterações para as taxas do IVA, a efectuar a partir de Julho do corrente ano. De acordo com o ministro da Economia, os bens essenciais serão abrangidos pelo aumento do IVA anunciado quinta feira pelo Governo, tendo Vieira da Silva sustentado que será no IRS que as famílias serão diferenciadas consoante os rendimentos. "Todos os escalões do IVA são aumentados", afirmou, acrescentando que "todas as alternativas eram mais penalizadoras para a actividade económica e para a sociedade portuguesa". Para o ministro, com função mais diferenciadora face à situação das famílias já existe o IRS.
Reportagem em Sines:
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