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Presente em Monte Carlo como convidado da Iveco para acompanhar a apresentação do acordo de sponsorização global da divisão de veículos comerciais e pesados do Grupo Fiat à mítica equipa de rugby neozelandesa dos All Blacks, o piloto brasileiro da Ferrari, Felipe Massa, não se esquivou a um verdadeiro interrogatório dos muitos jornalistas italianos que, no Forum Grimaldi, presenciaram aquele evento, também eles a convite da Iveco. O LusoMotores também quis dialogar com Massa pelo que deixámos que os italianos fizessem todas as perguntas para depois lhe lançarmos um desafio: Felipe, e que tal falarmos agora em português?
A reacção de Felipe Massa não podia ter sido melhor, e com um sorriso prontificou-se ao diálogo na língua de Camões. Antes, porém, já tinha deixado para os italianos algumas indicações importantes relativamente às expectativas que possui relativamente à próxima temporada de Fórmula Um, na qual irá forma equipa com o finlandês Kimi Raikkonen, naquele que será o primeiro ano da era pós-Schumacher na Ferrari.
Curiosamente, antes do “ataque” dos jornalistas, a Iveco revelou imagens daquele que tinha sido, na segunda-feira, o primeiro teste em pista do F2007, o novo monolugar da escuderia de Maranello, realizado em condições de extremo nevoeiro, e com Michael Schumacher presente nas boxes, a acompanhar cada instante do trabalho desenvolvido em pista exactamente por Filipe Massa.
Já mais consciente da realidade deste novo carro, Felipe Massa começou exactamente por aí, a dar conta do que é este F2007. “Senti que o carro é muito bom. Foi um primeiro dia de trabalho, mas deu para perceber já algumas diferenças em relação ao ano passado, nomeadamente ao nível do motor, com nova aerodinâmica e uma nova caixa, mas ainda assim com uma excelente estabilidade. Esperamos por isso que este ano possa ser um bom ano para a Ferrari. Vencer é o resultado que pretendemos, e é para isso que estamos a trabalhar”, afirmou em resposta às várias perguntas dos jornalistas italianos.
E quando desafiado para apontar os demais favoritos, Felipe Massa começou por dizer que “ainda é cedo para ter uma ideia”, mas sempre deixou algumas dicas: “A Renault será certamente um adversário a ter em conta, como será a McLaren, mas poderão surgir surpresas, nomeadamente através da prestação da Honda. Já a Toyota também veio revelar objectivos elevados, pelo que poderá também causar algumas surpresas, mas é cedo para apontar esta ou aquela escuderia como vencedor”.
Estava dada a deixa para a entrada em cena do LusoMotores, e o desafio a Felipe Massa foi feito: vamos falar em português!? A resposta surgiu através de um sorriso, ficando o piloto brasileiro à espera da primeira questão, afinal óbvia…
LusoMotores – Como é que vai ser esta nova época ao serviço da Ferrari?
Felipe Massa – Espero que seja um campeonato. É lógico que há ainda muito trabalho pela frente para fazer, mas estou muito contente pelo carro, e nomeadamente porque poderei começar o campeonato, quem sabe, com o melhor carro possível.
– Quais foram as primeiras impressões que o carro deixou neste primeiro teste, de que vimos aqui as imagens, e nomeadamente como foi conduzir com todo aquele nevoeiro?
– O tempo não ajudou muito mas, pelo pouco que conseguimos andar foi possível conseguir excelentes resultados. Conseguimos dar algumas voltas com o carro sem que apresentasse quaisquer problemas, e deu já para sentir bastantes melhorias na parte aerodinâmica bem como no motor. É claro que o motor tem muito ainda para melhorar, mas para uma primeira impressão foi muito bom.
– Curiosamente, nas imagens que foram reveladas do primeiro dia de testes, a presença do Michael Schumacher junto da equipa foi muito notada. Vai ser sempre assim, com o Michael a dar o seu apoio junto da Ferrari ao longo de toda a temporada?
– Sem dúvida que espero que assim seja. O Michael ajuda muito a equipa, e tenho a certeza de que toda a experiência que ele possa trazer para dentro da equipa poderá revelar-se fundamente para que a nossa equipa possa continuar a crescer.
– Em relação ao “duelo” entre o Felipe Massa e o Kimi Raikkonen, quem vai ser o mais rápido em pista?
– Espero que seja eu, e vou dar o meu máximo para que assim seja.
– O Felipe conhece o Tiago Monteiro, o piloto português que este ano tem a sua situação indefinida porque ainda não sabe se terá lugar de titular em alguma equipa, nomeadamente na Toro Rosso. Qual é a tua opinião sobre ele, quer enquanto piloto, quer como pessoa e companheiro de pista?
– Ele é uma excelente pessoa. Conheço-o muito bem, esteve comigo no final do ano, para uma corrida de karts, e pessoalmente só espero que ele consiga um lugar na Fórmula Um, até porque se trata de um bom piloto, tem boas possibilidades, e espero que ele consiga um lugar numa equipa, ainda que se saiba que não será certamente fácil a esta altura conseguir espaço nas equipas.
– Qual é o segredo do Brasil para ter tantos pilotos com qualidade de primeiro nível, desde o Emerson Fitipaldi, passando por nomes como Ayrton Senna, Nelson Piquet, Rubens Barrichelo, e mais recentemente o próprio Felipe Massa. Qual é o segredo?
– Sem dúvida, o trânsito de São Paulo!
Estava concluída a curta entrevista com Felipe Massa, terminada com sorrisos no momento da referência ao caótico trânsito naquela cidade brasileira onde outros pilotos brasileiros do passado terão “treinado” para conseguirem chegar a patamares mais elevados. Despedindo-se da reportagem do LusoMotores, Felipe Massa esquivou-se aos jornalistas italianos, que procuravam, afinal, voltar à carga, As respostas, porém, estavam dadas pelo piloto brasileiro que vai continuar nos próximos dias a procurar desenvolver o F2007.
entrevista: Jorge Reis
em… Monte Carlo – Mónaco
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