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O número de mortos devido a acidentes
rodoviários diminuiu de 2600 anuais na década de 1980 para menos de
800. No entanto, o objectivo de Portugal é igualar os países com
melhores indicadores nesta matéria, conforme afirmou o ministro da
Administração Interna, Rui Pereira, no II Congresso de Acidentes de
Trabalho e Rodoviários, em Lisboa.
Rui Pereira explicou esta redução com
vários factores, como, por exemplo, melhores estradas, automóveis
mais seguros, maior sensibilização dos condutores, fiscalização
mais efectiva e regular das forças de segurança e melhor
assistência médica no local dos acidentes.
“Temos cumprido o objectivo de
diminuição do número de mortos e continuamos a apostar no âmbito
da estratégia nacional de segurança rodoviária em colocar Portugal
nos países mais evoluídos da Europa em termos de sinistralidade”,
sublinhou o ministro.
Em 1970, o número de automóveis era
de 500 mil e actualmente é de 5,7 milhões. Portugal tinha 80
quilómetros de auto-estrada em 1974 e nos dias de hoje possui mais
de 3000 quilómetros, de acordo com os dados apresentados por Rui
Pereira. “A evolução determinou que na década de 80 houvesse um
número de mortos muito elevado, mais de 2600 mortos por ano”,
disse o ministro, acrescentando: “Desde 2006 conseguimos descer
abaixo dos mil mortos anuais e actualmente temos menos de 800 mortos
por ano nas estradas portuguesas e continuamos a descer e queremos
descer”.
O governante apontou ainda a mudança
de método para contar as mortes devido a acidentes na estrada para
permitir a comparação com outros países europeus. “Estamos a
mudar de método e passamos a considerar mortos por sinistralidade
rodoviária aqueles que morrem no local ou no transporte e os que
morrem nos 30 dias seguintes”, explicou Rui Pereira.
Aumento de 91 por cento
de mortos
entre os peões
A nova contabilização de mortes nas
estradas – um registo alargado a 30 dias - mostra uma nova
realidade: uma grande subida de falecimentos entre os peões, de
acordo com o presidente da Autoridade Nacional de Segurança
Rodoviária (ANSR), Paulo Marques, que interveio no II Congresso de
Acidentes de Trabalho e Rodoviários, e informou que entre Janeiro e
Abril deste ano morreram nos hospitais, segundo o novo modelo, 275
pessoas em consequência de acidentes de trânsito.
No mesmo período, seguindo as
anteriores contas que registavam apenas as mortes nos locais dos
acidentes e até à entrada no hospital, houve 204 falecimentos. A
nova tabela mostra um aumento de 91 por cento de mortes entre peões
(61 pessoas num mês contra 32 em 24 horas), uma subida de 23 por
cento entre condutores (163 contra 133) e de 31 por cento entre os
passageiros (51 contra 39).
Face a estes números e ao facto de os
acidentes acontecerem mais em meio urbano, o responsável sublinhou
os atropelamentos, uma realidade que era desconhecida, por não se
fazerem contabilizações a um mês. Paulo Marques recordou também a
importância de as autarquias desenharem planos municipais de
segurança rodoviária e afirmou que, neste momento, os números
mostram que se irá falhar o objectivo europeu de reduzir em 50 por
cento as mortes em acidentes rodoviários entre 1990 e 2010.
Apesar disso, Portugal já é uma
excepção, por ter cumprido a meta no ano passado, isto depois de
1995 estar 105 por cento acima da média da Europa. Apesar da
evolução positiva, o dirigente referiu que Portugal tem o dobro dos
números registados nos países com menos sinistralidade fatal, como
o Reino Unido e a Holanda, defendendo, por isso, mais trabalho para
melhorar a situação.
O objectivo português até 2015 é
“salvar 1350 vidas” e ficar no “top 10” das listas com menos
vítimas. Neste sentido, para o próximo ano está prevista uma
avaliação intercalar da Estratégia Nacional de Segurança
Rodoviária, para uma eventual redefinição de objectivos e acções.
A estimativa da Organização Mundial
de Saúde (OMS) é que, na lista de causas de mortes, os acidentes
passem de um nono lugar em 2004 para um quinto posto em 2030, em
listas lideradas pelas doenças isquémicas do coração.
Os números que Paulo Marques
apresentou indicam ainda a predominância de homens entre os
condutores mortos entre 2000-2009 (92 por cento contra oito por cento
de mulheres). Nas outras áreas de feridos graves, ligeiros e ilesos,
o sexo masculino surge sempre também com números superiores em
comparação com o feminino. Entre os grupos etários, os dados
indicam que são os condutores mais jovens a morrerem em acidentes
(entre 20 e 29 anos).
O presidente da ANSR sublinhou ainda
que o excesso de álcool aumenta em 10 vezes o risco de acidente e
chamou a atenção para os 28 por cento de autópsias de condutores
que revelam que estes tinham bebido demais.
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