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Carlos Sousa não terá vivido hoje uma etapa particularmente feliz já que a meio da especial, percorrida entre Zouerat e Atar, na Mauritânia, acabou por deixar o seu navegador, o alemão Andreas Schultz, em pleno deserto, a pé, depois de um atascanço mais complicado numa duna em que o português terá perdido algum tempo. No final da etapa, Sousa caiu para a nona posição, atrás do terceiro homem da Volkswagen, e já a mais de duas horas do novo líder, Giniel de Villiers.
Entretanto, e sobre o estranho episódio do "abandono" de Andreas Schultz no meio do deserto, as primeiras informações adiantadas pelo site oficial da prova referiram mesmo que o piloto português do Volkswagen Touareg com o número 313 terá tido um ataque de fúria e terá deixado Schultz a pé, por lhe atribuir o erro de navegação que os colocou a ambos naquela duna, isto quando antes já tinham sofrido dois furos. Porém, Duarte Cancela de Abreu, o assessor de imprensa do piloto português, à Agência Lusa, contou já uma versão bem distinta.
Assim, e a julgar pela versão adiantada por Cacela de Abreu, Carlos Sousa e Andreas Schultz terão ficado com o seu Volkswagen prsona areia de uma duna, a meio da especial. Aí, terão saídos os dois do carro para retirarem a areia e permitirem que o carro prosseguisse a marcha. "O carro ficou parado nas dunas e o co-piloto saiu para desatascar. O Carlos Sousa conseguiu sair e perdeu o co-piloto devido a uma tempestade de areia. Além disso, só parou cerca de um quilómetro mais à frente para fugir à zona perigosa. Depois ficou à espera do navegador", garantiu Duarte Cancella de Abreu, assessor de Carlos Sousa, em declarações à Agência Lusa.
Ora, acontece que, nestas circunstâncias, é normal que logo que um carro atascado está prestes a ser libertado, o piloto senta-se ao volante enquanto o navegador procura libertar a última roda, ou ajudar, do exterior, a indicar a melhor forma do carro retomar a sua marcha. Depois, estando em marcha, o piloto não pode parar enquanto não encontrar terreno mais consistente, sob pena de atascar de novo, o que vem dar corpo À versão de Duarte Cancela de Abreu. Já em relação à tempestade de areia, também é possível que a mesma tenha acontecido de uma forma mais violenta, isto porque a organização da prova decidiu cancelar parte da especial para os motards, encurtando-a em 134 quilkómetros, exactamente pelo forte vento que se fazia sentir na região.
Assim, a tempestade de areia terá deixado Carlos Sousa e Andreas Schultz sem contacto visual entre si, tendo o piloto de Almada decidido retomar a marcha para não perder mais tempo, mas naturalmente consciente de que se poderia juntar a Schultz mais tarde. O site oficial do Lisboa-Dakar'2007 começou por anunciar que Sousa deixou Andreas Schultz apeado nas areias do deserto enervado com o mesmo, depois de perder minutos preciosos. Depois informou que o português aguardava o alemão ao km 299, e mais tarde acrescentou que os dois estavam juntos de novo, tendo retomado a prova. Outras notícias, porém, chegaram já a dar conta de que Andreas Schultz terá sido recolhido no deserto por um helicóptero da organização, que o terá levado para o final da etapa.
Resta agora esperar pelo final do do dia para saber qual a versão derradeira deste bizarro acontecimento, que por certo irá marcar a etapa de hoje. Há que acrescentar, no entanto, que sabendo-se que Carlos Sousa não tem um feitio fácil no trato com os seus navegadores, com quem protagonizou algumas polémicas em edições anteriores do Dakar, também não é de crer que o piloto de Almada, a meio do Dakar, e quando seguia na terceira posição da geral, tivesse deixado a emoção falar mais alto ao ponto de "expulsar" Andreas Schultzs do carro, arriscando-se, a partir de amanhã, quando ainda para mais irá ser vivido o dia de descanso do Dakar, a ter que fazer toda a restante prova a solo, comprometendo as suas ambições. Afinal, se a emoção falasse mais alto do que a razão a esse ponto, seria caso para dizer que Carlos Sousa não teria condições para enfrentar uma prova desta dureza.
Curiosamente, porém, também é um facto de que Luís Represas, o "cantor-jornalista" que está a acompanhar a prova para o canal RFM da Rádio Renascença, deu conta já esta semana de algum mau-estar entre Carlos Sousa e Andreas Schultz, com Sousa a não gostar que o navegador alemão tivesso confundido o seu nome com o de pilotos com quem correu no passado. Ao mesmo tempo, também na equipa da Mitsubishi, têm sido visíveis os desentendimentos diários entre Luc Alphand e o seu navegador, Gilles Picard, transmitidos nos diversos canais televisivos que acompanham a prova a partir do interior do seu Mitsubishi, e nem por isso nenhum dos dois ficou no deserto.
Um facto real e indesmentível no meio de tudo isto é que, com esta enorme confusão, um atascanço tremendo, que já tinha sido antecedido por dois furos, Carlos Sousa foi o 41º na sétima etapam nos automóveis, tendo caído da terceira para a nona posição, atrás do norte-americano Mark Miller, o terceiro homem da equipa oficial da Vokswagen, e agora a mais de 2h38m do sul-africano Giniell de Villiers, que é agora o novo líder da prova, por troca com Carlos Sainz, estando ambos separados por pouco mais de minuto e meio. Em terceiro encontra-se agora o melhor Mitsubishi, de Stéphane Peterhansel, a mais de 24 minutos de De Villiers.
Nota ainda para uma desistência entre os portugueses, de Lino Carapeta e Ricardo Cortiçadas, eles que não conseguiram assim levar até ao final o seu Bowler, e ainda para os problemas com João Nazaré, o piloto do Quad Yamaha que, depois de ter sofrido um furo na sua máquina a meio da classificativa, verificou que não tinha condições para reparar ali o problema, mantendo-se em prova mas seguindo a partir daquele momento em velocidade muito moderada até ao final.
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