Renault investe mais de 100 milhões em Cacia
Hoje é Terça-Feira, 21 de Fevereiro de 2017

Renault investe mais de 100 milhões em Cacia

Ao longo de três anos, a Renault vai investir mais 100 milhões de euros criando 150 postos de trabalho permanentes na fábrica de Cacia

Cacia-AntonioCosta-001A Renault anunciou esta sexta-feira na fábrica do construtor em Cacia, Aveiro, o investimento de "mais de 100 milhões de euros" para os próximos três anos na Renault Cacia , fábrica que vai produzir a nova geração de caixas de velocidades que passarão a equipar os modelos da gama Renault a partir do final de 2018. Este anúncio do investimento, relativamente ao qual chegaram a surgir rumores que seria alavancado aos 140 milhões de euros em quatro anos, e que acabou por ser resumido a "mais de 100 milhões" entre 2017 e 2019, num posicionamento cauteloso e realista por parte da própria Renault, foi feito em conferência de imprensa na unidade de Cacia com a presença do primeiro ministro, António Costa, mas também de José Vicente de Los Mojos, responsável máximo pelas fábricas do Grupo Renault, e ainda por Juan Melgosa, o director da unidade de Cacia que recebeu assim tão ilustres visitantes naquela que é uma das unidades de maior prestígio entre as muitas fábricas do construtor francês espalhadas pelo mundo.

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O prestígio desta unidade de produção e a qualidade que permitie acaba assim por justificar a escolha da fábrica Renault Cacia entre as do Grupo Renault para a produção de uma nova geração de caixas de velocidades, decisão que justificou o investimento da Renault em Cacia, nos próximos três anos, num montante de mais de 100 milhões de euros, um investimento que vai permitir também a criação de mais 150 novos postos de trabalho permanentes, ficando a actividade da unidade de Cacia garantida para os próximos anos perante a afetação desta nova caixa de velocidades.

A Renault Cacia é uma das maiores exportadoras nacionais, fornecendo componentes para muitos dos modelos da Aliança Renault-Nissan. Em 2015, o volume de negócios foi de 280,6 milhões de euros (um crescimento de 7% face ao ano anterior), com a totalidade desse valor destinada a exportação. A unidade emprega actualmente 1200 colaboradores, número que irá aumentar com a incorporação dos 150 trabalhadores que passarão a ter um vínculo permanente à fábrica de Cacia.

O investimento para a produção da nova geração de caixas de velocidades para o Grupo Renault, resultará na modernização da fábrica, na criação dos já referidos 150 novos postos de trabalho permanentes assegurando o futuro desta unidade por vários anos. A modernização da actividade resulta, igualmente, na criação de emprego ainda mais qualificado (mais de 20 engenheiros em 2016) testemunhando não só o crescimento da actividade mas também o desenvolvimento das competências e o know-how tecnológico da Renault Cacia.

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Este investimento agora apresentado surge como particularmente importante para a economia local, mas também para a economia nacional, uma vez que a Renault Cacia exporta para quatro continentes a totalidade da sua produção, com um volume de negócios que se aproximará, em 2016, dos 300 milhões de euros. A Renault Cacia é (dados de 2014) uma das 15 primeiras empresas exportadoras em Portugal.

A concretização do investimento agora anunciado foi possível graças à assinatura de um acordo de empresa, entre a Administração da fábrica e os representantes dos trabalhadores. Este acordo, que estará em vigor para o quadriénio 2017-2020, integra a componente de evolução salarial, de acordo com a inflacção, a introdução das regras de flexibilização do horário de trabalho e prevê a integração nos quadros da Renault Cacia de 150 colaboradores com contrato de trabalho sem termo. Esta evolução do nível de emprego é concretizada no momento em que Cacia tem o maior número de colaboradores dos últimos 20 anos.

Refira-se que numa altura em que a Renault Cacia celebra o seu 35º aniversário, aquela unidade atravessa um excelente momento, isto depois de ter sido duplamente distinguida,primeiro por via da nomeação de melhor fábrica de caixas de velocidades (Tipo J) do grupo Renault em 2015, e depois, mais recentemente, por ter recebido igual distinção atribuída entretanto também pela Aliança Renault-Nissan.

A "melhor notícia" para António Costa

Dirigindo-se aos trabalhadores da fábrica Renault Cacia bem como às entidades presentes e aos jornalistas que acompanharam o anúncio deste investimento, o primeiro-ministro António Costa classificou-o como “a melhor notícia” numa semana de boas notícias para o país, recordando que foi também nesta semana que a Comissão Europeia aprovou o Orçamento do Estado para 2017 e pôs fim ao processo de sanções, tendo anunciado ainda a saída de Portugal do procedimento de défice excessivo. “Numa semana com tão boas notícias, a melhor é mesmo esta, porque confirma que temos estado a fazer bem e temos de continuar a trabalhar para fazer melhor”, afirmou.

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O primeiro-ministro felicitou ainda a comissão de trabalhadores da Renault Cacia destacando o facto de que, para que este investimento fosse possível por parte da Renault em Cacia, "foi fundamental” o acordo entre a administração da unidade de produção e a comissão de trabalhadores. Destacando a estabilidade que este acordo vem permitir, António Costa frisou que o mesmo “garante condições de estabilidade e segurança para quem quer investir, e também confiança e segurança para quem trabalha”.

Quem também se mostrou particularmente agradado com este plano de investimento foi José Vicente de Los Mozos, o membro do comité executivo do Grupo Renault que tem a responsabilidade pelas diversas unidades de produção da Renault a nível global. Por via das suas funções, ganharam maior destaque os elogios que fez à produtividade e qualidade da fábrica de Cacia, Aveiro, factores que apontou como determinantes para este investimento.

“A fábrica de Cacia foi escolhida, entre as do Grupo Renault, para a produção de uma nova geração de caixas de velocidades, pelo que vamos investir em Cacia, nos próximos três anos, um montante de mais de 100 milhões de euros”, anunciou. José Vicente de los Mozos deixou ainda palavras de agradecimento para o Governo de António Costa por este ter permitido condições para chegar a um acordo de longo prazo com os representantes dos trabalhadores, facto que “garante a estabilidade da empresa e foi decisivo para conquistar o investimento, dentro do universo Renault.”

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Usou ainda da palavra no anúncio do investimento na Renault Cacia o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, José Ribau Esteves, que se congratulou pelo investimento da Renault na fábrica de Cacia, uma unidade que permite também colocar Aveiro no mapa da economia portuguesa e das exportações para todo o mundo, por via das caixas de velocidades e outros componentes automóveis produzidos nesta unidade para todos os modelos da Renault e da Aliança Renautl Nissan.

Por fim, Juan Melgosa, o director geral da unidade Renault Cacia, aos jornalistas, voltou a destacar a importância deste investimento a ser feito ao longo dos próximos quatro anos, tendo recusado a ideia de ter existido qualquer recuo numa alegada primeira intenção do investimento ser de quatro anos e 140 milhões de euros.

Admitindo que ultrapassado o ano de 2019, e porque o investimento agora anunciado tem um período mais alargado em termos de consequências práticas, o mesmo pode permitir novas verbas a aplica na unidade de Cacia, este responsável garantiu não ter havido recuo, preferindo lembrar que "não é todos os dias que se avança para um investimento de mais de 100 milhões de euros", para além de que, frisou, "é preciso ter planificação e investir de forma consciente, permitindo espaço para que a evolução de uma unidade como a Renault Cacia possa ser pensada de acordo com a evolução do mercado para o qual produz."

reportagem: Jorge Reis

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