Citroen C4 Picasso autónomo em portagem

Citroen C4 Picasso autónomo em portagem

Foi em França que, pela primeira vez, um veículo autónomo cruzou uma portagem, fruto da colaboração do Grupo PSA com a Vinci Autoroutes

Portagens-autonomo01Foi pelas 09h30 desta quarta-feira (10h30 em França), que um veículo autónomo cruzou, pela primeira vez e em total autonomia, um corredor de portagem da rede de autoestradas francesa Vinci Autoroutes. Um veículo autónomo do Grupo PSA, no caso um Citroën C4 Picasso, cruzou esta manhã a portagem de Saint-Arnoult-en-Yvelines, a maior da Europa, sem qualquer intervenção do condutor, processo possível pela comunicação integral e específica entre o veículo e aquela infraestrutura.

PUB

Realizada em condições reais de tráfego, esta bem sucedida experiência resulta num passo crucial no desenvolvimento do veículo autónomo para o Nível 4 (“mind off”, sem supervisão do condutor). É o culminar de um programa de desenvolvimento iniciado em 2016 que sela a colaboração entre dois protagonistas no domínio da mobilidade, nomeadamente o Grupo PSA, construtor que pretende estar na vanguarda das novas tecnologias, e a rede Vinci Autoroutes, líder europeia entre os operadores de autoestradas e infraestruturas, e igualmente líder no seu setor no campo das novas soluções de mobilidade.

Um primeiro passo importante foi, assim, alcançado na ligação entre o veículo autónomo e as novas gerações de infraestruturas, necessária para o seu desenvolvimento.

Refira-se que a transposição de uma área de portagem é um processo complexo para um veículo autónomo, pois requer uma capacidade adicional de gestão dos fluxos transversais de veículos, os quais se movem aleatoriamente na aproximação a uma zona de portagens, ao mesmo tempo que também requer uma correta orientação do veículo autónomo nesta área, muitas vezes caracterizada pela ausência de marcações no alcatrão. Há, assim, que direcionar a trajetória do veículo autónomo, a fim de o habilitar a inserir-se automaticamente no corredor da portagem, o qual tem uma largura de apenas 3 metros, equipado com o sistema adequado. O veículo autónomo deve ser, também, capaz de lidar com qualquer emergência que possa surgir aquando da passagem dessa barreira.

Foi, por isso, essencial a implementação de um protocolo específico entre a infraestrutura da portagem, operada pela VINCI Autoroutes, e o veículo Citroën C4 Picasso autónomo, do Grupo PSA.

  • Um sistema de orientação é implantado 500 metros a montante da barreira de Saint-Arnoult, na direção de Paris. Ele permite que o veículo autónomo siga para uma faixa pré-registada, direcionando-o até ao corredor de portagem selecionado e equipado para o receber. Diz-lhe depois o caminho a seguir à saída da barreira, para que regresse à faixa da autoestrada, podendo depois o veículo continuar a orientar-se através das linhas brancas colocadas no piso.
  • É dada uma autorização de passagem ao veículo, indicando se a barreira está aberta. A infraestrutura passa essas informações ao veículo autónomo através de uma antena RSU (Road Side Unit) posicionada 300 metros antes da portagem, no rebordo da estrada e conectada ao sistema de portagem.
  • Por seu turno, este recorre ao protocolo ITS G5 para a emissão de dados, referência na comunicação com veículos conectados. São 3 os corredores de portagem de Saint-Arnoult que estão equipados para uma rápida e segura transmissão das informações de autorização, feitas via antena RSU, recebendo os veículos conectados e autónomos, como o veículo autónomo Citroën C4 Picasso do Grupo PSA.
  • O sistema de informação da portagem foi modificado para garantir a passagem de veículos autónomos. Ele analisa em tempo real a disponibilidade do corredor e certifica-se de que estão reunidas as condições para permitir uma passagem segura. A autorização entretanto calculada é então enviada ao veículo autónomo através da antena RSU.
  • Para este teste, o C4 Picasso autónomo foi equipado com um equipamento eletrónico de portagem, permitindo-lhe atravessar os corredores em total autonomia.

Sobre este tema, Pierre Coppey, presidente da Vinci Autoroutes, estima que “a mobilidade encontra-se num ponto de viragem da sua história, enfrentando mudanças de comportamentos e práticas que irão transformar a experiência de condução e das viagens em estrada.”

“Para que os veículos do futuro se tornem verdadeiramente autónomos, eles devem estar conectados às infraestruturas inteligentes que estamos a desenvolver. A colaboração entre os fabricantes de automóveis e os operadores de mobilidade é, neste particular, essencial. Sendo infraestruturas seguras por excelência, as autoestradas resultam num importante campo de ensaios, para que amanhã se possam adequar a estas novas mobilidades”, disse.

Por seu turno, Carla Gohin, Diretora de Inovação do Grupo PSA, afirmou que “a superação de uma barreira de portagem em modo autónomo é um passo importante nas atividades de condução autónoma de Nível 4 em autoestrada.”

“Esta experiência ilustra o potencial permitido pela comunicação em tempo real entre um veículo e a infraestrutura rodoviária. É o primeiro passo para uma colaboração com a VINCI Autoroutes, tendo como objetivo a avaliação da contribuição da comunicação com a infraestrutura para as diferentes situações do quotidiano com que o veículo autónomo se depara numa autoestrada, como sejam as informações antecipadas das áreas com trabalhos ou para facilitar a sua orientação numa área de descanso. Estes elementos serão pilares essenciais que permitem completar as atuais estratégias de controlo de veículos autónomos do Grupo PSA.”

Portagens-autonomo02

Esta experiência é o resultado de um trabalho conjunto realizado ao longo de vários meses entre as equipas do Grupo PSA e da VINCI Autoroutes, sendo parte de um mais amplo programa de conectividade dos veículos autónomos com as infraestruturas, para se atingir uma unidade autónoma completa (de autonomia de Nível 4). Para tal, há que trabalhar os seguintes tópicos:

  • Uma paragem segura, que consiste na pré-definição de soluções que orientem automaticamente o veículo numa área de estacionamento.
  • A qualificação das circulações inerentes ao modo autónomo e a sua comunicação em tempo real para o veículo. Este tópico é particularmente importante para que o veículo autónomo se possa mover firmemente num determinado trajeto, incorporando possíveis eventos relacionados com o trânsito (engarrafamentos, acidentes, etc).
Share

Copyright © 2012 LusoSaber - Todos os direitos reservados.