Land Rover Discovery TD6 HDSE - ao gosto da Maria!

Land Rover Discovery TD6 HDSE - ao gosto da Maria!

O preço acima dos 100 mil euros coloca este modelo em desvantagem perante outros concorrentes mas os dotes aventureiros são ímpares

170807-Discovery-001“Oh pai, tens mesmo que ir entregar este carro? É que gostei tanto dele... podíamos ficar com ele mais algum tempo! Pedes aos senhores para ficarmos com ele?" — a pergunta foi-me feita pela Maria que, aos oito anos, acabara de escolher no novo Land Rover Discovery um dos seus automóveis de eleição depois de alguns dias durante os quais este modelo foi testado para o LusoMotores.

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O agrado por este novo Discovery por parte de um adulto até seria normal mas porque essa manifestação veio de uma criança levou à questão inevitável no sentido de sabermos o que teria impressionado mais a Maria e a resposta, embora ingénua, apontou algumas características deste Land Rover: “Então, pudemos ir os quatro passear com os avós, todos só num carro, a viagem foi super confortável, eu até pude dormir e os lugares da última fila têm imenso espaço!”

Os argumentos apontados pela Maria para dar conta da sua preferência por este novo Land Rover Discovery são afinal apenas alguns dos detalhes que saltam à vista na utilização deste automóvel. Para além da facilidade em dispor dos sete lugares efectivos permitidos no habitáculo do Discovery, nomeadamente da terceira fila de bancos escamoteáveis a partir do piso plano da bagageira, numa acção rápida accionada por comandos eléctricos, com esses lugares a permitirem o transporte não apenas de crianças como a Maria mas também adultos de estatura média, o Discovery mostrou-se sempre confortável para os passageiros independentemente do lugar em que se viajou, mas também para o condutor, que facilmente pôde encontrar a melhor posição de condução com boa visibilidade para o exterior com a percepção fácil da volumetria deste modelo de grandes dimensões.

Com efeito, apesar de estarmos perante um “bicho” com quase cinco metros de comprimento — comprimento/largura/altura - 4970/1846/2073 milimetros —, a verdade é que a distância entre eixos 2923 mm permite um habitáculo com espaço para quase tudo, onde até perante a utilização da terceira fila de bancos o espaço continua a ser abundante. Os 2223 quilos de peso não complicam em nada a sua maneabilidade, e para ajudar ao sentido prático encontramos uma capacidade da bagageira de 258 litros na configuração de sete lugares, valor que sobe para os 1137 litros se utilizados apenas cinco lugares, e que pode ir mesmo até aos 2406 litros se a bordo viajarem apenas condutor e pendura na fila da frente.

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O depósito de combustível, com uma capacidade de 85 litros, permite uma interessante autonomia se pensarmos que a marca fala em consumos de 6,5/8,3/7,2 litros a cada 100 quilómetros conforme estejamos perante circuitos de estrada, cidade ou misto. Na viagem a que a Maria se referia no início desta crónica, entre Lisboa e Fátima, terminámos com um consumo de 8,7 litros a cada cem quilómetros.

A contribuir para todas estas boas prestações, a utilização por parte do construtor de uma plataforma em que se destaca uma grande utilização de alumínio, garantindo com isto um peso mais reduzido, vem permitir os consumos abaixo do que se poderia supor, bem como prestações dinâmicas realmente interessantes, como a capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h em 8,1 segundos, uma marca notável para um veículo com mais de duas toneladas, e uma velocidade máxima de 209 km/h, tudo à conta da potência mécima de 258 cv às 3750 rpm e um binário máximo de 600 Nm entre as 1750 e as 2250 rpm.

Se olharmos para os recursos tecnológicos, encontramos a bordo deste Land Rover Discovery TD6 HDSE todos os apoios à condução do mais evoluído tecnicamente actualmente em uso na indústria automóvel para um qualquer veículo ligeiro de passageiros, ao que podemos somar ainda os recursos desenvolvidos para modelos SUV de elevadas prestações.

Itens de equipamento como o sistema de assistente de descida, capaz de ”segurar” o automóvel num declive mais íngreme, passando o condutor apenas a mero supervisor, ou a presença de diferentes modos de condução, que adaptam o Discovery para enfrentear situações de neve, chuva ou piso mais rochoso, resultam no conjunto em um automóvel capaz de enfrentar situações mais radicais em off-road mantendo todo o conforto fruto da utilização de um completo pacote de equipamento tecnológico.

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A opção pelo modo automático permite que o automóvel “perceba” por si mesmo o piso em que se encontra, sem que o condutor tenha de intervir ou tomar decisões mais complicadas perante situações desafiadoras. Já a caixa automática de oito relações revelou-se ao longo do nosso ensaio sempre adequada às necessidades, estando disponível para uma condução mais desportiva os selectores para mudanças sequenciais no volante através dos quais é possível gerir o comportamento do carro para uma melhor percepção daquilo que o motor V6 de injeção direta, turbo diesel e com uma cilindrada de 2993 cc, é realmente capaz.

É claro que não há bela sem senão, e num carro que facilmente convenceu a Maria, encontrámos alguns detalhes que, não sendo negativos, serão, no mínimo, menos positivos. Entre estes apontamos a entrada para terceira fila de bancos, em que o espaço até é aceitável mas que obriga a alguma ginástica para o acesso, principalmente se ali quiser viajar um adulto de estatura média. Para tal, o ideal será baixar todos os bancos do meio para que as pessoas entrem no carro, mas se por acaso tem 1m80 o melhor mesmo será trocar com alguém mais baixo que não se importe de ir mais à retaguarda.

Já agora, outra nota relativa a um detalhe em que se exigia mais tem a ver com a insonorização do habitáculo. É que, se os vidros principais deste modelo, nomeadamente o párabrisas e o vidro traseiro, têm características particulares relativa à insonorização, isso já não acontece com os vidros laterais, claramente menos complexos (e menos completos), e por via disso menos capazes no capítulo da insonorização, sendo o "ponto fraco" porventura a corrigir em próximas edições deste modelo.

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FICHA TÉCNICA

Land Rover Discovery TD6 HSE

MOTOR
Motor V6, injeção direta, turbo diesel;
Cilindrada - 2993 cc;
Potência máxima - 258/3750 (cv/rpm);
Binário máximo - 600/1750 - 2250 (Nm/rpm);

TRANSMISSÃO E TRACÇÃO
Tração integral;
Caixa automática de 8 velocidades;

DIMENSÕES E PESOS
Comprimento/largura/altura - 4970/1846/2073 milímetros;
Distância entre eixos - 2923 milímetros;
Largura de vias (fr/tr) - 1692/1686 milímetros;
Peso - 2223 kg;
Bagageira - 258 litros (7 lugares); 1137 litros (5 lugares); 2406 litros (2 lugares);

PRESTAÇÕES
Aceleração 0-100 km/h - 8,1 segundos;
Velocidade máxima - 209 km/h;

CONSUMOS
Extra-urbano/urbano/misto - 6,5/8,3/7,2 (l/100 km)
Emissões de CO2 - 189 (g/km);

PREÇO
Unidade ensaiada - 100.628 Euros

Certo é que os poucos pontos que encontrámos passíveis de serem criticados, facilmente foram esquecidos quando carregámos no start, accionando o motor e iniciando a marcha, num automóvel com um comportamente irrepreensível nos diferentes modos de condução.

A seca extrema que o país atravessa não nos permitiu cumprir algumas ideias que tivemos inicialmente nos percursos a realizar nos dias em que tivemos este Discovery ao nosso dispor, pelo que teremos que acreditar no construtor segundo o qual é possível atravessarmos qualquer ribeiro a vau desde que a profundidade dentro de água não ultrapasse os 90 centrímetros.

Para garantir a capacidade de aquisição de todo este conjunto precisamos de mais de pouco mais de uma centena de milhar de euros, mais concretamente 100.628 euros, um valor que coloca o preço deste modelo Land Rover acima do que é necessário para a aquisição de um Porsche Cayenne Diesel 3.0 TDI 262 CV com um preço ligeiramente abaixo da fasquia dos 100 mil euros, ou de outros concorrentes com preços ainda mais baratos como o Audi Q7 3.0 TDI 272 CV (91.276 euros), também o Mercedes GLE 350d 258 CV (90.287 euros), ou o BMW X5 30d 258 CV (89.811 euros), havendo ainda a considerar o Volvo XC90 D5 R Design 225 CV (84.464 euros), este último o mais barato dos concorrentes. Todos colocados lado a lado, porventura será o Land Rover aquele que terá uma imagem de maior capacidade aventureira, mas será que isso justifica no momento da compra a disponibilidade de mais alguns milhares de euros!?

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Em resumo, a nossa incapacidade em ter pouco mais de 100 mil euros disponíveis impediu-nos de satisfazer o desejo da Maria, e porque “os senhores da marca” precisavam do carro para outros ensaios nem sequer pudemos ficar com o Land Rover Discovery TD6 HDSE mais uns dias. Apesar disso, é claro que ficou também em nós o desejo de poder dispor deste modelo mais algum tempo e se um dia isso for possível trataremos de o trazer de novo até vós.

Luxuoso, muito bem equipado e com um comportamente dinâmico de elevada qualidade, justifica claramente um veredicto positivo e tem tudo para manter os níveis de aceitação da marca bem lá no alto, visíveis afinal para quem conduz bem acima dos demais, numa posição elevada em sintonia com a nota elevada merecida por este novo Discovery. Se tem os já referidos 100 mil euros disponíveis e quer um aventureiro de status e qualidade elevados coloque este Land Rover na sua shortlist e avance para um testdrive em que possa tirar todas as dúvidas. Nós, para o LusoMotores, vamos tentar novo ensaio para esclarecer uma outra interrogação e, no entretanto, esperar que a sorte nos bata à porta e, quem sabe, possa sair o Euromilhões. Afinal, anda por aí um jackpot de 190 milhões!

texto: Jorge Reis
fotos: ©LusoSaber e ©JaguarLandRover 

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