Carlos Sousa de regresso ao Dakar em Duster

Carlos Sousa de regresso ao Dakar em Duster

Ao volante de um Dacia Duster, na América do Sul com a insígnia da Renault, o “Senhor Dakar” português volta ao mais duro rally do Mundo

CarlosSousa2017-001Aos 51 anos e após paragem de quase dois anos, o piloto português Carlos Sousa vai regressar ao Dakar, a mítica prova que continua a ser apontada como o mais duro rally do Mundo . Para aquela que será a 17ª participação na prova que conheceu no norte de África e na qual prosseguiu com a mudança para o continente sul-americano, Carlos Sousa irá estar ao volante de um Dacia Duster, modelo que na América do Sul transporta a insígnia da Renault e que sempre foi uma máquina que provocou alguma curiosidade ao piloto de Almada, ele que em edições anteriores da mítica prova de todo-o-terreno confessou ter-se interrogado várias vezes “sobre aquela máquina” que andava sempre encostada a si na classificação geral.

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Depois do abandono que protagonizou da edição do Dakar de 2016, devido a um acidente com o Mitsubishi que conduzia na quinta etapa da prova, Carlos Sousa manteve-se afastado das provas de automobilismo, motivo pelo qual foi com surpresa que recebeu o “inesperado” convite da Renault Sport Argentina para poder regressar agora na edição que irá arrancar a 6 de Janeiro. No início confessa que teve algumas dúvidas sobre avançar para a prova, dizendo mesmo que não pensava voltar a correr "numa equipa com aspirações no Dakar", assumindo algum nervosismo com este regresso ao Dakar no qual vai querer tirar partido de toda a experiência acumulada e atingir um lugar no 'top-10'.

Curiosamente, e ao contrário do que o próprio piloto pensava inicialmente, ninguém entre aqueles que com ele partilham o dia-a-dia tentaram segurar a vontade que, no fundo, também ele tinha em regressar ao Dakar: "Ninguém à minha volta me disse para não ir. Nem os meus filhos, amigos ou familiares. Eu estava a ver se aparecia alguém próximo de mim que me dissesse 'o que vais lá fazer, não te metas nisso, não estás preparado, vais levar uma aviadela'. Mas ninguém me travou. Eu era o único que estava na dúvida!"

Quanto a objectivos... "Como estou parado há dois anos, as pessoas não me vão crucificar na primeira duna. Estou nervoso, um pouco apreensivo e ansioso com o que vou encontrar, mas já estou habituado à pressão. Vou dar o meu melhor, mas, se não conseguir, não consigo. Estou quase como no primeiro Dakar em que participei."

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Em termos de objectivos, um lugar nos 10 primeiros será a cereja no topo do bolo, não sendo razoável pedir mais do que isso para uma prova em que, desde logo à partida surgem quatro Peugeot oficiais, quatro Mini e outros tantos Toyota oficiais, encontrando-se desde logo 12 candidatos à vitória que tornarão bem difícil qualquer intromissão nos lugares do “top-ten”.

"Vamos querer estar nos 10 primeiros, estar entre as grandes estruturas e que a Renault também se motive para outros voos, para ter mais carros e ter mais força no Dakar", afirmou, antecipando uma "prova muito competitiva, com 50% de areia e com uma navegação difícil".

Garantindo continuar a sentir o mesmo fascínio pelo Dakar sentido há duas décadas quando começou a participar no mais duro rally do mundo, Carlos Sousa não deixou de destacar o facto de merecer ainda hoje convites de estruturas internacionais, facto que não o faz de modo nenhum pensar num hipotético final de carreira. "Enquanto houver bons convites e eu gostar das equipas, eu vou. Continuo a sentir o mesmo fascínio de há 20 anos. Ou melhor, é diferente. Naquela altura não dormia. Agora já durmo e só quero saber que as coisas vão correr bem e que o carro não vai ter problemas", disse.

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Carlos Sousa, que em termos profissionais está desde há modos ligados à náutica de recreio pelo comércio de barcos, assume a vontade de um dia poder integrar uma equipa da igualmente mítica regata Volvo Ocean Race, mas para já o grande desafio volta a ser o Dakar, aos comandos de um Duster e com o francês Pascal Maimon como navegador, ele que logo que soube do convite a Carlos Sousa entrou em contacto com o piloto de Almada procurando garantir uma dupla “prometida” há muitos anos.

“Há vários anos que nos conhecemos, com algumas lutas em pista, mas com uma amizade que se foi cimentando. Meio a brincar íamos dizendo que, um dia, iríamos correr juntos. E assim que o meu nome surgiu na lista de inscritos provisória, o Pascal ligou logo a perguntar se era desta que íamos fazer dupla. O acordo ficou estabelecido no momento! É uma das referências da modalidade na arte da navegação. O seu palmarés — em 2002, cometeu a proeza de vencer o Dakar, ao lado do japonês Hiroshi Masuoka — diz tudo sobre a sua experiência e competência. Também é um especialista em mecânica, pelo que a escolha não podia ser mais certa.”

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Quanto à equipa da Renault Sport Argentina, irá inscrever pelo sexto ano consecutivo dois Duster no Dakar, equipados com um motor V8 dotado de 390 cavalos de potência e com a ambição de serem uma das surpresas da prova, beneficiando da experiência e da rapidez dos dois pilotos da equipa: o português Carlos Sousa e o argentino Emiliano Spataro.

Os dois pilotos terão já a primeira oportunidade de testar as suas máquinas nos primeiros dias de Dezembro em primeiro um teste de preparação a realizar em uma zona de deserto na Argentina, algo que o piloto português aponta como “uma sessão particularmente importante”. “Vou rodar pela primeira vez com o Duster e irei querer recuperar o ritmo perdido em dois anos de ausência de competições.”

O rali Dakar 2018, em termos efectivos, disputa-se entre 6 e 20 de Janeiro de 2018, com passagens por três país sul-americanos, nomeadamente Peru, Bolívia e Argentina.

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