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| 05-Fev-2010 | ||
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“Eu entrei para a Vitaphone Racing em 2007, pelo que só participei activamente nos três últimos títulos, de qualquer forma e como parte integrante da equipa, sinto bem a forma de estar e pelo que conheço, posso confirmar que o primeiro foi o culminar de um ano em que as coisas foram correndo bem e ainda que não o esperassem no início, a vitória aconteceu. O segundo em 2006, foi mais difícil pois a concorrência estava muito mais atenta. Em 2007 e quando entrei, ainda mais difícil foi, pois toda a gente nos queria impedir de alcançar o tri. O quarto era quase impossível de se equacionar no início da época, mas o ano correu a nosso favor. Este último em 2009 e depois de tantos contratempos ao longo da época, foi simplesmente fantástico”, comentou o piloto.
No entanto, o corredor português tem noção de que o quinto título consecutivo da equipa foi muito difícil: “Foi muito duro mesmo, ainda por cima quando no início do ano se dizia que a concorrência não estava muito forte. Mas um conjunto de azares e estranhas ocorrências durante a época, provocaram-nos imensas dificuldades que nunca aconteceram em anos anteriores. Questionado sobre se este quinto título representaria a estabilidade da equipa, Miguel Ramos explicou: “Dizem que quando se ganha um título, pode ter havido um conjunto de circunstâncias que fizeram com que isso acontecesse, mas cinco campeonatos de seguida não é muito normal. Isto só é possível com estabilidade e uma forte organização. Claro que devemos ser realistas e ainda que em 2009 tivéssemos uma ou outra corrida em que nós não tínhamos muita oposição e por isso éramos quase obrigados a ganhar, nos anos anteriores, não. Foram anos em que não nos podíamos dar ao luxo de perder um único ponto”.
“Particularmente em 2009, nas oito corridas fui quatro vezes ao podium e entre outros azares que não nos permitiram melhor, a corrida de SPA ficará para sempre gravada na minha memória, pois liderávamos a prova e tínhamos tudo a nosso favor quando a jante se partiu. Nunca vi na minha carreira nada assim do género acontecer, pelo que acentuo esse como o ponto “irónico” da época, até porque ganhar as 24h de SPA esteve perfeitamente ao nosso alcance e nessa prova em particular estava com a companhia do Pedro Lamy que muito aprecio. Inquirido sobre porque as coisas teriam decorrido dessa forma, Miguel Ramos justificou: “Talvez o facto da introdução dos “pneus comerciais” tenha sido um factor decisivo. Logo nos testes de Inverno apercebemo-nos que o Maserati trabalhava muito bem com os novos pneus. Durante a época e ainda que todos tivessem a mesma escolha, acho que o nosso carro esteve sempre muito bem equilibrado”.
Apesar de a Vitaphone Racing Team ter mais vitórias no campeonato do que qualquer outra equipa, o piloto lusitano não acredita na invencibilidade: “Imbatível não é, até porque as regras do campeonato e as penalizações com lastro, provocam um grande equilíbrio. O que se vive é um grande ambiente e vontade de vencer em todos que fazemos parte da Vitaphone. Para além disso posso mesmo dizer que existe amizade entre os vários elementos, o que é algo raro de encontrar no desporto motorizado. Para exemplificar a camaradagem e o espírito existentes na equipa, Miguel Ramos relatou uma situação que aconteceu com o carro número um em SPA, após um acidente: “Normalmente e visto os danos sofridos, a decisão da equipa seria abdicar da corrida e desistir. E mesmo quando a direcção da equipa estava prestes a dar a ordem de terminar o trabalho no carro e os pilotos resignados a tirar o fato, eis que da parte técnica surge a decisão de tentar a recuperação. Nesse momento o carro número 33 entra na box também acidentado, ficando apenas o meu (número dois) em pista. Todos os mecânicos dos três carros redistribuíram tarefas, ajudaram-se mutuamente e quando o nosso precisava de reabastecer e trocar de pneus, eles lá estavam rapidamente na operação e logo voltavam à recuperação dos outros dois carros. Esta é umas das grandes forças da Vitaphone”. “É esse sentimento que se vive na Vitaphone. Claro que não somos sempre perfeitos e por isso existe sempre possibilidade de melhorar. Mas com o exemplo que apresentei acho que fica bem demonstrado o espírito e máxima da equipa que é não sermos individualistas, mas sim trabalhar em grupo”, acrescentou, ainda em relação ao trabalho de equipa. Relativamente a 2010, Miguel Ramos foi questionado sobre se continuará na Vitaphone e no FIA GT ou fará protótipos na LMS, não tendo dado ainda uma resposta definitiva: “Nesta altura ainda não tenho definido o que vou fazer na próxima época. Em 2009 fui convidado pela Aston Martin Racing para fazer parte da equipa como piloto oficial no LMS. Um calendário com apenas cinco provas mas no qual a regularidade é um factor primordial. Ainda que tivesse como principal resultado um pódio na Alemanha, sinto-me satisfeito por ter sido peça fundamental da equipa na obtenção dos títulos de marcas e de construtores. Neste defeso tive convites de algumas formações do Campeonato do Mundo FIA GT e também da LMS para continuar tanto num ou noutro campeonato, pelo que de momento ainda é prematuro anunciar seja o que for, pois nem eu sei. O meu gosto particular pelos protótipos é conhecido, mas nesta altura tudo está em aberto, pois posso continuar em qualquer um dos campeonatos, ou até mesmo nos dois”.
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