Quando, em 1965, nasceu a Auto Duque, na rua Duque de Saldanha, na freguesia do Bonfim (Porto), o seu fundador estaria longe de pensar no rumo que o seu filho, Artur Teixeira, lhe viria a dar meio século depois. Hoje, a Auto Duque é “apenas” a origem de um grupo de oito oficinas, no Grande Porto mas também na Grande Lisboa, em que a qualidade no serviço determina o dia a dia...

Aos 45 anos, Artur Teixeira prossegue um caminho iniciado em 1965 quando o seu pai fundou a Auto Duque, oficina de reparação automóvel inicialmente com uma atenção particular aos modelos da Mercedes que, com o passar dos anos, ganhou dimensão e abertura para o mercado multimarcas. Para além da manutenção automóvel, esta empresa que foi crescendo gradualmente, possui hoje em dia oito oficinas de manutenção, sendo que três delas possuem igualmente de centro de colisão, no Porto mas também em Lisboa, com um total de 120 colaboradores.

A Auto Duque, hoje em dia ainda “partilhada” por Artur Teixeira com os seus sócios Armando Torres e José Carlos Santos, surge assim localizada na rua Duque de Saldanha, no Bonfim, a qual permitiu a denominação da empresa e que, posteriormente, deu lugar à Yes Car.

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Sobre o crescimento da empresa, Artur Teixeira não hesita em apontar as parcerias como as grandes “culpadas” desse desenvolvimento: “No rebentar da crise, há cerca de uma década, tínhamos já algumas ligações com as gestoras de frotas, como a Leaseplan, ALD, Arval, Finlog, ou outras que já encerraram ou foram absorvidas pelas principais empresas dessa área. Aí, apercebi-me da oportunidade de negócio que passava pela manutenção das viaturas destas gestoras de frotas, que naquela época só abriam essa área às oficinas de marca mas que, pela necessidade de reduzir custos, tinham que cortar gorduras nas suas operações.Surgiu então a oportunidade de fazer crescer a minha empresa sempre alicerçada nas melhores parcerias.”

Começaram a ser realizadas operações de abertura de motores e caixas de velocidades no Porto, algumas viaturas eram mesmo deslocalizadas a partir da zona da Grande Lisboa para o Grande Porto para ali serem intervencionadas, e daí até à possibilidade de Artur Teixeira alargar a sua actividade para sul foi um instante. Com os clientes “garantidos” e o negócio bem calculado e estruturado, nasceram assim novas unidades desta empresa agora em Lisboa mas também na sua área envolvente.

O primeiro estabelecimento desta empresa a sul, o terceiro depois das oficinas no Bonfim e na Boavista, permitiu então a AZT Motor, no Prior Velho, desdobrado também aqui em dois pólos, um de reparação e manutenção e um centro de colisão. Surgiu posteriormente o centro Saldanha Car no centro de Lisboa, a Yes Car na Maia e mais tarde em Matosinhos, e ainda a Yes Car também em Sintra e em Cascais. A Auto Duque permitia assim o grupo de empresas Yes Car com um total de oito unidades, encontrando-se agora num processo de “rebranding” para que se possa comunicar a Yes Car no seu conjunto.

“Até por uma questão de notoriedade de marca é mais fácil comunicar a Yes Car do que um total de oito empresas, e sempre de uma forma positiva como o próprio nome indica”, explica Artur Teixeira, sem dúvida orgulhoso do trajecto que aquele que é hoje o seu grupo de empresas tem concretizado: “Se repararmos, a crise começou em 2008, em Portugal com muita força em 2010, e, apesar disso, nos últimos dez anos conseguimos transformar a empresa de uma só entidade capaz de faturar 300 mil euros por ano para um grupo de fatura nove milhões. A partir de uma oficina existem hoje oito empresas concentradas neste grupo Yes Car.”

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“O cliente procura qualidade de serviço e confiança!”

Questionado sobre o que os seus clientes procuram, Artur Teixeira reconhece que o preço é importante, mas está longe de ser determinante: “Aquilo que o cliente procura mesmo, mais do que o preço, é a confiança. A qualidade de serviço e a confiança é realmente o que o cliente mais procura, relegando o preço para um quarto lugar de uma tabela de importância. Factores como a confiança, qualidade e inovação estão no topo dos valores que os clientes procuram.”

A propósito dos clientes destas unidades oficinais que apostaram desde muito cedo no caminho da reparação, nomeadamente de motores e caixas de velocidades, quisemos saber se o cliente é maioritariamente particular ou se, em face das parcerias com entidades como gestoras de frotas e outras empresas, estes estariam a relegar os particulares para segundo plano.

“Nas nossas presenças junto dos centros das cidades o cliente particular ainda ganha uma importância fulcral, sendo esse cliente que surge como o motor daqueles espaços. Já nas unidades localizadas em zonas industriais, a parte corporativa assume um peso maior.”

Algumas empresas na área das gestoras de frotas, conscientes de que a actividade da Auto Duque poderia permitir redução de custos ainda maiores se esta entidade estivesse também localizada na região da Grande Lisboa propuseram a Artur Teixeiraa criação de unidades da sua empresa também a sul, uma ideia que ganhou contornos reais face à possibilidade do nosso interlocutor ter um “breakeven” facilitado por se encontrar apoiado em parcerias que permitiram a expansão da Auto Duque para o actual grupo Yes Car.

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“Falta ao sector mão de obra qualificada!”

Olhando para o futuro, com a chegada dos carros eléctricos e outras tecnologias, é importante olhar em frente e adquirir conhecimento e o nosso interlocutor reconhece isso mesmo: “Num momento algo indeciso sobre o que pode ser o futuro do automóvel, a aposta nas baterias eléctricas poderá não ser a solução final, visto que a pegada ecológica que uma bateria pode deixar é ainda significativa, o que me leva a crer que ainda temos muitos anos em que os combustíveis fósseis – gasolina e diesel – continuarão a ser determinantes, mas há que estar atento às tendências. Aliás, todas as minhas oficinas já estão preparadas com técnicos qualificados, formados junto da Bosch e preparados para qualquer situação que possa surgir com veículos híbridos ou eléctricos, sendo as novas tecnologias uma oportunidade.”

Artur Teixeira identifica todavia um problema de base no sector oficinal: “Actualmente, o grande problema do nosso sector não é tanto a captação de novos clientes mas antes a capacidade de termos mão de obra qualificada. Aliás, hoje somos nós que damos formação porque não existem mecatrónicos, bate-chapas nem pintores. Estamos a identificar aqui um problema muito sério e temos que ser nós a formar a mão de obra necessária, apostando em jovens e na sua formação.”

“Sobre este tema, penso que não existe informação suficiente, até porque qualquer técnico qualificado ganha acima da média de qualquer outra actividade. Por outro lado, também são poucos os locais que permitam essa mesma formação qualificada. Temos o CEPRA, a ATEC, a escola alemã (Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã), mas é francamente pouca a oferta para a necessidade do sector nas milhares de oficinas que existem no país. Está aqui um problema que deveria ter maior atenção por parte das associações que existem nesta área pois é uma questão que carece de uma solução que não se vislumbra”, acrescenta Artur Teixeira que dá conta de uma consequência: “Há oficinas que abrem sem mão de obra qualificada. Aliás, algumas redes oficinais estão no mercado com técnicos a ganhar 600 ou 650 euros, um valor que deixa claro desde logo que não estamos a falar de mão de obra qualificada.”

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Bosch Car Service... credibilidade e conhecimento

O grupo Yes Car, actualmente formado por oito centros, comporta já 120 funcionários, com seis das oito unidades ligadas à Bosch Car Service, uma parceria que surgiu há nove anos, da necessidade de estar ligada a uma rede não só pela imagem corporativa que permite, mas principalmente por via da formação que a Bosch proporciona e à credibilidade que esta marca possui: “Quer queiramos quer não, estamos a falar da maior fabricante de peças e tecnologia automóvel. Está na vanguarda de tudo e não haverá certamente um automóvel a rodar nas nossas estradas que de algum modo não possua uma peça ou mesmo tecnologia derivada da Bosch.”

Olhando para o mercado, Artur Teixeira não hesita em afirmar que em termos fiscais paga demais para os benefícios permitidos pelo Estado, e identifica mais alguns problemas num mercado em que diz haver pouca fiscalização, não tanto nas oficinas de vão de escada, que o próprio mercado se encarrega de “limpar” e eliminar, mas nomeadamente na forma como é possível hoje em dia adquirir determinados produtos em áreas comerciais genéricas e grandes superfícies. Óleos de motor, baterias, pneus, peças e substâncias que em circunstâncias normais obrigam a um valor muito grande a pagar devido aos resíduos que provocam, são vendidas sem que sejam acautelados os cuidados necessários à pegada ecológica que podem provocar.

“O consumidor final não possui as estações de hidrocarbonetos para limpar as águas, acabam muitas vezes por deitar os óleos para a rua, não pagam os eco-valores, e isso provoca um desequilíbrio que não é justo para as empresas que são obrigadas a fazer esses pagamentos e a ter essas atenções”, acrescenta Artur Teixeira dando conta da prática no grupo Yes Car: “Nós ligamos realmente ao ambiente, levamos muito a sério a questão da pegada ecológica e nunca achámos correcto avançar para a comercialização de produtos ao cliente final sabendo que ele não vai ter as atenções necessárias a pneus usados ou a uma bateria, que acaba por lançar simplesmente para o lixo. Nós levamos muito a sério o tratamento de resíduos.”

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A capacidade das oficinas multimarca passarem a poder realizar reparações sem que os automóveis perdessem as garantias de fábricafoi outra das grandes conquistas deste sector, como confirma o líder deste grupo Yes Car: “Foi uma grande conquista. Resultou de uma lei feita por Romano Prodi, antigo primeiro-ministro italiano que foi também Comissário Europeu para a Concorrência, e veio permitir um espaço de oportunidade. Nós temos um software que determina as acções necessárias nas manutenções preventivas, sabemos as peças que podemos utilizar, e de modo nenhum o cliente perde a garantiado seu automóvel ao recorrer aos nossos serviços.”

A derradeira questão a Artur Teixeira, em redor do futuro da Auto Duque, resulta afinal sobre o futuro da Yes Car: “O futuro passa por consolidar a marca, continuar a ser uma empresa com contas muito sólidas, manter a qualificação de PME Líder, PME Excelência, e continuar a abrir unidades em locais estratégicos, capitais de distrito. Para além disso, gostava de assistir aos cem anos da empresa. O meu pai, que faleceu há dois anos com 90 anos de idade, ainda assistiu aos 50 anos da empresa, e eu gostaria de poder assistir aos cem anos! Era um sonho!”

texto: Jorge Reis
em Revista ANECRA

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