Muito evoluiu o carro que Carlos Ghosn, o dirigente do Grupo Renault Nissan então com muito menos problemas do que hoje, apresentou, sozinho, em Londres como a revolução do futuro, recebendo tímidos aplausos e alguns esgares de desconfiança. A nova geração do Leaf é a epítome da evolução da mobilidade eléctrica.

FICHA TÉCNICA

NISSAN LEAF

Potência | 150 CV

Autonomia | 378 km

Preços | a partir de €34.400

Quando alguns ainda não saíram dos blocos de partida, a Nissan já vai na segunda geração do Leaf, continuando a dominar o mercado da mobilidade eléctrica. Que repetirá, não tenho dúvida nenhuma, o sucesso do primeiro que conquistou uma horda de fiéis adeptos que não querem outro carro. Percebe-se porquê: baixos custos de utilização, possibilidade de carregar em qualquer lado, fiabilidade a toda a prova e praticabilidade. Juntava, ainda, amplo espaço interior e uma boa bagageira. 

Porém, não era um carro desprovido de fraquezas: a autonomia era curta, as performances igualmente curtas e um estilo que, francamente, parecia uma mistura entre uma nave espacial e um acidente cósmico. Apesar de já oferecer algumas modernas propostas de conectividade, o Leaf estava a ficar para trás.

Chegada a hora da segunda geração, a Nissan prometeu um carro mais rápido, com mais autonomia, estilo mais consensual e mais electrónica embarcada. Não mexendo no motor eléctrico, a Nissan instalou um novo inversor (o aparelho que controla a eletricidade que flui pelo carro) mais potente e as baterias, embora com o mesmo tamanho que as anteriores, têm maior capacidade, 40 kWh. Ora, com estas características e um motor a debitar 150 CV, a aceleração 0-100 km/h baixou para os 7,9 segundos e a autonomia, já segundo a norma WLTP, ronda os 270 quilómetros, embora no ciclo NEDC aquela seja superior a 370 km.

NissanLeaf 001

A nova geração do Leaf está, realmente, mais rápida continuando silencioso e o processo de regeneração de energia continua a ser menos incisivo do que o esperado, pois numa subida de mil metros pode perder até 16% da bateria, nas descidas será uma sorte recuperar cerca de 10%. 

Com o “e-Pedal” as coisas são diferentes. O sistema é simples e funciona com forte capacidade regenerativa, permitindo que seja possível conduzir sem tocar no pedal de travão. Pode parecer estranho, mas rapidamente apreendemos o funcionamento do sistema e começamos a antecipar as situações e a conseguir evitar tocar no pedal de travão. O sistema “e-Pedal” decide quando deve ligar as luzes de travão para avisar os outros condutores da forte redução de andamento e dá, sempre, prioridade à recuperação de energia. Quando a bateria está cheia, escolhe acionar os travões e assim recupera menos energia. O condutor só terá de carregar no pedal do travão em situações acima de 0,2 G.

Se gosta de motores, de performance e de adrenalina ao volante, terá de procurar em outro lado. Porém, é um carro que acerta em cheio nas capacidades de utilização, agradabilidade e acessibilidade.

texto: José Manuel Costa
(Consilcar Magazine #03)

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