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A 6ª edição do Fórum Nissan para a Mobilidade Inteligente, no passado dia 11 de Maio no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, demonstrou de forma inequívoca a importância da discussão sobre a mobilidade do presente e do futuro, e do imprescindível caminho para a descarbonização. Nos três painéis subordinados aos temas Condução Inteligente, Energia Inteligente e Integração Inteligente participaram 14 oradores, nacionais e estrangeiros, das mais variadas áreas de atividade desde o setor automóvel à produção e distribuição de energia, tecnologias de informação, mobilidade multimodal e até mesmo da atividade seguradora.

A Nissan reafirmou o seu compromisso com uma mobilidade cada vez mais sustentável quer através de um ambicioso calendário de eletrificação da gama quer através da adoção de medidas destinadas a reduzir de forma significativa a sua pegada de carbono na atividade industrial. Sustentabilidade e descarbonização foram assim temas presentes por força de serem palavras que, de forma persistente, fazem parte do nosso léxico da última década. No setor automóvel estes conceitos assumem ainda maior importância pelo facto de a mobilidade ser um dos maiores “contribuintes” para as emissões poluentes, nomeadamente de CO2, que estão associadas ao aquecimento global e à emergência climática. Mas o desígnio de uma mobilidade mais sustentável e descarbonizada não será possível sem uma ambiciosa transição energética global, que nos liberte da dependência dos combustíveis fósseis.

O debate sobre a forma e a velocidade dessa transição energética foi um dos pontos fortes desta 6ª edição do Fórum Nissan para a Mobilidade Inteligente. Consciente do seu papel como ator da mudança do paradigma da mobilidade a Nissan Portugal apresentou, pela voz de Antonio Melica, o seu diretor-geral, o plano do fabricante para a implementação de uma mobilidade completamente descarbonizada, mas não só.

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Ousar fazer aquilo que nunca ninguém fez

A Nissan assume como sua a filosofia do conceito japonês Kabuku que se pode traduzir como o desafio do status quo, e de ousar fazer aquilo que nunca ninguém fez. Foi exatamente a aplicação deste conceito que esteve na origem do pioneirismo da Nissan na introdução da mobilidade elétrica a nível mundial e nos anúncios feitos neste fórum:

- Um ambicioso plano de eletrificação da sua gama. Já em 2023 toda a gama de modelos estará eletrificada;

- Um compromisso com a redução dos custos associados à atual geração de baterias para automóveis elétricos e do desenvolvimento e introdução no mercado, num horizonte de 6 anos, de uma completamente nova geração de baterias de estado sólido para automóveis elétricos, com uma duplicação da densidade energética face às atuais baterias de ião-lítio e com tempos de carregamento que dividem por três os atuais;

- O anúncio da construção de uma gigafactory (fábrica de baterias) na Europa;

Um plano de investimentos em fontes de produção renováveis que levará a que no curto prazo as fábricas de Sunderland e a gigafactory serão totalmente alimentadas por eletricidade proveniente de fontes renováveis.

Em jeito de conclusão ao anúncio feito Antonio Melica declarou: “O nosso investimento na eletrificação da gama já atingiu os 7,8 mil milhões de euros, mas nos próximos cinco anos vamos duplicar este valor e prevemos atingir os 15,6 mil milhões. Este plano faz parte do nosso compromisso de atingir até 2050 a completa neutralidade carbónica da nossa atividade global.”

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Descarbonização e sustentabilidade

Se é verdade que descarbonização e sustentabilidade fazem parte do nosso léxico quotidiano desde há vários anos, porque é que este tema ainda permanece tanto na ordem do dia e a sua discussão é mais premente que nunca?

Talvez a melhor ilustração da problemática seja a que foi dada por António Coutinho, presidente da EDP Inovação, na sua intervenção sobre “Os Desafios da Transição Energética”. Perante a pergunta “o que é que vos aconteceria pessoalmente se amanhã deixasse de haver petróleo?” a resposta mais comum talvez fosse “eu deixaria de andar de carro!”. Mas a verdadeira resposta é “morreríamos todos à fome!”

“A realidade atual é que nosso mundo gira em torno do petróleo e sem o petróleo seríamos incapazes, por exemplo, de produzir e transportar os alimentos para a população mundial”, afirmou António Coutinho.

Por outro lado, sabemos que a atual trajetória de aquecimento global é insustentável, sob o risco de ultrapassarmos o limite de aumento da temperatura de 2º que é o limiar a partir do qual é impossível ter a certeza de todas as consequências para a nossa forma de viver e dos impactos que tal aumento teria nos ecossistemas.

Se hoje é impossível viver num mundo sem petróleo, para António Coutinho “é obrigatório mudar o paradigma e acabar com a dependência dos combustíveis fósseis para acelerar a transição energética para a eletricidade. Atualmente 83% das emissões provêm do consumo de energia. A mobilidade, que representa 19% das emissões, é a grande consumidora de petróleo. É aqui que temos de atuar rapidamente, até porque a tecnologia já existe.”

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Transição energética e eletrificação dos transportes

Apesar da dimensão do desafio, a conclusão do debate sobre a transição energética tem de assentar numa nota positiva.

“Há 15 anos no mundo investiam-se cerca de 50 biliões de dólares por ano na transição energética. O ano passado este investimento foi de 755 biliões de dólares. O principal destino deste investimento é a área das energias renováveis logo seguida pela área da eletrificação dos transportes. E está previsto que já este ano a eletrificação dos transportes seja a principal área dos investimentos na transição energética”, concluiu o responsável da Inovação na EDP.

O caminho percorrido em Portugal tem sido, neste domínio da transição energética, bastante positivo apesar de algumas dificuldades e entraves relacionados com questões legais e de licenciamentos, alertou António Sá da Costa, presidente da European Renewable Energies Federation, e também presente neste Fórum.

Na sua intervenção Alexandre Fernandes, administrador-executivo da Entidade Nacional para o Setor Energético E.P.E. (ENSE) mostrou que os poderes públicos estão conscientes da necessidade de agilização e rapidez nas aprovações e legalizações de projetos destinados à implementação de, por exemplo, energias renováveis, ao declarar que “o nosso desafio, como entidade pública, é o de colocar o Estado como acelerador da mudança para a transição energética.”

A mobilidade do futuro será tão mais “inteligente” e sustentável quando mais rápido for o ritmo desta indispensável transição energética. E a atual situação portuguesa permite encarar o futuro com algum otimismo. Segundo António Sá da Costa “ter a eletricidade em Portugal 100% renovável não é fácil, mas é possível. Assim haja vontade política e capacidade de coordenar as diferentes tecnologias de produzir eletricidade, de forma a encontrar o ótimo nacional e não os ótimos de cada um dos produtores, sem colocar em causa a livre concorrência e as condições do mercado.”

A eletrificação dos transportes está a ponto de se tornar o maior destino dos investimentos realizados a nível mundial no âmbito da transição energética o que demonstra que todo este setor dos transportes e, acima de todos o automóvel, está consciente das suas responsabilidades e do contributo que tem de dar para a descarbonização do planeta.

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