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Em 2010 Portugal foi o primeiro país da Europa e um dos três a nível mundial (a par do Japão e EUA) a introduzir o primeiro automóvel 100% elétrico de produção em massa a nível global, o Nissan Leaf, um facto recordado na sexta edição do Fórum Nissan para a Mobilidade Inteligente, realizada no passado dia 11 de maio no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, durante o qual houve ainda a oportunidade para a realização de um ponto de situação sobre o avanço da mobilidade elétrica em Portugal.

Nos três painéis subordinados aos temas Condução Inteligente, Energia Inteligente e Integração Inteligente participaram 14 oradores, nacionais e estrangeiros, das mais variadas áreas de atividade desde o setor automóvel, à produção e distribuição de energia, tecnologias de informação, mobilidade multimodal e da atividade seguradora, tendo a Nissan reafirmado o seu compromisso com uma mobilidade cada vez mais sustentável. Em redor deste tema, aliás, a Nissan teve a oportunidade de apresentar os modelos elétricos que a breve prazo vai introduzir no mercado português, bem como os investimentos para o desenvolvimento do ecossistema elétrico absolutamente indispensável à massificação da mobilidade elétrica.

Tendo ficado bem claro que a Nissan tem enorme orgulho não só do seu pioneirismo na eletrificação do automóvel, como do seu papel de liderança neste novo paradigma da mobilidade, que passa pela criação de um ecossistema elétrico, uma dúzia de anos depois não restam dúvidas que o futuro da mobilidade passará por uma cada vez maior eletrificação e, inclusive, suportada por decisões políticas com calendários bem definidos para o abandono, na Europa, das motorizações térmicas convencionais.

Estamos, portanto, perante um cenário de uma significativa aceleração da eletrificação do automóvel, traduzida num significativo aumento da oferta por parte dos construtores e numa crescente adoção por parte dos consumidores, conscientes que os automóveis elétricos respondem cada vez melhor às suas expetativas e necessidades.

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Nissan prevê final dos motores de combustão até 2030 

Na sua alocução inicial Antonio Melica, diretor-geral da Nissan Portugal, anunciou o objetivo da Nissan para, na Europa, de realizar 75% das vendas em 2026 em versões eletrificadas e abandonar totalmente as motorizações exclusivamente térmicas em 2030. Já em 2022 serão introduzidos no mercado o novo Crossover 100% elétrico Nissan Ariya e o Nissan Townstar EV “reforçando a aposta da marca num segmento que tem um potencial enorme de crescimento, os comerciais e, em especial, os dedicados às chamadas entregas de último quilómetro (last mile).”

Mas para além do alargamento da gama, Antonio Melica relembrou os investimentos feitos em Portugal no desenvolvimento do ecossistema elétrico, quer através da instalação de postos de carregamento públicos e de sistemas de carregamento nos domicílios, passando pela oferta de vantagens nos custos da energia associadas a cartões de carregamento nos postos públicos.

O ecossistema para a mobilidade elétrica e o balanço da sua evolução foi, também o tema abordado por alguns dos oradores deste 6º Fórum Nissan da Mobilidade Inteligente.

Para Henrique Sanchez, presidente do Conselho Diretivo da UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos “sempre que ouvimos dizer que os automóveis elétricos são o futuro, retorquimos que não, o futuro é hoje. Aliás, para muitos utilizadores já faz parte do passado...”

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Segundo os dados apresentados por este responsável, o parque automóvel português de modelos 100% elétricos ou eletrificados (inclui híbridos plug-in) está já acima das 100.000 unidades e a quota de mercado anual deste tipo de modelos é já de cerca de 20% das vendas totais de automóveis no nosso país.

“Nos últimos três anos, passámos de 20.000 automóveis elétricos em 2020 para os 30.000 em 2021 e, este ano, já vamos com mais 10.000 unidades vendidas em Portugal. E isto numa época de dificuldades provocadas pela crise dos semicondutores e da falta de componentes. Ou seja, a procura é muito maior do que a capacidade de oferta dos construtores”, refere Henrique Sanchez que faz um balanço otimista da realidade da mobilidade elétrica em Portugal.

Mas este auspicioso crescimento tem o seu reverso naquele que é um dos receios de todos aqueles que ainda não aderiram à mobilidade elétrica: “Será que a rede elétrica aguenta o crescimento do parque de automóveis elétricos?"

Rede de carregamento para elétricos “está dimensionada”

Segundo Alexandre Videira, administrador da Mobi-e, a rede de carregamento para automóveis elétricos comporta já mais de 2.750 carregadores a que correspondem mais de 5.700 tomadas de carregamento. Para a atual dimensão do parque português, a potência instalada deveria ser de cerca de 74MW e, na realidade, atualmente estão já instalados 102,5MW em 99% dos municípios do país. Ou seja, a rede existente pode acomodar sem problema o crescimento do parque de automóvel elétricos. Recorde-se a este propósito que segundo as normas europeias, a dimensão da rede de carregamento para automóveis elétricos deve corresponder a 1 kW de potência instalada por cada automóvel 100% elétrico no parque e 0,66 kW por cada automóvel híbrido plug-in.

Esta mesma conclusão foi reforçada por Luís Tiago Ferreira, Diretor de Inovação em Mobilidade & Eficiência Energética da E-Redes: “A nossa expetativa é que no final da década a rede de carregamento pública atinja os 45.000 postos mantendo o rácio de um posto por cada 20 automóveis.”

Para este responsável da rede elétrica nacional “os veículos elétricos podem tornar-se um ativo valioso para o sistema elétrico, o que aumentará as vantagens para o cliente.”

Através da progressiva adoção de carregadores inteligentes e, a prazo, de sistemas de carregamento bidirecionais será possível reduzir de forma significativa os investimentos para aumentar a capacidade da rede pública de carregamento, incluindo com o crescimento da adoção de energias renováveis de produção local.

Mas, na mobilidade elétrica nem todos os desafios estão ligados à energia. Uma perspetiva diferente foi aquela que trouxe a esta edição do Fórum Nissan da Mobilidade Inteligente Gustavo Barreto, chief comercial officer do Grupo Ageas Portugal.

“Os automóveis elétricos também colocam desafios para as empresas de seguros. No caso do Grupo Ageas Portugal temos coberturas que foram criadas especificamente para este segmento de mercado: furto ou roubo dos cabos de carregamento; danos causados em terceiros durante a utilização dos mesmos; cobertura de assistência para recargas rápidas que permitam ao utilizador chegar a um posto de carregamento, entre outras.”

Esta é a prova que a mobilidade elétrica representa uma significativa mudança do paradigma. Em Portugal a evolução desta "nova" forma de mobilidade está perfeitamente alinhada com a evolução dos principais, e mais rápidos, mercados europeus na adoção da mobilidade elétrica.

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