O Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, pôde confirmar na primeira pessoa a qualidade das Acções de Formação sobre Veículos Elétricos, promovida pela ANECRA - Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel, em parceria com o CEPRA - Centro de Formação Profissional da Reparação Automóvel, realizadas nas instalações desta entidade entre os dias 26 e 28 de Junho e que, no encerramento, mereceram a presença daquele elemento do Governo.

A problemática dos veículos elétricos constitui uma preocupação prioritária da ANECRA, motivo pelo qual surge como objetivo prioritário poder formar os seus Associados no que diz respeito a esta área tão específica. A comprová-lo, a emissão de mais de 310 certificados, que aferem a atribuição de competências relativas à segurança, no contacto com estas novas tecnologias. Face à importância de que se revestem estas iniciativas da ANECRA, na área da formação profissional, foi particularmente importante a visita às instalações do CEPRA por parte do Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, que assim respondeu positivamente ao convite formulado pela Associação.

A resposta positiva imediata dada ao convite da ANECRA por parte deste governante deixou nos dirigentes da Associação a clara convicção de que, também para este membro do Governo, a formação profissional ao segmento dos Veículos Elétricos é fator determinante para que o sector automóvel nacional, nomeadamente na área da assistência e reparação, esteja devidamente preparado para enfrentar o futuro. Isso mesmo ficou claro nas palavras deixadas por José Mendes aos formandos do CEPRA no final de uma visita em que aquele governante pôde constatar o trabalho de excelência que tem vindo a ser desenvolvido por aquela entidade situada na zona do Prior Velho, já no concelho de Loures, bem encostada à região norte de Lisboa.

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“Há três grandes tendências no sector automóvel”

Depois de Alexandre Ferreira, o presidente da ANECRA e ali também de algum modo na qualidade de anfitrião, ter deixado algumas palavras aos jovens da Fórmula Student que integraram aquela acção de formação, nomeadamente a quatro estudantes do Instituto Superior Técnico que assim podem, também eles, complementar a sua formação profissional, foi o próprio Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente que falou para os formandos do CEPRA: “Quando a determinada altura me falaram, no âmbito da realidade do sector automóvel, de um curso de formação na área da mobilidade eléctrica e dos veículos eléctricos, imediatamente, por iniciativa minha, disse que gostava de lá ir, ver o que está a ser feito, porque eu acho que estas são as organizações, e isto aplica-se quer à ANECRA quer ao CEPRA, que vêem mais à frente e se preparam formando profissionais, colocando-se na crista da onda para o que vem mais à frente.”

“Estas são as organizações que sobrevivem e estes são os profissionais que têm futuro", acrescentou José Mendes para quem existem hoje o que disse serem “três grandes tendências no sector automóvel”, para as quais defendeu ser necessários estarmos preparados: “A primeira grande tendência é a da electrificação. Eu recebo todos os grandes fabricantes de automóveis, que vêm falar comigo por diferentes razões, e todos eles, sem excepção, possuem planos para a respectiva electrificação das frotas. Ainda há pouco recebi os dirigentes da PSA, que até há pouco tempo parecia ser o fabricante mais relutante em seguir a tendência dos veículos eléctricos, e que nos veio dizer que espera até 2026 electrificar toda a sua frota, o que significa que depois de 2026 não deverá sair das fábricas deste grupo um só automóvel que não tenha um motor eléctrico. Alguns serão ainda híbridos, mas serão todos eléctricos. E as outras marcas estão todas a fazer o mesmo. Esta é, por tudo isso, uma tendência global, algo que do ponto de vista das alterações climáticas e da necessidade de reduzirmos as emissões de CO2 é uma boa notícia.”

Electrificação, autonomia e partilha

Em Portugal, esta tendência pela electrificação é ainda “um nicho” na visão deste governante, mas começa a deixar de sê-lo: “Já no ano passado, as vendas, quer de veículos cem por cento eléctricos, quer de veículos plug-in, já somaram cerca de dois por cento das vendas totais, dos duzentos e tal mil automóveis são vendidos em Portugal, sendo que circulam hoje em dia nas nossas estradas perto de quinze mil veículos, eléctricos ou híbridos plug-in. Isto está a ganhar escala, as vendas destes veículos estão a duplicar de ano para ano, o advento da electrificação é uma tendência internacional e é preciso estarmos preparados para as mudanças. Neste sector em mudança irá certamente estar na linha da frente quem se preparar mais cedo.”

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A segunda tendência no sector automóvel, ainda de acordo com o Secretário de Estado José Mendes, é a “tendência da conectividade e da autonomia”. Em relação aos veículos autónomos, que estão aí, este governante reconhece que “há ainda barreiras regulatórias mas também tecnológicas que estão a ser vencidas”, sendo de esperar que rapidamente iremos ter veículos autónomos a circular nas nossas estradas. Só que para isso ser possível, é cada vez mais importante que os veículos estejam mais e mais conectados, numa realidade em que é cada vez mais importante a conectividade e o entretenimento do veículo do que aquilo que o seu 'core', nomeadamente a segurança, o preço ou a motorização.

A terceira grande tendência, tal como José Mendes deu conta nas palvras deixadas aos formandos do CEPRA, aponta para a partilha, tal como explicou: “A posse do veículo claramente vai reduzir e vai haver menos pessoas a comprar carros, mas não vai haver menos pessoas a utilizar carros, passando a haver mais carros partilhados. Ora, a existência destes carros partilhados resulta desde logo em duas consequências: haverá menos carros, mas os carros serão muito mais utilizados. Ter carros partilhados significa que vários utilizadores os partilham, e isso tem uma vantagem imediata já que o investimento é menor pois deixa de haver a preocupação da compra e também não estarei sempre sujeito ao mesmo veículo, sendo que na altura das férias poderemos recorrer a outro tipo de veículo que não usamos ao longo do ano. Deste modo, e por via desta tendência, os carros vão ter um ciclo de vida muito mais curto, o que irá alterar o paradigma da realidade dos carros como daqueles que procedem à manutenção dos carros, e também para isso temos que estar preparados. As próprias empresas que fabricam e vendem veículos sabem que já hoje estão a fazer uma metamorfose da sua actividade de fabricantes ou vendedores de automóveis para vendedores de mobilidade, e têm que alterar os seus modelos de negócio.”

Perante esta realidade, José Mendes deixou um derradeiro alerta para a necessidade de “estarmos atentos para aquelas três tendências e garantirmos a melhor preparação para as mudanças que aí vêm, para não sermos surpreendidos.”

reportagem: Jorge Reis

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