Desde cedo que se percebeu que este era um passeio TT diferente, em face da ambiciosa ideia de fazer a travessia do País da costa “saloia” até á linha fronteiriça da Barragem do Alqueva.

Logo na manhã do feriado de 5 de Outubro, os participantes foram recebidos pelo município de Mafra com um recheado pequeno-almoço no exuberante Refeitório dos Frades, em pleno Convento de Mafra. Depois, por caminhos pouco percorridos e para muitos desconhecidos, colocou-se em prática a aventura da travessia de Portugal, e de preferência longe dos normais caminhos de asfalto.

A Tapada Militar de Mafra, o forte do Alqueidão em pleno concelho do Sobral de Monte Agraço, onde vincadamente se nota a presença das linhas defensivas do tempo napoleónico, mas também Arruda dos Vinhos, Alenquer e os campos de cultura do tomate do Ribatejo, rapidamente ficaram para trás, com a caravana a avançar para a travessia do Tejo pela ponte D. Amélia, contruída em 1904 com 860 metros de extensão para utilização ferroviária, transformada em 2001 para tabuleiro de asfalto com tráfego alternado.

Os primeiros montados e estradões de Coruche, a caminho do Couço, seguiram-se no percurso da caravana, onde o pó insistiu em marcar presença como um adversário difícil de ultrapassar, surgindo a primeira paragem no Parque de merendas do Pinhal, em Cabeção, para as primeiras partilhas gastronómicas.

Repostas as baterias, a caravana prosseguiu em direcção ao Fluviário de Mora e à passagem mítica no Açude do Gameiro. Parques arqueológicos e cromeleques sucederam-se com imagens únicas, surgindo finalmente a entrada no Alentejo com a paisagem a permitir os mais diversos motivos para fotos que vão perpetuar este primeiro TT Mafra-Reguengos.

Serpenteando por entre montados, abrindo e fechando porteiras, deixando um rasto de poeira, os 45 veículos foram-se aproximando do destino final, em Reguengos, não sem antes haver tempo por uma passagem pela adega da Ervideira, onde o vinho experimentado, talvez por ser Invisível, nem tão pouco atrapalhou a tarefa de quem teve de conduzir.

À noite, o jantar permitiu de novo o convívio entre todos, com a boa disposição a imperar e a gastronomia da Moira a ser apreciada por todos, numa aventura que prosseguiu na manhã seguinte, já com furos corrigidos e alguns pequenos problemas mecânicos ultrapassados.

Pela frente, mais 80 Km de trilhos essencialmente de vinhedo, com a passagem por uma das mais antigas provas do nacional de Todo-o-Terreno, o Rali TT Reguengos, ainda por entre as muralhas do Castelo de Monsaraz, e a saída pela porta da Alcoba, uma verdadeira varanda para o melhor postal da Barragem do Alqueva.

A nova Praia Fluvial de Monsaraz e uma visita à Casa do Barro em São Pedro do Corval, onde o barro não tem segredo e as côres se misturam entre o cru e o cozido, entre o ocre e o castanho, anteciparam o final da aventura entre dois municípios geminados pela associação portuguesa de cidades e vilas cerâmicas – Mafra e Reguengos de Monsaraz.

Como epílogo do passeio, o almoço final nas instalações da adega CARMIM, com toda a caravana a ser recebida pelo presidente da Câmara Municipal de Reguengos, José Calixto, ele que ao longo dos dois dias foi também um dos aventureiros nos trilhos deste passeio, e que ali deu conta da arte de bem receber que as gentes do Alentejo exercem tão bem.

Para trás ficam já as saudades destes caminhos pouco explorados, e a vontade de a eles voltar nem que seja em sentido inverso.

reportagem: Jorge Reis
com a Consilcar Magazine

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