Quando avançámos para o ensaio do Alpine A110 Légend rapidamente demos conta de estarmos perante um modelo desportivo diferente, tantas foram as reacções positivas daqueles que nos foram vendo passar na estrada. Curiosamente, ficou claro também desde o início algum desconhecimento do cidadão comum sobre a realidade deste modelo e até mesmo da marca, embora os mais “antigos” tenham associado com alguma facilidade o nome Alpine ao passado de uma marca com mais de meio século, regressada agora vinte e três anos depois e agora como antes associada à Renault embora este regresso seja feito em nome próprio.

Conhecedores ou não, a verdade é que o agrado perante este Alpine A110 foi uma constante, e se aqueles que nos viram passar não esconderam por vezes alguma inveja e a vontade de quererem estar no nosso lugar, a nós também foi difícil disfarçar aquela vaidadezinha que procurámos sempre esconder atrás de um sorriso, que foi sempre mais largo de cada vez que obrigámos o motor de quatro cilindros com 1.8 litros sobrealimentado a fazer-se ouvir com o seu cantar mais rouco, e ainda mais delicioso no modo Sport.

Com o motor às costas, o mesmo bloco do Renault Mégane RS, sair para a estrada empurrados por este bloco de 1.8 litros capaz de produzir 252 CV de potência revelou-se uma experiência deliciosa perante um automóvel em que o baixo peso do conjunto ajuda a prestações ainda mais entusiasmantes. Leve, ágil, divertido e claramente elegante, este Alpine A110 Légend garante cotas de habitabilidade confortáveis, fruto dos 4,18 metros de comprimento, 1,79 metros de largura e 1,25 metros de altura com 2,42 metros entre eixos.

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Colocado em funcionamento no botão de start, avançamos para a consola central flutuante e os três botões que permitem as principais decisões — D N R (Drive, Neutral, Reverse) —, através dos quais podemos seguir em frente, colocar em ponto morto ou fazer marcha atrás. Ainda nesta consola encontramos também o travão de mão eléctrico, uma tendência dos tempos modernos que não permite a adrenalina do travão de mão clássico, e os comandos dos vidros.

O painel de instrumentos é digital e assume várias configurações consoante o modo de condução, destacando-se no volante, de dimensões corretas e boa pega, o botão que dá acesso ao já referido modo Sport. Neste modo, um pormenor chama a atenção pela informação que o painel digital que permite da potência e do binário colocados sobre o asfalto a cada instante. Nota ainda para as patilhas da caixa de velocidades atrás do volante, e o satélite que o grupo Renault insiste em colocar também atrás do volante para o controlo remoto do sistema de áudio.

Com um ambiente desportivo a bordo, num habitáculo em que os materiais surgem com uma montagem irrepreensível ainda que, pontualmente, com alguns plásticos menos nobres, nomeadamente nas zonas inferiores das portas, este Alpine A110 Légend respondeu sempre a preceito e de forma elevada às nossas solicitações nas curtas e por isso mais rápidas deslocações que fomos efectuando. Convém dar conta que este A110 não é propriamente um automóvel vocacionado para grandes viagens, até porque a capacidade de transporte de bagagens é bem limitada. Afinal, mesmo tendo duas “bagageiras”, à frente e atrás, a da frente permite apenas uma capacidade de 100 litros para volumes que não podem ter mais de 20 contímetros de altura, enquanto que o “espaço de carga” traseiro — as aspas aqui destacam mesmo o eufemismo da expressão — não permite mais do que um volume de 96 litros, embora aqui com maior profundidade.

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Perante esta realidade, em estrada, com os quilómetros a serem devorados num ritmo bem rápido, com o A110 a entrar em velocidades proibidas bem rapidamente, o motor mostrou um comportamento mais ou menos normal no modo normal, mas sem dúvida “raçudo” no modo Sport, quando todo o conjunto passa a fazer-se ouvir de um modo delicioso especialmente para os amantes de um bom desportivo. A direcção é assistida e em modo Sport apresenta-se equilibrado, duro o quanto baste e sempre dominável, mesmo quando desligado o ESP, num automóvel em que os travões transmitiram sempre uma equilibrada sensação de segurança.

A caixa de velocidades, de sete relações, revelou-se particularmente agradável, apresentando-se sempre acertada quando a deixámos decidir por si mesma, sendo sempre assertiva na resposta quando optámos por usar as patilhas atrás do volante, que poderiam ser um pouco maior não fosse o tal satélite de comando do sistema de áudio.

Em resumo, estamos claramente perante um modelo desportivo diferente daqueles a que estaremos habituados, mas de inegável qualidade, em que o comportamento e a diversão surgem como pontos altos num automóvel em que o seu preço pode ser eventualmente um ponto menos positivo. Ainda assim, este pormenor dependerá da carteira de cada um e a diferença também se paga! 

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FICHA TÉCNICA  
Alpine A110 Légend  
Motor 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo, gasolina
Cilindrada (cm3) 1798
Potência máxima (cv/rpm) 252/6000
Binário máximo (Nm/rpm) 320/2000
Transmissão Caixa automática de dupla embraiagem de 7 velocidades
Tracção Traseira
Dimensões e pesos 
Comprimento/largura/altura (mm) 4180/1798/1252
Distância entre eixos (mm) 2420
Peso (kg) 1103
Pneus 235/40 R18
Prestações
Aceleração 0-100 km/h (s) 4,5
Velocidade máxima (km/h) 250 (limitada electronicamente)
Consumos
Extra-urbano/urbano/combinado (l/100 km) - / - /6,6
Emissões de CO2 (g/km) 241
Preço (Euros €) 65.847

 

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ensaio: Jorge Reis
fotos: ©LusoSaber/JR

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