A renovação que a Citroen impôs ao C3, e que tive a oportunidade de experimentar nas estradas espanholas em redor de Madrid, é um retoque na maquilhagem para o deixar mais próximo do novo C4 e da nova linguagem de estilo da Citroen. E se isso pode parecer suficiente, para mim não é. Até porque dentro do grupo PSA, o 208 deu um passo em frente, no estilo, na qualidade e na tecnologia. Portanto, não fique muito triste por ver que o seu C3 acabadinho de comprar já foi substituído... as diferenças são quase microscópicas. Vamos lá conhecê-las!

Acho que consigo identificar as diferenças todas num só fôlego: frente com nova iluminação diurna LED e o desenho em Y dos grupos óticos (tal como no novo C4); mais personalização; redesenho dos “Airbumps”; novos bancos Advanced Confort e novas tecnologias. Et voilá! Detalhemos as novidades.

O LusoMotores esteve em Madrid a convite da Citroen Portugal
onde pôde conhecer o agora renovado Citroen C3, avançando aqui
para as ideias permitidas por um primeiro ensaio...


Se olhar para as fotos verá que a frente está... praticamente igual! Olhe bem... olhe outra vez! Pois é, a fina grelha que alberga o “double chevron” tem o friso inferior estendido para baixo, abraçando os faróis inferiores que foram redesenhados. Ou seja, tenta fazer um “Y” tal como sucede com o novo C4. As outras grelhas estão iguais e os nichos dos faróis de nevoeiro também. Na lateral o “Airbump” foi redesenhado pois ao invés de sete bolsas de ar, passam a existir apenas 3 de cada lado do carro. E, agora sim, estão detalhadas todas as novidades em termos de estilo.

O C3 tem mais opções de personalização devido ao conceito “Inspired by You” e assim, para lhe aumentar a dor de cabeça ao escolher o seu C3, a Citroen oferece 97 possibilidades de combinações, com a chegada de novas cores e uma nova pintura de tejadilho. Já sabe... são mais umas horitas a fazer simulações, ou então pode ir direto ao teto preto e à cor que deseja. Era o que eu faria...

A Citroen reclama que o C3 foi concebido para fazer de cada viagem um momento de prazer. Acredito! Até porque o utilitário da Citroen foi feito com base no anterior Peugeot 208, logo tem de ser um carro interessante. Mas nestas coisas há sempre um... mas!, e no caso do C3 muita coisa teria de mudar para ser essa afirmação totalmente verdadeira.

Nesta lavagem de cara e limitados pela plataforma já antiga, os engenheiros da Citroen deitaram mão aos bancos Advanced Confort e juntaram um apoio de braços. Isto não é suficiente para dizer que o carro ficou muito mais confortável, mas é uma melhoria no meio de um habitáculo, que a casa francesa reconhece, foi feito na perspetiva de gastar o menos possível para tornar o C3 o mais rentável que fosse possível. 

Para amenizar o facto do interior ser feito com plásticos mais duros e para não perder o comboio da tecnologia, a Citroen introduziu mais tecnologia a bordo. Exemplos?

Ajuda ao estacionamento dianteiro, oferecendo, assim, 12 ajudas á condução e ao conforto, das quais destaco o acesso e arranque mãos livres, assistência ao arranque em declive, o Active Safety Brake, reconhecimento de sinais de trânsito e os máximos automáticos, entre outros. A conectividade é total com navegação, ligação “bluetooth” e duplicação do seu smartphone com os Connect Assist, Nav e Play. Bem fornecido, mas sem nada que seja novidade no segmento.

O meu trabalho poderia terminar aqui. Não há mais nada de novo, mas quero precisar uma coisa: os bancos Advanced Confort não têm ligação aos bancos AGR da Opel, são uma criação Citroen e destacam uma espuma de maior densidade que passa de 2 para 15 mm e um reforço do apoio lombar, além do tecido que reveste os bancos, para um resultado mais suave e confortável. Até pode estar a pensar que é a informação inútil do dia... mas não é, pois experimentei o C3 com estes bancos e nota-se, facilmente, um maior conforto. E acredite que estou a falar a sério!

Tenho de lhe dizer, também, que o C3 é oferecido com dois motores a gasolina e um diesel: os primeiros são versões de 83 e 110 CV do tricilíndrico com 1.2 litros sobrealimentado (caixa manual de 5 no primeiro e de 6 velocidade no segundo), o terceiro é a variante de 100 CV do bloco turbodiesel BlueHDI com caixa manual de 5 velocidades. E também que para levar a tralha toda, o C3 oferece 300 litros de bagageira.

Calma... já lhe vou contar sobre os preços. Mas... não quer saber como se comporta o “novo” C3 em estrada? Então, fui a Madrid desafiar o SARS Cov-2 e não lhe conto tudo? Se há diferenças? Claro... que não!

O C3 continua igual em termos de utilização, pois nada foi alterado no chassis ou na plataforma, continuando o C3 a ser um utilitário giro, divertido de conduzir porque é vivaço... mas! não pense em fazer o mesmo que o José Pedro Fontes no Campeonato de Portugal de Ralis ou o Mads Ostberg no Mundial de Ralis, pois o C3 R5 é conta de outro rosário. Divertido sim, mas com limitações próprias de um utilitário. E continua com as mesmas dificuldades de sempre no que toca a alguns acabamentos, embora tenha de ser justo: andei a escarafunchar algumas zonas do interior do C3 e parece-me que a Citroen melhorou alguma coisa na montagem. Parece! 

Pronto... agora vamos aos preços!

Olhando para a tabela disponibilizada pela Citroen, os preços arrancam nos 16.371,89€ (1.2 PureTech 83 CV Feel) com um IUC de 103,12€. Seguem-se os 17.717,89€ do C3 1.2 PureTech 83 C-Series, os 18.171,89€ do C3 1.2 PureTech 110 CV C-Series, os 17.471,89€ do C3 1.2 PureTech 83 Shine e os 18.671,89€ do C3 1.2 PureTech 110 Shine.

Depois, encontramos o C3 1.2 Puretech 110 CV automático Shine (19.871,89€), o C3 1.2 Puretech 110 CV Shine Pack (19.971,89€) e o C3 Puretech 110 automático Shione Pack (20.971,89€).

As versões diesel arrancam nos 21.771,89€ do C3 BlueHDI 100 Feel Pack, seguindo-se o C3 BlueHDI 100 C- Series (21.771,89€), o C3 BlueHDI 100 Shine (22.071,89€) e, finalmente, os 23.371,89€ do C3 BlueHDI 100 Shine Pack. O carro já está á venda em Portugal e brevemente o LusoMotores vai-lhe oferecer o ensaio completo.

José Manuel Costa
LusoMotores em Madrid

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