A casa sul coreana insiste tal como a Toyota, no segmento dos citadinos, não porque goste de perder dinheiro, mas porque consegue vender muitos mais carros destes em redor do Mundo que outros construtores, mitigando o facto do valor final do carro não cobrir os custos do mesmo. Por isso, este i10 é uma lufada de ar fresco, até porque a Hyundai não olhou para o citadino como um filho menor.

Por isso, o estilo do i10 avançou, ganhou personalidade e não deixando de ter ligação com o anterior modelo, tem uma frente mais moderna num carro totalmente novo, pois tem uma nova plataforma. Enfim, é um carro com muito bom aspeto que nem parece ser do segmento A.

Sendo maior que o anterior, este i10 tem mais 40 mm entre eixos, mais 20 mm em largura, mas é mais baixo 20 mm. O que resulta daqui? Que pode levar três pessoas no banco traseiro – sim, um nadinha apertados, mas sem ser absurdamente desconfortável – e que tem um espaço apreciável na bagageira, 252 litros, existindo um duplo fundo que é simpático. Com aquele aumento de espaço, tem tudo isto garantido, acrescentando a Hyundai um habitáculo feito com rigor e materiais que espantam por estarem dentro de um citadino.

As portas têm amplos porta objetos, o porta luvas tem um tamanho generoso e há uma pequena prateleira por cima que é mais útil do que parece. A curta consola central tem a alavanca da caixa e a alavanca do travão de mão, mas a Hyundai ainda desencantou espaço para que por baixo dos comandos da climatização possa arrumar o telemóvel que, nas versões mais equipadas pode ter um carregador sem fios. Há entradas USB, pelo que a conectividade não está comprometida. Nem podia, pois o i10 tem um sistema de info entretenimento servido por um ecrã de 8 polegadas e ligação Apple e Android.

Como dizia acima, o interior do i10 tem matérias uma nota acima do habitual no segmento. São excelentes? Claro que não! Nem poderia ser num carro que custa 13 mil euros. Os plásticos são mais crus, mas resistem bem aos riscos e aos maus tratos. A maior crítica terá de ser feita à posição de condução: o banco, apesar de lhe faltar um pouco de apoio lateral e na base para nos manter no lugar e estar demasiado alto, não é o maior problema, pois a falta de ajuste em profundidade é que estraga tudo. E para os de menor estatura será mesmo uma dificuldade.

Respostas lentas

POSITIVO...
Agilidade
Direção
Materiais no hapitáculo

...OU NEM POR ISSO

Posição de condução
Lentidão na resposta

O i10 é um carro lento, não há forma de o dizer de outra maneira. Levar 15,0 segundos dos 0-100 km/h é... lento. Ou seja, a nova plataforma utiliza os motores anteriores e não há forma de explorar as qualidades desta nova base do i10. Até que chegue uma versão N que deverá namorar com os 100 CV, o i10 continuará a ser um citadino puro e duro, capaz e fugir ao casco urbano, mas desde que se mantenha na faixa da direita, porque andar muito acima dos 120 km/h não será possível sem penalização nos consumos. A outra face da moeda é a sua agilidade em cidade, imparável e inigualável.

Fora da cidade, na falta de um turbo, terá de usar toda a rotação que o tricilindrico seja capaz de fazer e fazer funcionar a caixa de cinco velocidades. Não fique já preocupado, pois a insonorização é muito boa e o motor não nos incomoda, mesmo a fundo e a 120 km/h, em autoestrada. O barulho até acaba por ser agradável tal a forma como está amortecido. A média do consumo ficou nos 6,9 l/100 km, tendo oscilado, consoante a utilização, entre os 5,7 e os 7,2 l/100 km.

Impressões finais

A verdade é que se percebe que o carro, com outro motor, tem capacidade para muito mais. O i10 é um carro refinado para o segmento, confortável e fácil de conduzir em qualquer situação, tem uma direção que não mostra fraquezas e é capaz de fazer uma viagem mais ou menos longa sem o deixar mais amarrotado que o chapéu de um pobre. E, curiosamente, quando lançado e a velocidades mais elevadas, consegue ser divertido, provando que a plataforma é boa. Ágil dentro da cidade, muda de direção com admirável facilidade, devido ao baixo peso, acabando por ser uma muito agradável surpresa.

O Hyundai i10 prova que o segmento dos citadinos puros não está morto! Como sucedia na anterior geração, o i10 é dos melhores carros do segmento: verdade que não tem a qualidade absoluta dos alemães e também é verdade que o motor 1.0 litros atmosférico não dá grande emoção ao carro. Porém... a nova plataforma mostra qualidades, o refinamento é superior ao que existe em muitos dos rivais e a facilidade de condução – exceção feita à inexplicável falta de regulação em profundidade do volante – entusiasma.

FICHA TÉCNICA
Motor

Tipo: 3 cilindros em linha com injeção multiponto
Cilindrada (cm3): 998
Diâmetro x Curso (mm): 71 x 84
Taxa de Compressão: 11,0
Potência máxima (CV/rpm): 67/5500
Binário máximo (Nm/rpm): 96/3750

Transmissão Dianteira, caixa manual de 5 velocidades
Direcção Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr)

Independente tipo McPherson/eixo de torção

Travões (fr/tr)

Discos ventilados/discos

Prestações e consumos

Aceleração
0-100 km/h (s)

15,0

Velocidade máxima (km/h): 156
Consumos extra-urb./urbano/misto (kWh/100 km): nd / nd / 5,0
Emissões CO2 (gr/km): 115
Dimensões e pesos
Comprimento/Largura/Altura (mm): 3670/1680/1480
Distância entre eixos (mm): 2425

Largura de vias (fr/tr mm):

1467/1478

Peso (kg):

935

Capacidade da bagageira (l):

252
Deposito de combustível (l): 36
Pneus (fr/tr): 185/65 R14

Preço da versão base (Euros):

14.641

Preço da versão Ensaiada (Euros):

14.641

José Manuel Costa/LusoMotores

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