Há alguns tempos alguém nos deixava a crítica de que os ensaios a modelos de menores dimensões, os automóveis ditos citadinos, não olhavam para as potencialidades desses modelos quando em estrada, destacando a importância de se saber das suas potencialidades em estrada por exemplo para aqueles que, mesmo adquirindo um “citadino”, querem por vezes aventurar-se em estrada. Pois bem, agarrámos assim num modelo claramente citadino, pelas suas dimensões, motorização e características, o Honda Jazz 1.5 e:HEV, e avançámos para a ligação entre Lisboa e Braga (e volta), para ali acompanharmos o “Braga Racing Weekend”, evento a cargo do CAMI onde pudemos assistir a prestações notáveis de clássicos de outros tempos, mas não só, num evento de que o LusoMotores já aqui deu conta em outros conteúdos.

Ao volante do pequeno Honda Jazz (pequeno na visão exterior porque a grande distância entrte eixos permite um agradável espaço no interior), avancámos assim para uma primeira ligação sul-norte, isto depois de alguns quilómetros realizados no trânsito citadino de Lisboa onde a resposta ao teste havia já sido particularmente positiva. Combinando uma elevada eficiência energética com um baixo consumo de combustível, foi fácil de constatar que a cidade é mesmo o ambiente natural deste híbrido “puro”, proposto no mercado nacional numa única motorização e nível de equipamento, por sinal muito preenchido do que outros apelidam de “extras”.

Polivalente, prático e espaçoso, este modelo claramente integrado no segmento dos citadinos, com linhas simples e práticas, não terá o “glamour” de alguns concorrentes como o Renault Clio, o Opel Corsa, o Ford Fiesta ou o Toyota Yaris, todos eles com linhas de design mais requintadas e trabalhadas. Contudo, capaz de responder às necessidades imediatas de quem o conduz, chega até nós com uma carroçaria ao jeito de um pequeno monovolume compacto, com apenas 4,04 metros de comprimento e uma generosa habitabilidade. Depois, um propulsor híbrido capaz de debitar uma potência combinada de 109 cv com consumos bem abaixo dos 4,0 litros prometidos pelo construtor em circuito urbano, farão pensar o potencial comprador no momento em que o compare com concorrrentes mais vendidos no segmento.

Na nossa já referida viagem até à bonita cidade de Braga fomos dando conta do equipamento disponível, mas também da desenvoltura do bloco, chegando ao final da viagem com um consumo de 5,3 litros em estrada, uma média perfeitamente aceitável (e agradável) face à nossa necessidade de estarmos bem cedo na cidade dos arcebispos o que nos levou a andar por vezes nos limites legais. As indicações dadas no painel de instrumentos em conjunto com um ecran de 9 polegadas central que complementa a informação para o condutor revelam-se assertivas e capazes, com a conectividade a ser possível sem qualquer dificuldade através dos sistemas Android Auto ou Apple Carplay. Pelo meio vamos recebendo a indicação da carga de bateria e nível de combustível, permitindo a constante informação de autonomia que em termos de viagem se revela uma dado sempre importante.

Quanto aos materiais, nem sim nem não... antes pelo contrário! Sendo certo que a grande superfície sobre o painel frontal dá a ideia de que poderia ali ter outro tratamento, a verdade é que alguma suavidade ao toque agrada ao utilizador o que, aliado ao elevado nível de equipamento disponível, resulta numa impressão positiva.

Eficiência e conforto

Combinando um motor a gasolina 1.5 de 98 cv e dois motores eléctricos, um de tracção e outro gerador de alimentação para o motor eléctrico, o Honda Jazz 1.5 e:HEV permite uma potência total de 109 cv e um binário de 253 Nm, tudo para uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 9,5 segundos e uma velocidade máxima de 175 km/h.

JAZZ HEV
ESPECIFICAÇÕES
Modelo Jazz
MY 21
CARROÇARIA 5D HBC
MOTOR 1,5
TRAÇÃO FWD
TRANSMISSÃO E-CVT
VERSÃO Executive
MOTOR i-MMD
Intelligent Multi Mode Drive
CILINDRADA  (cc) 1498cm3
PERFORMANCES
Potência máxima motor de combustão (CV @ rpm) 98 @ 5500-6400
Binário máximo do motor de combustão (Nm @ rpm) 131 @ 4500-5000
Potência máxima do motor elétrico (kW [PS]) 80 (109)
Binário máximo do motor elétrico  (Nm) 253
Aceleração dos 0 aos 100 km/h (segundos) 9,5
Velocidade máxima (km/h) 175
ECONOMIA DE COMBUSTÍVEL & EMISSÕES 
Emissões CO2 g/km 84
Consumo Ciclo Combinado (l/100km) 3,7
DIMENSÕES
Comprimento (mm) 4 044
Largura incluindo os espelhos retrovisores (mm) 1 966
Altura (mm)  1 526
Distância entre eixos (mm) 2 517
CAPACIDADE 
Depósito de combustível (litros) 40
Nº de lugares 5
Capacidade da bagageira - Bancos traseiros posição “normal” (litros, método VDA) 304
Capacidade da bagageira - Bancos traseiros recolhidos com carga até ao tejadilho (litros, método VDA) 1205
Capacidade da bagageira - Bancos traseiros recolhidos com carga até à janela (litros, método VDA) 844
MASSAS 
Tara (kg) 1228-1246
Peso Bruto (kg) 1 710
PREÇO 
PVP (após impostos)   € 31.190

Como se trata de um híbrido “puro”, não é necessário proceder ao carregamento externo da bateria, cuja capacidade é de apenas 1 kWh, mas a eficiência do sistema desenvolvido pelos engenheiros da Honda permite percorrer uma boa distância em modo elétrico, com reflexos positivos a nível de consumo de combustível, sendo possível obter um valor de apenas 3,5 l/100 km em circuito urbano. Num modelo com um peso bruto de pouco mais de 1700 Kg, a resposta mais célere permite bons arranques com visibilidade aberta para quem se senta ao volante fruto da boa posição de condução num automóvel que apresenta uma coluna de direcção ajustável em altura e inclinação.

Segundo o construtor, o consumo médio em circuito misto não ultrapassa os 3,7 l/100 km, um valor que, convenhamos, talvez não seja fácil de atingir, ainda que o valor efectivo, a julgar pelo que testámos, não deva andar muito longe disso num automóvel em que facilmente o motor eléctrico entra em acção permitindo desligar o motor de combustão e com isso reduzir o comsumo de gasolina.

Em circulação urbana acabámos por encontrar basicamente dois modos de funcionamento — EV Drive e Hybrid Drive — e apenas quando saímos para a estrada e aí em velocidades mais elevadas sentimos o Engine Drive, aqui com o bloco a fazer-se ouvir por vezes de forma mais acentuada.

Nota para o funcionamento suave da transmissão eCVT que, mesmo na transição entre modos de funcionamento, revelou-se sempre linear sem provocar quaisquer saltos ou “degraus” de funcionamento na entrega de potência.

De referir também o alargado conjunto de sistemas de assistência à condução disponibilizados de série, com destaque para o assistente de manutenção da faixa de rodagem, o sistema atenuante de saída de estrada, reconhecimento dos sinais de trânsito, o sistema de travagem de emergência ou a informação de ângulo morto com monitorização de trânsito lateral.

O controlo de velocidade de cruzeiro adaptável a bordo permite gerir automaticamente a distância para o veículo da frente, permitindo ainda o acompanhamento do tráfego em velocidades baixas em caso de congestionamento.

Ao volante, a posição de condução mais elevada permite conforto e visibilidade, até pela disposição dos estreitos pilares dianteiros.

Para acções de marcha-atrás já não se poderá dizer que a visibilidade é a melhor, surgindo aqui como determinante o auxílio da câmara traseira e os sensores de estacionamento.

Em resumo, num automóvel que permite um espaço no habitáculo generoso para quatro passageiros, a viagem do fim de semana até à cidade de Braga foi muito agradável e marcada mesmo por algum conforto, em que um possível problema pelo pouco espaço da bagageira nem sequer se colocou já que não houve bagagem a transportar.

Despachado sempre que precisámos de o pressionar com o pé direito sobre o acelerador, mas poupado mesmo nessas circunstâncias, ficámos com a convicção de que este citadino corresponde ao que dele se espera, podendo ainda se necessário ser um parceiro disponível  para fazer mais alguns quilómetros numa qualquer escapadinha de fim de semana.

Fica o senão do preço estabelecido pelo construtor para este modelo, proposto na rede de Concessionários Honda por 31.190 euros já depois de aplicados todos os impostos.

Em face do particularmente completo pacote de equipamento disponível pela Honda para este Jazz e:HEV até podemos compreender este valor que, ainda assim, fica uns quantos degraus acima dos preços estabelecidos para modelos concorrentes.

JR/LusoMotores
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