MitsubishiOutlanderPHEV01Quando se fala em novas soluções de mobilidade, a opção pelos motores híbridos continua a ser a mais consensual, surgindo cada vez mais em evidência a aposta nos modelos “plug in” , encontrando-se entre estes o Mitsubishi Outlander PHEV, um SUV claramente diferente que o LusoMotores pôde testar e admirar. Na semana em que a marca dos três diamantes revelou o novo Outlander no Salão Automóvel de Nova Iorque, damos conta da apreciação a este Outlander PHEV, modelo que agradou e que saiu claramente aprovado do ensaio realizado.

Com diversos modelos a merecerem referência própria na sua gama de produtos ao longo da sua existência, a Mitsubishi, marca que em Portugal atraiu recentemente o interesse de novos players em termos globais, como aqui demos conta oportunamente, tem conseguido modelos marcantes em vários segmentos, nomeadamente nas berlinas desportivas de alta performance, com as diversas gerações do desaparecido Lancer Evolution, ou nos SUV e modelos 4x4 dotados de garra guerreira como os Pajero que fizeram história no mítico Dakar. Agora, quando a ordem é para não poluir e encontrar soluções de mobilidade mais limpas e amigas do ambiente, a Mitsubishi avança com uma proposta de que gostámos particularmente naquela que foi um dos mais recentes ensaios para o LusoMotores.

O coração da qualidade do Outlander PHEV encontra-se por baixo do capot que encerra não um, nem dois, mas três motores, nomeadamente um motor convencional, 2.0 litros a gasolina capaz de debitar 121 cv de potência, e ainda dois motores eléctricos, de que falaremos com maior detalhe mais adiante. Antes, porém, fica a impressão global perante este SUV da marca dos três diamantes, com um aspecto musculado que, ainda assim, fica muito distante daquilo que a Mitsubishi já conseguiu no passado, no tempo em que a marca lutava pelas vitórias em provas de particular dureza como o já referido Dakar... e vencia.MitsubishiOutlanderPHEV03MitsubishiOutlanderPHEV04

Este Outlander, na verdade, nada tem a ver com esses guerreiros da marca nipónica, até porque surge com um aspecto bem mais discreto e até com uma personalidade porventura pouco vincada, podendo essa ser uma falha a apontar a este modelo da Mitsubishi que tão depressa poderia ser confundido com um SUV de qualquer outra marca. Ainda assim, e como nisto do design o gosto é completamente subjectivo, e aquilo que uns amam pode ser detestado por outros e vice-versa, vamos ficar por aqui nesta análise.

Entramos assim no habitáculo, sentamo-nos ao volante, e damos conta dos bons materiais no habitáculo e da boa posição de condução permitida, com espaço para cinco adultos sem qualquer problema e ainda uma bagageira com capacidade para 463 litros. Devidamente sentado, e com o cinto de segurança colocado, um detalhe que jamais se deverá esquecer, avançamos então para a ligação deste modelo automóvel, altura em que não nos podemos esquecer que a ignição é accionada pelos motores eléctricos e que, por via disso, a ausência de qualquer ruído é uma característica própria deste modelo automóvel, tal como acontece com qualquer eléctrico puro ou a grande maioria dos híbridos.

Silêncio... vamos andar!

Carregamos no start, colocamos o selector da caixa automática CVT na posição D e deixamos o carro avançar suavemente sem qualquer ruído, como se estivéssemos a entrar em casa fora de horas no mais profundo dos silêncios para não acordar nenhum elemento da família.

Por esta altura já entraram em funcionamento os dois motores elétricos com 82 CV cada um sobre os quais assenta o sistema plug-in híbrido, apoiados por uma bateria de iões de lítio e um motor a gasolina com 2.0 litros de cilindrada com 121 CV e 190 Nm de binário. E se está a perguntar a si mesmo se será mesmo assim ou se estaremos aqui a dar conta de um erro qualquer quando falamos em dois motores eléctricos, saiba que não se trata de nenhum erro já que o Mitsubishi Outlander PHEV possui mesmo dois motores eléctricos, nomeadamente um primeiro motor montado à frente, sobre o eixo dianteiro, com 137 Nm de binário, aparecendo depois um segundo motor eléctricos colocado no eixo traseiro, aqui a debitar 195 Nm.

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Através de uma gestão electrónica bem ajustada ao sistema PHEV do Outlander, este permite três modos de funcionamento: híbrido, em que é chamado a funcionar o motor de explosão ou os motores eléctricos, de acordo com as necessidades, ainda o híbrido paralelo, quando se dá prioridade ao motor de combustão para poupar a carga da bateria, deixando para as situações de clara necessidade o recurso aos motores eléctricos, e também, como terceira opção, o modo ZEV, circulando apenas graças à propulsão permitida pelos motores eléctricos sem qualquer tipo de emissões.

Bom... na verdade há ainda uma quarta possibilidade, isto porque o Mitsubishi Outlander PHEV permite o modo “Charge” através do qual é possível utilizar o gerador através do motor térmico. Pode fazê-lo em andamento ou mesmo com o carro parado. Neste caso, terá que deixar o carro a trabalhar, neste modo “Charge”, e sem nada ligado no interior do habitáculo, como ar condicionado ou auto-rádio, o Mitsubishi Outlander PHEV consegue recarregar em uma hora 80% da bateria à custa de pouco mais de cinco litros de gasolina. A derradeira opção, porventura a mais normal, é ligar o cabo fornecido para o carregamento da bateria numa qualquer tomada preferencialmente com ligação à terra o a bateria ficará carregada no espaço de cinco horas.

Um detalhe a ter em conta nesta acção de carregamento tem a ver com o local utilizado, isto porque os amigos do alheio podem sempre interessar-se pelo cabo de carregamento, mesmo que este sirva para pouco mais do que um mero “troféu de caça”. O facto do cabo não ficar preso ao Mitsubishi Outlander PHEV, mesmo quando trancamos o carro, deixa-o vulnerável a desvios pelos amigos do alheio.

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À margem do carregamento da bateria neste Mitsubishi Outlander, há ainda a capacidade deste modelo em regenerar energia. Para isso convém ganhar o hábito de trabalhar com as patilhas de controlo da caixa de dupla embraiagem, colocadas atrás do volante, e através das quais é possível utilizar ao mínimo os travões e garantir a regeneração de energia. Estamos assim perante um modelo automóvel aparentemente de tração dianteira, que pode transformar-se numa tracção 4x4 automática ou bloqueado neste modo, com o motor eléctrico traseiro a oferecer tracção a esse eixo. O sistema gere tudo de forma perfeita e em incursões fora de estrada o Outlander PHEV é mesmo capaz de compensar possíveis falhas de tracção em pisos mais escorregadios.

Mantendo o modo ECO, o Outlander PHEV vai até aos 120 km/h a gerir de forma perfeita a utilização dos três motores, oferecendo uma autonomia de meia centena de quilómetros em modo puramente eléctrico. Acima dos 120 km/h, uma situação que deverá ser naturalmente excepcional devido às imposições do código da estrada, entra em acção predominante o bloco de 2.0 litros a gasolina que, além de melhorar a performance, faz trabalhar o gerador que carrega as baterias para alimentar os motores eléctricos. Com uma gestão electrónica apurada, o sistema PHEV, no modo ECO, procura sempre a melhor solução perante as necessidade de condução. É ainda possível apontar à poupança da bateria, bastando para tal carregar no botão “Save”, garantindo desse modo que o sistema híbrido preserve a carga da bateria.

Consumos e preço aprovados

Últimas notas para os consumos, e o preço deste Mitshubishi Outlander PHEV, modelo que faz cerca de 50 quilómetros em modo eléctrico, se a condução for regular feita por um condutor consciente de que vai ao volante de um híbrido, avançando depois o motor a gasolina de 2.0 litros. Deste modo, acredite que irá fazer a primeira metade da centena de quilómetros com pouco mais de um litro de gasolina, média compensada na segunda metade desses mesmos cem quilómetros, aqui com consumos a rondar a dezena de litros por cem quilómetros. No final, a média ponderada numa viagem de distância média entre os 100 e os 200 quilómetros permitirá o registo de sete a oito litros a cada centena de quilómetros.

Com uma gestão cuidada dos percursos, e com solicitações ao nível de acelerações e travagens pensadas e executadas sem atitudes bruscas, o consumo deste modelo justifica claramente o investimento num carro mais caro, para uma aquisição que aconselha algumas contas prévias para avaliar da racionalidade da compra.

Afinal, estamos perante um modelo com um preço na ordem dos 43 mil quilómetros, um valor que poderá ser abatido fortemente com a utilização em face de um consumo menor do que aquele que é permitido por modelos similares de outros construtores com tecnologias de propulsão convencionais. Estamos assim perante uma proposta da Mitsubishi a ter em conta para uma utilização completamente racional das novas tecnologias dos motores automóveis.

texto e fotos: Jorge Reis

 

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