Face à menor disponibilidade que o Renault Talisman tem evidenciado para chegar mais longe no mercado, o construtor francês “chamou” o Mégane Grand Coupé que tem tudo para garantir uma prestação positiva, mesmo num mercado que lhe é adverso já que em Portugal as preferência vão para as carrinhas ou os modelos ditos hatchback.

Na verdade, quando se diz que algumas cores não vendem no mercado português por uma questão de gosto, é certo que o gosto é subjectivo mas as tendências acabam por ditar leis, e se isso funciona para as cores também dita o destino de modelos ou de variantes. Vem isto a propósito do ensaio que realizámos ao Renault Mégane Grand Coupé, um modelo que agradou sobremaneira no testdrive que nos foi permitido pela marca e que, se por acaso não vingar no mercado luso, isso apenas será justificado pelas preferências dos portugueses que normalmente preferem carrinhas ou berlinas, ignorando quase sempre os sedans, ou modelos de três volumes, pelo menos nos segmentos mais baixos.

Depois da apresentação do modelo que fizemos aqui anteriormente quando o mesmo foi revelado à Imprensa nacional, e porque nessa altura não houve oportundiade de o testar devidamente, ficou deste lado alguma curiosidade relativamente à impressão que o Mégane Grand Coupé iria permitir no respectivo ensaio. E a verdade é que, pelo que pudemos agora verificar, se o Renault Mégane Grand Coupé conseguir ultrapassar as tendências do mercado, tem tudo para ser vencedor, desde o conforto à qualidade, passando pelo espaço interior e a bagageira, mas também pelo comportamento dinâmico irrepreensível e capaz de permitir a paixão do condutor mais céptico ou da família assumidamente necessitada de espaço e de um automóvel capaz.

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Aparentemente igual ao Renault Mégane dito “convencional” na secção dianteira, ou até mesmo ao pilar C, é aí que começa a diferença, sendo possível encontrar uma bagageira de capacidade generosa de 550 litros, afinal maior do que aquilo que oferece este modelo na variante de cinco portas em mais 166 litros (e até mesmo em mais 29 litros do que carrinha), num automóvel que, na verdade, tem diferenças antes daquele ponto de fronteira. 

FICHA TÉCNICA


Renault Mégane Grand Coupé

MOTOR
1.5 TCe 130CV
205 Nm
1197 cm3
Auto-Start-Stop
Transmissão Manual 6 velocidades 4x2
Gasolina


HABITÁCULO
Estofos em Tecido
Sistemas de fixação ISOFIX
Airbag do passageiros desconectável
Airbags de cortina para protecção da cabeça num embate lateral

DIMENSÕES E PESOS
Comprimento/largura - 4630/1814 milímetros;
Distância entre eixos - 2711 milímetros;
Peso bruto - 1861 kg;
Bagageira - 550 litros;


PRESTAÇÕES
Velocidade máxima - 200 km/h;

PREÇO
TCe 130 – 24.230 Euros;

Com uma maior distância entre eixos (42 mm), a habitabilidade permite maior espaço para os ocupantes, seja nos bancos dianteiros ou traseiros, e se dermos conta que o comprimento global desta proposta é maior em 273 milímetros do que na versão “normal” de cinco portas, torna-se fácil perceber que as cotas referentes ao espaço para condutor e “pendura” mas também para os passageiros dos bancos traseiros sejam claramente mais favoráveis ao conforto.

Curiosamente, numa análise simplista, poder-se-á dizer que este Renault Mégane Grand Coupé será um adversário de peso da proposta “seguinte” na própria marca, nomeadamente o Talisman, modelo lançado para entrar na luta com as propostas das marcas germânicas e que, a exemplo do que aconteceu com o Laguna no passado, não conseguiu até agora a melhor prestação nesse objectivo. É caso para dizer que se o cão não soube morder, há que ensinar o gato a arranhar a sério e, perante isso, o Mégane Grand Coupé, com uma imagem requintada, e um preço naturalmente mais acessível – o Talisman com o mesmo nível de equipamento, ou quase, tem um preço cerca de seis mil euros superior –, poderá conquistar uma franja de mercado à qual o Talisman não chegou, nomeadamente com o acesso a algumas frotas ou utilizações comerciais.

Aliás, com a adopção legal da norma WLTP e as consequências desse facto nos preços dos automóveis, o Talisman deixa de estar disponível para empresas abaixo dos 25 mil euros, o que poderá permitir a penetração no mercado deste Mégane Grand Coupé, sem dúvida mais distintivo e elegante do que o Mégane até aqui conhecido no mercado nacional.

Deste modo, ao olharmos para este “três volumes” da Renault, facilmente imaginamos o modelo com o smartphone “pendurado” nas entradas de ar para o habitáculo e o condutor a cumprimentar a nossa entrada como se estivéssemos perante um qualquer veículo da Uber. E a julgar pela qualidade do automóvel estaria meio caminho andado para uma classificação de cinco estrelas no final do hipotético trajecto.

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Para quem pensar que o agrado permitido por este Mégane Grand Coupé resulta apenas do espaço interior e das linhas sedutoras, a verdade é que o próprio comportamento é irrepreensível e também por isso apaixonante. Com um centro de gravidade mais baixo, o comportamento dinâmico merece também aqui as cinco estrelas referidas atrás, para um automóvel que responde a preceito mesmo quando o condutor resolve ousar um pouco mais na velocidade ou nas trajectórias e entradas em curva, e sempre com um nível de insonorização assinalável no habitáculo.

Restará referir que Mégane Grande Coupé, testado por nós na variante TCe 120, tem um preço que começa nos 24.230 euros exactamente para esta versão e nos 27.330 euros para a dCi de 110cv. Por norma pouco procuradas para o mercado das frotas, haverá ainda assim quem prefira as versões equipadas com caixa automática EDC a partir dos 28.730 euros (TCe 130 EDC) e 28.830 euros (dCi 110 EDC). Todos estes valores tornam-se ainda mais aliciantes para ENI’s ou empresas pela capacidades que estes possuem em abater pelo menos numa parte considerável a carga fiscal associada à compra do veículo.

ensaio: Jorge Reis

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