ACP-CB 01"Não devo nada a ninguém e não tenho telhados de vidro!" Assim, frontal, Carlos Barbosa explicou em entrevista uma forma de estar peculiar e um discurso sem papas na língua . Ao LusoMotores, o presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP) deu conta da realidade deste que é o maior clube português, poucos meses depois de um acto eleitoral que o reconduziu na liderança do ACP, mas que esteve longe de ser sufrágio pacífico, com as duas listas, nomeadamente a lista A, de Raposo de Magalhães, e a lista B, liderada por Carlos Barbosa, a trocarem argumentos nem sempre de forma tranquila, com ataques de um e outro lado, que levaram mesmo algumas questões para tribunal com o aparecimento de providências cautelares.

Apontando a dedo nomes como os de João Gabriel, assessor de comunicação do Sport Lisboa e Benfica que terá, segundo Carlos Barbosa, "orquestrado" a campanha da lista A de Raposo Magalhães, lado a lado com o jornalista Luís Caramelo e o deputado do PSD Duarte Marques, relativamente aos quais deixou fortes críticas, extensivas ainda aos pilotos Rui Madeira e Pedro Matos Chaves, elementos que integravam a lista A, Carlos Barbosa não poupou críticas, falando mesmo em cobardes e afirmando que aqueles que lhe fizeram oposição utilizaram o jornal Correio da Manhã como "órgão oficial" dos opositores à sua continuidade à frente do ACP.

Defensor da importância das redes sociais, Carlos Barbosa, também ele com presença nas principais redes como o Facebook, Twitter e outros, determinou a presença do próprio Automóvel Club de Portugal "em todas as redes". A polémica, porém, também aparece em redor deste tema, com Carlos Barbosa a acusar a oposição de ter construído perfis falsos para o atacarem nas redes sociais.

"Pusemos segurança a mais
no Rally de Portugal"

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Tema forte da entrevista com Carlos Barbosa foi a realização do Vodafone Rally de Portugal este ano no norte do país, depois de vários anos da prova no Algarve. Olhando para trás, o presidente do ACP destaca o sucesso da organização da prova portuguesa do calendário do Mundial de Ralis (WRC), ainda que assuma agora que à partida para esta edição estava apreensivo, consciente de que o rali iria ter muito púlbico, com uma paixão enorme relativamente ao desporto automóvel, que poderia complicar o normal decorrer da prova. Aliás, por via disso, Carlos Barbosa faz uma revelação curiosa: "Pusemos segurança a mais no Rally de Portugal, que depois se veio a verificar que não era necessária, mas isso ficou a dever-se à necessidade que tivemos em prevenir possíveis problemas!"

"Para o ano será possível colocar um pouco menos de segurança para reduzirmos os custos, mas isto também porque percebemos que o público sabe que no dia em que houve um problema a sério, o Rally vai-se embora", explicou Carlos Barbosa para quem "a mensagem que o ACP fez passar nos meses anteriores foi percebido pelo público e tudo correu bem até no ponto de vista desportivo".

À margem do Rally de Portugal, o desporto automóvel foi tema abordado por Carlos Barbosa, para quem "as corridas não são apelativas porque o parque automóvel em Portugal também não é apelativo". "Vamos ver os carros nas provas e são sempre os mesmos, não havendo evolução nem 'bombas', e sem evolução as coisas não são apelativas", acrescentou o presidente do ACP apontando como explicação para esta realidade o facto do desporto automóvel ser "muito pouco apoiado". "A FPAK não tem apoio do Estado porque 50% do dinheiro do Estado é para o futebol, as televisões não apadrinham as corridas e, com tudo isto, o desporto automóvel é um parente pobre do desporto", frisou Carlos Barbosa segundo o qual "a própria Comunicação Social não apoia o automobilismo".

"Quem está no Turismo de Portugal
não tem a noção do que é o Turismo"

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Ainda em redor da realização da última edição do Rally de Portugal, este evento permitiu ver dois lados da barricada, com o ACP a situar-se de um lado e o Turismo de Portugal no lado oposto, muito por forma da inexistência de apoios por parte do Turismo de Portugal à prova portuguesa do calendário mundial de ralis WRC. Por via disso, Carlos Barbosa apontou agora críticas também às pessoas que estão actualmente à frente do Turismo de Portugal e da Secretaria de Estado do Turismo, de quem disse não terem a noção do que é o Turismo, convidando-as até com alguma ironia para que prossigam nesse caminho, "à espera que o McNamara faça mais uma onda para poderem dar mais uns cobrezinhos para o surf".

Cotrim Figueiredo e Luís Matoso, personagens "chave" no Turismo de Portugal, merecem mesmo o epíteto de "incompetentes" da parte de Carlos Barbosa que afirma ainda que não precisa para nada do Turismo de Portugal.

"Eu não tenho nada contra o surf, o McNamara tem feito um excelente trabalho na promoção de Portugal e na promoção da Nazaré, mas não vamos comparar um Mini com um Rolls Royce porque estamos a falar de coisas totalmente diferentes. O problema em Portugal continua a competência e, neste momento, quer o ministro da Economia, quer o secretário de Estado, quer as demais pessoas que estão à frente do Turismo em Portugal não são competentes para o lugar que ocupam!"

A "burrice" dos presidentes do futebol...

Outros temas, como o relacionamento do ACP com a autarquia de Lisboa, ou a actualidade do futebol português, entre outros, mereceram ainda algumas opiniões de Carlos Barbosa que, sobre Lisboa, lembrou, entre outras coisas que a poluição no centro da capital não baixou porque os transportes públicos continuam a poluir mais do que todos os demais veículos. A propósito da mobilidade na cidade de Lisboa, Barbosa criticou a edilidade afirmando que deveriam ser profissionais a determinar os caminhos e soluções para as questões da mobilidade.

Sempre olhando em frente, como alguém que caminha determinado dando o peito às balas, o discurso de Carlos Barbosa manteve o mesmo registo, afinal como o fez antes quando, ainda durante a campanha que antecedeu as eleições para a presidência do ACP, viu os presidentes dos três grandes clubes do futebol português, em uníssono, manifestarem apoio no outro candidato, o líder da lista A. Apesar disso, Carlos Barbosa seguiu em frente e ganhou mesmo as eleições, depois de uma situação que classifica agora de "uma burrice".

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"É uma estupidez do futebol querer meter-se no ACP e foi uma burrice dos três presidentes quererem apoiar quem quer que seja. Eu nunca me passaria pela cabeça pedir a um presidente do futebol para me apoiar nas eleições, mas percebo... o Bruno de Carvalho é normal porque tinha sido derrotado por mim nas eleições para o Sporting, o Luís Filipe Vieira creio que foi enganado pelo João Gabriel e o Pinto da Costa, fê-lo porque é amigo do Matos Chaves. Depois, o Rui Rio, porque o chamei mentiroso já que tinha faltado à palavra e por via dele demorou mais tempo ao Rally de Portugal vir para o norte, também se juntou ao coro", explicou Carlos Barbosa que, ainda assim, venceu mesmo as eleições: "Consegui uma coisa boa que foi juntar os três presidentes em redor do mesmo propósito, o que é raro e inédito, mas todos eles, também com o Rui Rio, foram esmagados!"

Com o diálogo em redor do futebol, Carlos Barbosa não deixou de abordar a realidade do seu clube, o Sporting, que disse estar "numa situação dramática", criticando a gestão de Bruno de Carvalho, nomeadamente pela forma como geriu o processo em redor de Marco Silva, defendendo a necessidade de que seja feita uma auditoria ao mandato de Bruno de Carvalho quando este terminar em Alvalade.

Acompanhe então, na íntegra, a entrevista de Carlos Barbosa, que convidamos a que partilhe pelos seus amigos, e não deixe de a comentar aqui mesmo ou através das páginas oficiais do LusoMotores nas redes sociais Facebook ou Twitter.

texto: Jorge Reis 

http://www.youtube.com/watch?v=YfuhV5he5jw

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