8Z9A9368Com 2013 a terminar, o LusoMotores foi conversar com João Seabra, Director Geral da Kia Portugal, sobre a realidade da marca após... "um ano de viragem". Ao longo da entrevista agora publicada, o nosso interlocutor não fugiu a qualquer questão, abordando o estado da Kia em Portugal após um ano que agora termina e em relação ao qual, assumiu, foi feita uma primeira abordagem menos acertada, isto porque acreditou que em 2013 iríamos assistir à continuação da queda do mercado, algo que não aconteceu, verificando-se antes uma subida nas vendas, ainda que muito ligeira. 

Pode acompanhar aqui a entrevista de João Seabra ao LusoMotores onde nos dá conta dos motivos que o levou a estabelecer a estratégia para 2013, um ano que resultou diferente do esperado... 
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Depois de 2012 ter sido claramente um ano em que o mercado "bateu no fundo", 2013 era inicialmente antecipado pelos responsáveis da Kia como “negativo”, acreditando que a queda do mercado iria continuar. Porém, João Seabra prefere agora apontar o corrente ano como um “ano de viragem”, na sequência de uma época não de crise, mas de ajustamento.

"Aquilo que vivemos nos últimos três anos não foi uma crise mas antes um ajustamento, o que quer dizer que o mercado não vai voltar agora, repentinamente, aos valores que nós tínhamos em 2008 ou 2010", considera o nosso interlocutor, para quem "o próximo ano vai ser um bocadinho melhor do que este, continuando a ser um dos anos mais difíceis" que será ainda necessário enfrentar. Depois, nos próximos anos, e porque o ajustamento foi feito, defende que “vamos recomeçar um processo, ‘step by step’, com degraus pequeninos, de recuperação do mercado”.

“O particular poderá começar a voltar ao mercado, algo que para a marca Kia é uma situação fundamental para recomeçarmos o nosso crescimento, isto porque o grande peso das nossas vendas está ainda no mercado dos particulares”, acrescenta ainda João Seabra antes de assumir que, em termos de objectivos, havia no início do corrente ano maior ambição do que aquilo que acabou por ser alcançado pela Kia, mas reconhece que o primeiro trimestre do ano “correu mal”.

8Z9A9425“Não tivemos a abordagem mais apropriada para aquilo que o mercado queria”, acrescenta ainda este responsável da Kia recordando a forma como foi proposta a segunda geração do Kia Cee’d em que o preço incluía cinco anos de manutenção do veículo, um estratégia que teve que ser revista. Por via dessas e outras realidades, João Seabra reconhece agora que não está contente com o que foi conseguido, até porque a Kia está, em termos estatísticos a registar uma queda nas vendas em relação a 2012. Ainda assim, também aqui há uma explicação: "Este ano decidimos que não fazíamos vendas para o rent-a-car, e este ano o rent-a-car pesa entre 20 e 25 porcento nas vendas dos ligeiros de passageiros. Nós decidimos não fazer vendas nesse sector porque pensámos que ia continuar este ano a queda no mercado".

Assim, já em 2014... "Voltaremos ao mercado de rent-a-car, continuando a política que tínhamos anteriormente. O rent-a-car, nas nossas vendas, nunca ultrapassará os 10 por cento", acrescenta João Seabra no final de um ano que, em termos práticos, e à excepção da nova geração do Kia Cee'd SCoupé, foi passado sem o lançamento de qualquer outro novo modelo na Kia. Ainda assim, o responsável máximo da Kia Portugal entende que esse não terá sido um problema efectivo, até porque, lembra, a Kia possui "uma gama toda nova". "Neste momento não precisamos de carros novos. Temos agora é que capitalizar a extraordinária gama de modelos que temos", destaca.

Kia Carens será lançado como crossover

O ano de 2014 deverá ser marcado, para a Kia em Portugal, pelo lançamento do novo Kia Carens, um modelo que irá chegar ao mercado posicionado pelos responsáveis da marca como um crosover... 
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No diálogo sobre os modelos Kia, o Kia Rio, o noco Cee'd ou mesmo a presença do Optima no mercado português não foram esquecidos, mas a surpresa surgiu em redor da próxima novidade da marca, o novo Kia Carens, modelo cujo lançamento foi adiado para o segundo trimestre de 2014, e em novos moldes como revela João Seabra: " O Kia Carens será lançado não como um monovolume, mas como um crossover, (…) com um preço abaixo dos 30 mil euros, sete lugares e um motor 1.7 de 136 cv, sendo mais uma carrinha elevada do que um monovolume quadradão”.

O Kia Carens será assim o próximo modelo da marca coreana a chegar ao mercado português, numa altura em que a crise (ou o ajustamento) continua ainda assim a fazer-se sentir, ainda que de uma forma menos intensa do que em 2012, num país em que as marcas premium estão no topo da pirâmide com um sucesso que é explicado pelo nosso interlocutor: "O sucesso das marcas premium não me surpreende nada. Quanto mais encolhe o mercado, mãos o peso das marcas premium sobe porque esses clientes são os últimos a sofrer as consequências da crise".

"À medida que o mercado for recuperando pouco a pouco, a quota das marcar premium vai naturalmente cair, não porque vendam menos, mas porque o peso nas vendas totais é menor porque as marcas generalistas vão vender mais", acrescenta ainda João Seabra para quem o mercado dos particulares é importante, mas que garante que a Kia não irá abdicar das vendas a frotas.

8Z9A9289"A Kia tem feito um forte investimento para poder dar a conhecer às frotas, às empresas que têm frotas automóveis, a qualidade dos nossos produtos e a capacidade que temos de ser opção. Nos vários segmentos de viaturas que as empresas precisam, podemos ser uma opção credível em qualquer um dos segmentos", explica João Seabra para quem o negócio nas frotas, além de ser "extraordinariamente competitivo", não é definido apenas por uma questão de preço... "É também uma questão de confiança, é uma questão que passa por haver um conhecimento mútuo entre as empresas, e isto demora tempo".

"Isto é um processo demorado para nós fazermos a prova da nossa qualidade, mas já começámos a inverter a tendência porque ganhámos a nossa primeira frota significativa de viaturas, com 60 unidades, com o Kia Rio para uma empresa de material médico, e ganhámos aos grandes concorrentes como a Renault, Volkswagen, etc. Ganhámos a primeira frota com o Kia Rio, e depois disso ganhámos uma segunda frota com o Kia Cee’d de 10 unidades. Demorámos três anos a abrir uma porta, e às vezes o difícil é fazer o primeiro negócio, e nós temos a certeza que o cliente vai ficar satisfeito com os nossos carros", garante.

"Objectivo para 2014: dois por cento!"

Com o regresso aos dois por cento de quota de mercado em 2014 como desejo assumido, João Seabra fechou a entrevista com o LusoMotores com um desejo: "Ainda estamos a jogar na II Divisão, e se calhar vamos subir à I Divisão"  
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Na segunda metade da entrevista, ainda com muitos assuntos a abordar, João Seabra dá-nos conta da realidade da rede de concessionários da Kia em Portugal, volta a abordar o lançamento do novo Kia Carens, sobre o qual confessa estar a dar "muito gozo" projectar o lançamento do modelo como um crossover, antecipa um "ligeiro facelift" para o Sportage e ainda a chegada da versão a GPL para o Picanto, entre outras "pequenas novidades".

A realidade da estrutura da Kia Portugal, enquanto empresa portuguesa com o accionista espanhol, numa altura em que muitas marcas estão a "deslocalizar" estruturas para o país vizinho, foi outro dos temas abordados por João Seabra, que assumiu o interesse do Grupo Bergé, accionista, em "ficar com mais representações em Portugal".

"Nós temos a capacidade em Portugal de representar muito mais marcas, porque temos toda uma estrutura de logística e de backoffice, administrativo e financeiro, preparada para representar as marcas que forem precisas, porque sabemos criar equipas autónomas a nível de vendas, marketing, etc, para cada um dos negócios que possam surgir nesta área", afirma ainda João Seabra deixando uma garantia: "Há alvos apontados, e não posso dizer mais nada para já!"

Questões como as contas do Orçamento do Estado, que obrigam a olhar a realidade do mercado automóvel no próximo ano com algum cuidado extra, e que João Seabra garante que estão a ser vistas "como uma oportunidade", e a definição dos objectivos da marca em termos de quota de mercado, depois de um ano cuja abordagem foi feita de um modo "muito conservador", e que resultou, afinal, num erro de cálculo por via de uma "decisão tomada em Conselho", foram temas do diálogo já em recta final. A quota desejada para 2014, aliás, foi assumida por João Seabra de forma taxativa: "O objectivo é voltar aos dois por cento (2%)".

8Z9A9424Todos estes tópicos resultam da entrevista concedida ao LusoMotores por João Seabra, a qual pode ser acompanhada aqui no seu registo áudio, através do acesso aos respectivos módulos, mas também na presença do LusoMotores nas redes sociais, quer no Facebook quer também no Twitter onde, recorde-se, também a Kia está presente com os seus canais próprios.

Em jeito de remate do diálogo com João Seabra, ficou o assumir do optimismo, mas com os pé sempre bem assentes na terra: "Eu estou optimista mas isto é para ir devagarinho, para termos um ano um bocadinho melhor do que o anterior, mas tendo a certeza de que vamos ter um ano muito complicado. Na marca Kia, e apesar de este ano, estatisticamente, parecer que estamos em perda, estamos extremamente optimistas porque a marca tem mais prestígio, tem mais valor, tem mais reconhecimento, as pessoas estão cada vez mais conscientes das qualidades que a marca tem, e eu acredito que, muito rapidamente, à medida que o cliente particular regressar, as nossas vendas vão subir progressivamente. E como já abrimos a porta do canal de frotas, estamos em condições de podermos preparar um próximo salto qualitativo em termos da nossa presença no mercado. Nós ainda estamos a jogar na segunda divisão, e se calhar vamos subir à I Divisão!"

entrevista: Jorge Reis
fotos: Carlos Patrão/LusoMotores 

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