IMG 9192Presença assídua desde há muito no pódio das vendas no mercado luso, a Peugeot é um barco que requer um timoneiro atento e meticuloso , que dê à marca a capacidade de resposta aos desafios que tempestades mais ou menos inesperadas possam impor, mas também lhe confira um rumo calculado, antecipando problemas e encontrando respostas. Fomos por isso dialogar com esse timoneiro, Alfredo Amaral, Director Geral da Peugeot Portugal desde há pouco mais de um ano e que tem a seu cargo a responsabilidade de levar a marca do Leão a bom porto, num mar conturbado e tempestuoso como é aquele que pode retractar a realidade do sector automóvel em Portugal.

Acompanhe aqui a entrevista de
Alfredo Amaral, em discurso directo
para o LusoMotores
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Alfredo Ferreira do Amaral, agora com 56 anos, estudou Gestão na Universidade Católica de Lisboa, mas também em Espanha, preferindo definir-se a si mesmo como autodidacta dos automóveis, pelos quais se assume também como um apaixonado. Em termos de carreira, começou o seu percurso profissional na Renault, na Direcção Industrial, ligado à qualidade de montagem, transitou depois para a UMM, com a responsabilidade pelo desenvolvimento de componentes mas também pelas compras técnicas de componentes, naquele que classifica hoje como um dos desafios que mais valoriza na sua carreira, passando entretanto pela Mocar, com intervenção no processo que permitiu a chegada da Peugeot a Portugal, em 1995, altura em que, naturalmente, ingressa na Peugeot propriamente dita. Inicialmente assumindo a Direcção da Sucursal de Carnaxide, Alfredo Amaral rumou a França, sendo-lhe atribuídas responsabilidades nas operações do construtor na América Latina, com particular incidência no Brasil e Argentina. Regressou mais tarde a Portugal, para a Direcção Comercial da Peugeot Portugal, acabando por assumir a respectiva Direcção Geral em Abril de 2012.

Em termos de mandato, o agora Director Geral da Peugeot Portugal começou as suas funções com a necessidade de dar resposta à mudança de instalações da sede da marca desde Carnaxide para Sacavém, passando a marca do Leão a partilhar instalações com a outra marca do Grupo PSA, a Citroen, numa acção que foi mais do que uma simples mudança de instalações. Como o próprio Alfredo Amaral frisou na entrevista que nos concedeu, a aposta na colocação da marca em Sacavém teve a ver com “uma reordenação, determinada pelo Grupo, para a forma como as marcas devem estar em termos de filiais comerciais, e como devem ser integradas as competências para fazer face às necessidades comerciais”.

“Identificámos uma série de competências partilhadas por cada uma das marcas que fazem parte do Grupo que resultavam basicamente numa duplicação. Começámos então a desenvolver uma ideia que apontava para a possibilidade de algumas áreas poderem ser partilhadas, nomeadamente a formação, os estudos de mercado ou a contabilidade, entre outras. Foi criada uma Direcção de ‘métiers’ partilhados, deixando às marcas aquilo que é o seu ‘core’ e verdadeiramente operacional. Dentro disso, e para que pudesse ser conseguida uma melhor eficácia operacional, decidimos juntar tudo, mas ao mesmo tempo optimizar o nosso património imobiliário já que este edifício permitia esta união. O nosso Banco pôde mudar-se para o edifício em que estávamos e nós pudemos ocupar este espaço em que nos encontramos”, explicou o nosso interlocutor.

“O grande ano horribilis
no sector automóvel foi 2012”

Peugeot208Olhando para o momento presente do mercado automóvel, no final do primeiro semestre de um ano que chegou a ser apontado por muitos observadores como o ano “horribilis” para o sector automóvel, pedimos a Alfredo Amaral um balanço possível para os seis meses entretanto decorridos, questionando se de facto estamos perante um ano “horribilis” ou se, afinal, a realidade é mais positiva do que se poderia pensar inicialmente e a resposta começou com uma certeza: “O grande ano horribilis foi o de 2012”.

“Este ano, a julgar pelos números conhecidos, parece que o mercado está estável. O problema está na forma como o mercado está constituído e cada um dos canais dentro do mercado – particulares, empresas, rent-a-car – tem a sua rentabilidade. Ora, havendo uma diminuição abrupta daquilo que é o mercado de particulares, que é esse que constitui a grande diminuição deste ano, para 21 a 22 por cento do mercado contra 27 a 28 por cento do que era no ano passado, seis pontos percentuais a menos, Peugeot2008-03isso tem um impacto forte sobre a rentabilidade, e sem essa rentabilidade temos que nos readaptar rapidamente, tanto na forma como temos que explorar outros canais, como na forma de comercializar”, explicou Alfredo Amaral.

A realidade do mercado obriga qualquer marca a repensar a sua presença no mercado aos mais diversos níveis, e nomeadamente na forma como é estabelecida a rede de concessionários. Isso mesmo está a acontecer com a Peugeot que, tal como refere o seu Director Geral, irá manter a sua representatividade com o mesmo número de pontos a nível nacional, mas com um “peso” distribuído de outro modo.

Os lançamentos de modelos como o 2008, “que superou todas as expectativas”, a aposta de uma “business line” para o Peugeot 508, mas também o lançamento que se promete com particular atenção para o 308, que chegará até nós no último trimestre do corrente ano para dar uma força global à marca, no único segmento em que ainda existe uma falha na gama a eliminar exactamente com o 308, irão permitir à Peugeot um posicionamento global num mercado que Alfredo Amaral faz questão de olhar de uma forma muito “microscópica”, tal como o próprio define.

“Números do mercado demoram
quatro meses a serem conhecidos”

Peugeot-508-SWA forma como o mercado automóvel é analisado, e a ausência de ferramentas efectivas que permitam dar dados concretos sobre a evolução do mercado, isto porque os números efectivos das vendas são apenas conhecidos com um intervalo de três a quatro meses, merecem da parte de Alfredo Amaral críticas sérias.

“Não temos entidades oficiais que nos dêem estatísticas fundamentadas, reais, a tempo, que permitam, a partir delas, tirarmos o melhor partido possível desse tal mercado”, afirma este responsável, frisando que não está a falar propriamente da ACAP, mas sim das entidades que têm a possibilidade de reunir de facto os dados importantes sobre o sector.

“À data de hoje, no século XXI, existem sistemas de informação muito performantes para que, um carro que é matriculado hoje, seja possível saber onde foi matriculado, a quem, de que marca e para onde. Tudo isto está escrito num documento único, esse documento tem toda a informação que é necessária, e não consigo compreender como é que só temos acesso a todo este tipo de informação três ou quatro meses depois. Instantaneamente, não temos como saber quantos carros estão a ser registados no Porto ou em Lisboa, e existem entidades que recolhem e têm essa informação que a deveriam colocar ao serviço dos operadores”, explicou.

“Gama coerente, forte e moderna,
para 9,5% de quota de mercado”

IMG 9191A fechar o corrente ano, a Peugeot deverá lançar a nova geração do Peugeot 308, modelo que, depois do mais pequeno 208, para o segmento B, surgirá certamente como o modelo mais importante na estratégis de mercado da marca do Leão. Como o próprio Alfredo Amaral fez questão de destacar, o novo 308 é destinado ao mercado empresarial mas também aos particulares, e a forma como será proposto aos diferentes canais será feita com particular cuidado e atenção, tendo por base aquilo que a marca aprendeu com a comercialização do 2008, mas muito mais do que apenas isso, prometendo o nosso interlocutor que o novo 308 irá chegar com todas as respostas “de A a Z” para poder ser proposto devidamente ao mercado nos diferentes canais, dentro de uma gama que, frisou, apresenta uma “força enormíssima”.
Peugeot-308“Com o 308, conjuntamente com o 2008, o 208 e o 508, temos uma gama que tem uma força enormíssima e, para mim, nunca vi na Peugeot uma gama tão coerente, tão forte e tão moderna como aquela que iremos conseguir”, destacou o Director Geral da Peugeot Portugal, que ambiciona uma quota de mercado de 9,5 por cento.

E no remate do diálogo com o LusoMotores, solicitado a deixar uma mensagem para o potencial cliente Peugeot, Alfredo Amaral deixou uma garantia: “Um cliente nosso pode ter a certeza que a experiência de conduzir é qualquer coisa que traz o automóvel para a emoção, mas que ao mesmo tempo, e por detrás, tem a qualidade, a exigência e a seriedade que pomos nos nossos produtos”.

texto: Jorge Reis

Comercial de sucesso
"made in Portugal"

"Aposta nos canais online
é para continuar!"

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No diálogo com Alfredo Amaral, mas também com José Barata, Director de Comunicação da Peugeot Portugal, que acompanhou a entrevista, um assunto incontornável acabou por ser a produção em Portugal do comercial Partner que no passado mês de Abril foi notícia pela entrega à PT de uma frota de 450 unidades. A produção portuguesa é, afinal, algo de louvar na Peugeot e no Grupo PSA, e numa altura em que por vezes tanto se fala de deslocalizações, a julgar pelas palavras do Director Geral da Peugeot Portugal, a unidade de Mangualde do Grupo PSA de onde saem estes comerciais está por cá de pedra e cal.

J.R.

Nos tempos que correm, a aposta na publicidade é inevitável como sempre tem sido, mas os meios através dos quais as marcar chegam ao consumidor são hoje bem diferentes daqueles que eram há alguns anos atrás. Entre as novidades, a aposta no "online" tem vindo a crescer também no seio da Peugeot, uma marca que não passa ao lado das redes sociais, aparecendo com página oficial no Facebook, mas que se preocupa também em estar presente em outros canais que, na Internet, lhe permitem estar mais perto dos seus potenciais clientes, informando e promovendo a sua imagem e os seus produtos.

J.R.

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