FranciscoMorais-2013-02Olhando para a realidade nacional do sector automóvel, numa altura em que deixámos já para trás o primeiro trimestre de 2013, quisemos saber como está a Kia em Portugal num ano que muitos dizem ser o ano "horribilis" para o sector. Para isso, fomos dialogar com o responsável de maketing da marca, Francisco Morais, que nos traçou um retrato consciente de uma marca que, garante, tem cumprido os objectivos a que se tem proposto. Numa entrevista de fundo, de que damos conta aqui na sua primeira parte, ficou claro que a confiança no futuro está presente junto dos responsáveis da Kia Portugal apesar de todas as contrariedades que afectam o mercado luso.

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Relativamente nova no mercado europeu (se comparada com marcas com largas dezenas de anos de história), mas já com uma presença incontornável por força da afirmação dos últimos anos, a marca Kia tem cumprido os seus objectivos, encontrando-se mesmo a crescer de forma bem visível em termos mundiais, porventura em contraciclo com a realidade do sector automóvel que, nomeadamente na Europa, continuar a contrair.

O ano de 2013 será assim o ano "horribilis" para o sector automóvel, depois do ano de 2012 que não terá já sido muito diferente. Ainda assim, e no que diz respeito à marca Kia, Francisco Morais aponta alguns atributos da marca que a colocam bem posicionada, sendo certo, ainda assim, que nenhuma marca consegue ficar imune a uma realidade de quebra de mercado de aproximadamente 60 por cento em apenas dois anos.

"Estamos num mercado cada vez mais pequeno. Em dois anos o mercado caiu 60%, veio para mínimos que diria históricos, e é evidente que nenhuma marca estará imune a este tipo de quebras. Nos passámos de 2010, altura em que mercado de ligeiros de passageiros significava 220 mil unidades, para 2012 com 95 mil unidades, uma quebra de 57 a 58 por cento, e como é evidente, uma quebra desse nível em dois anos obriga a um conjunto de reestruturações da própria indústria e de todo o sector a que nenhuma marca pode ficar imune", explica Francisco Morais ao LusoMotores.

"Olhando para a realidade do que se passou em 2012, um ano que acabou por ser pior do que se perspectivava no arranque do ano, a Kia consegue, apesar de tudo, encontrar motivos para sorrir. "Se olharmos para os primeiros meses do corrente e compararmos com o que aconteceu nesse mesmo período do ano passado, verificamos que este ano o mercado não caiu. De qualquer modo, em 2012 os objectivos da Kia acabam por ficar aquém das expectativas porque são muito ambiciosos. De qualquer das maneiras, acabémos por cumprir o que tínhamos previsto", garante este responsável da Kia em Portugal.

Em 2012 a Kia vendeu qualquer coisa como 1900 unidades de ligeiros de passageiros, o que lhe permitiu encostar à fasquia dos dois por cento de quota de mercado. Era essa a fatia de mercado que a marca foi prevendo, e atingiu essa meta, que terá até sido melhor em termos práticos como explica Francisco Morais: "Das 95 mil unidades de ligeiros de passageiros com que se fechou o ano em 2012, nem tudo é vendas, e sabemos que eventualmente dez, quinze ou mesmo 20 por cento desses valores não representam efectivamente vendas, pelo que se não contabilizássemos essas "vendas" fictícias, estaríamos, para as nossas 1900 unidades vendidas, com uma quota de 2,5 por cento. Dentro dessa perspectiva cumprimos por tudo isso o nosso objectivo face ao ano que atravessámos."

Negando a existência no seio da Kia de qualquer programa de vendas em regime de exportação, Francisco Morais explica porque não alinha a Kia também nessa política: "Somos uma marca generalista e nova no mercado europeu e também para o cliente português, é um mercado de conquista e é com base nesses pressupostos que é feito o nosso volume. Agora, também é certo que sempre assim aconteceu e isso tem a ver com a realidade de cada uma das marcas. Estamos neste negócio e sabemos exactamente como é que as coisas ocorrem!"

Novo Cee'd - A renovação de um "best-seller"!

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No final de 2012, a Kia renovou o seu produto de bandeira, o Kia Cee'd, numa acção que obrigou ao escoamento das unidades da geração anterior. Quisemos por isso saber junto de Francisco Morais como correu essa acção de "run out". "Actualizámos a gama Cee'd no último trimestre de 2012. O "run out" da anterior geração foi feito com normalidade, dentro daquilo que eram as perspectivas do mercado e o ciclo do nosso produto, e o que acabámos por fazer foi o que estava planeado e que passou por fazer um lançamento conjunto da versão carrinha com a versão de cinco portas do Kia Cee´d", afirma Francisco Morais, recordando que foi já essa a política da marca quando em 2007 fez o lançamento da primeira geração do Cee'd para o mercado europeu.

Quanto à entrada dos novos modelos, significou, como recorda o nosso interlocutor, a primeira vez que a marca "renovou um best-seller, com tudo o que isso implica". "As coisas correram dentro do planeado, e está dentro do volume esperado de acordo com as circunstâncias da própria marca. O universo de clientes da Kia assenta sobre o cliente particular, pelo que cada venda significa um cliente. Neste caso, o cliente típico da Kia e das marcas generalistas é aquele que estará a ser mais afectado pela realidade económica que hoje vivemos pelo que se resume num mercado de conquista que temos vindo a trabalhar quase um a um. Dentro destes condicionalismos, o lançamento foi feito com a tranquilidade que nós prevíamos", garante.

Ainda assim, Francisco Morais antecipa "eventualmente para 2015" uma situação de "desafogo eventualmente maior para esse cliente padrão que define o cliente Kia", e nessa altura, "quando houver uma maior capacidade de resposta às ofertas que estarão no mercado nessa altura, a Kia estará em muito boa posição para dar resposta ao mercado nessa altura pois tem muitos argumentos para o fazer".

Entre os argumentos da Kia estará a oferta de garantia de 7 anos em toda a gama Kia, e agora também a oferta de cinco anos de manutenção para a nova geração do Kia Cee'd, algo que, segundo Francisco Morais, foram ofertas bem pensadas e que, no caso da oferta das acções de manutenção programadas, estas poderão mesmo ser alargadas a outros modelos ou a toda a gama de modelos Kia se assim for entendido positivo pela Kia Portugal - "É uma questão que estamos a analisar e que a breve prazo também daremos conta se for tomada qualquer decisão nesse sentido".

Kia Optima - Não é estratégico mas é importante!

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Olhando ainda para o que foi 2012 para a Kia, quisemos saber junto de Francisco Morais qual o balanço que faz da introdução no mercado do Kia Optima, outro modelo lançado pelo construtor coreano também em Portugal no ano passado que, tendo em conta a realidade do nosso mercado, e sendo este um modelo do segmento D, acaba por ser uma proposta de imagem da marca sem aspirações de volume.

"O Optima não é um produto estratégico para a Kia em Portugal mas é um produto importante. O carro tem tido uma aceitação brutal nos EUA, tem tido ainda uma aceitação muito boa no mercado doméstico, na Coreia, e para nós é um automóvel importante, um carro que pode simbolizar um estandarte, uma bandeira da marca em termos da qualidade do produto, mas também ao nível do design e da adaptação em termos de produto aos vários mercados em que surge. Acaba assim o Optima por ser um topo de gama que para nós é, evidentemente, importante, estando mesmo planeado o lançamento em Portugal, no segundo semestre do corrente ano, da versão híbrida, mas é um modelo do segmento D", lembrou Francisco Morais, recordando a forma como se comporta o mercado em Portugal para este segmento, "baseado na esmagadora maioria em frotas e dominado pelas marcas alemãs".

"Temos a oferta no segmento D, mas não é um segmento estratégico para a Kia Portugal. Vamos trabalhá-lo dentro daquilo que é a dimensão dele e daquilo que é a sua potencialidade, até porque, sendo um carro com estas características, há alguma dificuldade ao nível da produção para vários países da Europa e temos que gerir a sua realidade com base nestes pressupostos", acrescentou este responsável da Kia Portugal.

No diálogo com Francisco Morais, a que o LusoMotores irá regressar neste espaço já na quarta-feira, soubemos ainda dos planos da Kia Portugal relativamente aos lançamentos da marca para o corrente ano de 2013, mas também a política de apostas na rede dos concessionários bem como a ambição da Kia em termos de números e prestações, num mercado em que as previsões são praticamente impossíveis. Fica o convite para que volte até nós para acompanhar a segunda parte desta entrevista, aqui no LusoMotores.

Jorge Reis

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