Kia-JoaoSeabra03Quando propusemos a João Seabra que concedesse ao LusoMotores uma entrevista sobre a Kia sabíamos do bom momento da marca, mas isso não retira ao seu responsável a objectividade nem a consciência da realidade. Sem rodeios, o director geral da Kia Portugal não hesitou em afirmar ser imparável a dinâmica mundial da Kia, justificando a realidade de uma marca jovem, mas com design, qualidade e presença.

No arranque do diálogo com este responsável máximo da Kia Portugal, já conhecido dos leitores mais atentos relativamente aos conteúdos do LusoMotores, começámos por querer sentir o pulsar da marca a nível internacional neste ano de 2012, um ano sem dúvida “de grandes dificuldades”, mas que, até como refere a sabedoria popular e que o responsável máximo da Kia Portugal subscreve, poderá ser ao mesmo tempo “um ano de grandes oportunidades”.

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“Este é um ano de grandes dificuldades, mas é um ano que eu acredito que seja também de grandes oportunidades para a Kia. Aliás, o sucesso que a marca tem tido nos últimos anos e que continua a ter, e estamos a falar a nível mundial, tem sido impressionante, a marca está num período fortíssimo, como nunca esteve, e ainda não está no topo onde poderá estar daqui a algum tempo”, refere João Seabra no diálogo com o LusoMotores, dando conta da realidade de uma marca em relação à qual “os índices de volume de vendas estão a crescer e a marca espera fazer este ano a nível mundial 2,7 milhões de unidades, o que significa um crescimento superior a 10 por cento relativamente ao ano anterior”.

“Só na Europa, nos primeiros quatro meses do ano, a Kia é a marca que mais cresce, e cresce cerca de 20 por cento em relação ao mesmo período do ano passado com o mercado europeu entre 7 a 8 por cento”, acrescenta este responsável para concluir o seu raciocínio de forma convicta: “A dinâmica que a marca apresenta a nível mundial é imparável!”

"A melhor fase de sempre da marca"

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No mercado interno, a Kia, naturalmente, sente a crise no sector automóvel, mas segundo João Seabra, "tem a felicidade de estar na melhor fase de sempre da marca". A descer em 2012 cerca de 10 % no volume de vendas face ao mesmo período do ano passado, a Kia está, ainda assim, a conseguir uma melhor quota de mercado, o que poderá permitir melhores resultados no futuro, quando o mercado permitir melhores dias.

Ao longo da entrevista que João Seabra concedeu ao LusoMotores, o Director Geral da Kia Portugal assumiu a consciência de que se está a atravessar, nomeadamente no mercado interno, "um período extraordinariamente difícil". Contudo, destaca o facto da marca que lidera ter "a felicidade" de estar, neste momento, "na melhor fase de sempre" permite à Kia passar por este período com menos problemas do que a generalidade da concorrência".

Nos primeiros quatro meses deste ano, a Kia é uma das marcas que menos está a cair em volume de vendas relativamente ao mesmo período do ano passado - a Kia regista uma queda na ordem dos 10% face aos quase 50% que o mercado global das marcas em Portugal regista no mesmo período -, o que significa que a quota de mercado da marca coreana no mercado português em cerca 1%, de 1,7% para 2,7%. Para esta realidade, João Seabra aponta como "grande responsável" o carro que finalmente a marca possui para o segmento B do mercado, o Kia Rio, um carro que aponta como "ideal para um país com menos capacidade económica".

"O 'top-10' das marcas generalistas"

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A verdade é que, apesar de estar a crescer em termos de quota de mercado, a Kia está a vender menos, ainda que não seja a marca mais afectada. Depois, e porque o mercado está assente em redes multimarcas, e porque há marcas em situação crítica de quebras de vendas, o futuro afigura-se negro, e João Seabra assume a sua preocupação. "Alguns operadores que estão no mercado não vão resistir, porque não é possível, e isto não é só no mercado automóvel", disse.

No diálogo de João Seabra com o LusoMotores, os objectivos da Kia, o relacionamento com os clientes e o porquê de algumas apostas foram alguns dos tópicos principais em redor dos quais mantivemos a conversa , num ritmo agradável, adequado, afinal, à realidade de uma marca jovem que, como o nosso interlocutor já afirmou anteriormente, está a atravessar o seu melhor momento.

Em Portugal, o momento da Kia é igualmente positivo, e o responsável máximo da marca não hesita em apontar como objectivo a pretensão de que colocar a Kia no topo, entre as 10 melhores marcas generalistas no mercado nacional. “O nosso objectivo é chegar ao ‘Top-10’ das marcas generalistas”, referiu João Seabra no momento em que abordou a realidade da marca e da sua rede de concessionários.

A realidade particularmente positiva da Kia coloca-a como particularmente interessante para os operadores de retalho no mercado, mas entrar para o universo Kia não é uma tarefa fácil como explica o nosso interlocutor: “Estamos contentes com a nossa rede de concessionários e, tirando um caso ou outro, não há neste momento nova oportunidades, até porque nós temos uma política que passa por consolidar os parceiros que já temos hoje”.

"2013 pouco diferente de 2012"

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Apontando para Outubro o lançamento do Kia Cee'd, a realizar de uma forma conjunta para as carroçarias de cinco portas e SW - a versão de três portas, que deverá manter a denominação S-Coupé -, João Seabra justifica "algum atraso" no lançamento do Cee'd pela necessidade de contenção de custos. Segundo este responsável da Kia Portugal, não se justificava fazer dois lançamentos quando a versão mais importante para o mercado português apenas chegará efectivamente só no final do ano, o que justificou o momento escolhido para a introdução do novo Cee'd em Portugal.

A partir do modelo mais importante da marca, e olhando em frente, o nosso interlocutor defende que o mercado português em 2013 "não será muito diferente do que é este ano". "No próximo ano continuaremos a ter um produto fantástico, novo, mas continuaremos a lutar num mercado que é muito pequenino. Acredito, ainda assim, que a nossa quota de mercado, em viez de três, possa ser de quatro por cento", disse.

A crise económica no País não irá obrigar à contração da equipa da Kia Portugal, que se resume a 15 pessoas numa estrutura ponderada que está "nos mínimos, tanto para vender 3.000 carros como para vender seis ou sete mil". Ao nível da rede de retalho, João Seabra assume as dúvidas que diz ter sobre a capacidade de manutenção o número de pontos de venda: "Se o mercado português se mantiver nas 100 a 120 mil unidades - olhando para os mercados de ligeiros de passageiros e de comerciais ligeiros -, tenho dúvidas que as actuais redes de distribuição se aguentem todas, e terá que haver, no mínimo, uma redução de 30 por cento em todos os pontos de vendas e operadores das marcas todas".

"A diminuição do mercado é tão grande que haverá determinados pontos do País onde dificilmente se justificará haver concessões de qualquer marca. Haverá por isso operadores que terão que encerrar, e se calhar, daqui a três anos, não haverá condições para haver representantes de todas as marcas em todas as capitais de distrito", antecipou este responsável para quem a nova realidade económica poderá afectar os mais diversos sectores e não apenas o mercado automóvel: "A mudanças não afectarão apenas este ou aquele sector mas tudo... é em tudo!"

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