Francisco Morais é o responsável da Kia Portugal para a área do MarketingÀ beira da chegada do Kia Rio, aquele que será um dos modelos mais importantes da marca coreana para o mercado europeu em geral, e para o mercado português em particular, o LusoMotores foi falar com Francisco Morais , responsável pela Direcção de Marketing da Kia em Portugal para um balanço daquilo que foi a actividade da marca no primeiro semestre do corrente ano, mas também para a antevisão relativamente ao que se pode esperar do futuro imediato.

Num cenário de crise económica global que deixa marcas profundas no sector automóvel, a Kia tem conseguido, ainda assim, manter uma actividade particularmente positiva tal como começou por nos explicar o nosso interlocutor. Os lançamentos, já este ano, do Sportage, no arranque do ano, e do Kia Picanto, a meio do primeiro semestre de 2011, e agora a chegada do Rio, que acontecerá, em termos práticos, nos primeiros dias de Outubro, permitiram alicerçar um caminho tranquilo e, de algum modo, auspicioso para a Kia, pelo que o futuro é encarado com optimismo.

A partir da cadeira do Marketing, Francisco Morais não hesita em afirmar que a Kia está activa “mais do que nunca” em termos de produto, mesmo reconhecendo que “a situação económica da Europa e do país é altamente preocupante”, algo que se reflecte nas quebras do mercado automóvel que, segundo os seus dados, “resultou no final do primeiro semestre em menos 30 a 33 por cento”. Ainda assim, e apesar de ser também, naturalmente, afectada pelas quebras do mercado, os números finais para as operações da marca coreana em Portugal não deverão reflectir uma descida tão acentuada quanto a que se verificará ao nível global do mercado. 

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O ciclo de produto da Kia continua assim particularmente forte, o que tem contribuído para uma prestação que surge em sentido contrário ao da realidade do mercado. Apesar dos problemas de mercado que existem em toda a Europa, Francisco Morais garante que a agressividade da Kia no mercado, e nomeadamente no mercado português, mantém-se, e os resultados dessa agressividade são positivos. Esta atitude deverá resultar assim num crescimento do volume de vendas, mas principalmente no crescimento da quota do mercado conquistada pela marca que, no final do primeiro semestre era de 1,56%, o que representa cerca de 1500 unidades vendidas em Portugal. Para isto, o sucesso do Kia Sportage, mas principalmente a retoma de uma presença da Kia no segmento A, com a nova geração do Picanto, surgem como factores determinantes.

Olhando para a frente, o nosso interlocutor lança como expectativa a concretização de uma quota que andará entre os 2,0 e os 2,2 por cento, valores que deverão significar qualquer coisa como 3200 a 3300 unidades comercializadas.

Sportage… classe 1 vencedor

Kia Sportage Analisando com mais detalhe os produtos lançados no mercado pela Kia já em 2011, deparámos desde logo com algumas questões em redor do Kia Sportage, um modelo que gerou alguma polémica em redor da sua classificação nas portagens da rede nacional de auto-estradas, mas também algum desconforto naqueles que avançaram para a sua compra pelo tempo de espera a que inicialmente foram obrigados. Sobre a primeira questão, Francisco Morais diz que tudo não passou de “um não-caso”, explicando que o carro “sempre foi classe 1”.

“Houve, de facto, uma confusão inicial ao nível da classificação do próprio modelo, fruto do historial que o carro tinha nas anteriores gerações, e isso obrigou-nos, de alguma maneira, a comunicar com os nossos clientes, e nomeadamente com aqueles que já tinham comprado o carro, para que se esclarecesse a situação. A situação foi esclarecida e hoje em dia o Kia Sportage está perfeitamente identificado como classe 1”, explicou.

Kia SportageJá em relação a outra questão que afectou inicial a imagem do Kia Sportage, e que resultou dos prazos de entrega mais demorados para quem o pretendeu adquirir na rede de concessionários da marca, Francisco Morais admitiu a situação que, segundo ele, ficou a dever-se também ao enorme sucesso do carro, o que levou a que a capacidade de produção, estando a ser processada no limite, exista um prazo de entrega do veículo de, aproximadamente, três meses. “Basicamente, temos mais clientes do que carros disponíveis, e isso acaba por obrigar a esses prazos de entrega”, admitiu.

“Estão a ser vendidos cerca de 70 unidades por mês que corresponde à quota de produção para o nosso mercado. Não me parece que o tempo de espera seja excessivo para aquele que é o sucesso do Sportage, mas estamos a trabalhar, ainda assim, com o distribuidor a nível europeu para que se possa acelerar cada vez mais o processo de entrega aos clientes e que actualmente se prolonga em cerca de três meses”, frisou ainda Francisco Morais, adiantando que, em relação ao Kia Sportage, e até Junho, conseguiu um nível de vendas acima das 400 unidades, um valor que vai ao encontro das expectativas da Kia Portugal para o modelo em questão.

Kia Rio determinante para o sucesso

Kia RioOutro modelo particularmente importante para a marca e que será apresentado em breve em território português é o Kia Rio, um automóvel que Francisco Morais garante ser esperado “de braços abertos”. “A presença no segmento B onde se insere este Kia Rio, e no qual a Kia não estava até agora representada, vai permitir para a marca estar presente numa faixa de 35% do mercado. O carro é completamente novo, com novos motores, perfeitamente adaptado à Europa, em termos de design e de motorizações, e com níveis de emissões e consumos que são os melhores da sua classe. Depois, a maneira como o carro foi concebido, a sua qualidade de construção, os seus motores e o seu design, permitem-nos olhar para este Kia Rio com a mesma esperança e com a mesma expectativa que acabou por se confirmar com a entrada na Kia no segmento C com toda a gama Kia Cee’d”, garantiu.

A Kia Portugal irá assim apostar fortemente neste novo Kia Rio, um modelo que obrigou a um estudo muito aprofundado da realidade do segmento B. Para competir no mercado, o Kia Rio estará assim equipado com dois “motores chave”, nomeadamente um motor diesel 1.1 com 75 CV, e um motor a gasolina, 1.2 com 85 CV. Garantindo que em termos de performance os motores introduzidos no Rio garantem prestações excelentes, Francisco Morais destacou ainda o facto da motorização diesel estar “mais do que adaptada” às necessidades do nosso mercado e ao bolso do consumidor português.

Kia RioCom três níveis de equipamento nas duas motorizações, o novo Kia Rio pretenderá assim afirmar-se como um importante trunfo na marca, inserindo-se num segmento em que existe uma enorme agressividade concorrencial no mercado automóvel português, surgindo a sua apresentação internacional em Portugal em resultado da boa prestação da Kia no mercado português, mas também pelas excelentes condições que Portugal permite para este tipo de eventos. Ultrapassado o lançamento internacional para a Imprensa, o lançamento comercial do novo Kia Rio no mercado acontecerá nos primeiros dias de Outubro.

“Terminamos assim, com chave-de-ouro, os lançamentos do ano com o lançamento do Kia Rio. É um lançamento estratégico, muitíssimo importante para a marca em Portugal mas também na Europa, e acreditamos que irá permitir à marca duplicar os seus volumes de venda já que vem colocar a marca num segmento que representa 35 porcento do mercado, uma faixa em que até agora não esteve presente”, destacou ainda Francisco Morais. No futuro haverá ainda lugar ao lançamento de novos modelos, naturalmente, estando já no horizonte, para 2012, o Kia Optima, um modelo que, no entanto, por surgir no segmento D, não estratégico para a marca, e onde está presente deste já o Kia Sorento.

Dentro do portfolio da Kia, outro modelo que pode ser visto como o “patinho feio” da marca que tem capacidades de surpreender quem realmente o conhece é o Kia Soul, um modelo para o qual Francisco Morais deixou a promessa de novidades em 2012.

Optimismo consciente

Kia MotorsApesar das dificuldades económicas que o país atravessa, os responsáveis da Kia acreditam que, ainda assim, o futuro imediato para a marca será particularmente positivo, graças aos produtos existentes no alinhamento da Kia. Desse modo, a expectativa da Kia Portugal passa por conseguir duplicar a quota de mercado para os 3,5 a 4 por cento, o que significará concretizar volumes de vendas na casa das 7.000 unidades.

Já em termos de posicionamento, a Kia Portugal vai querer manter a presença da marca junto de uma série de eventos, mas também de parceiros, patrocínios e acções onde tem estado até aqui, e que no entender do responsável do Marketing da marca conferem à Kia uma imagem jovem, dinâmica, bem-disposta e cada vez mais generalista.

“Temos optado por um conjunto de acções que nos permitem estar junto de determinados nichos mais jovens, mas sem esquecer acções de maior visibilidade como é o caso do futebol, ou o ciclismo, com o ano de 2011 a permitir a ligação da marca ao ciclismo através da Volta a Portugal”, lembrou Francisco Morais antes de concluir de uma forma afirmativa: “A Kia é cada vez mais uma marca generalista, e a estratégia de comunicação que temos adoptado é para continuar!”

Entrevista: Jorge Reis

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