Para aqueles que acompanham com regularidade o desporto automóvel nacional, ou a presença de pilotos portugueses em provas internacionais, o nome de Renato Pita é sobejamente conhecido, pelos muitos anos que leva já de presença nas provas nacionais e europeias de ralis, e nomeadamente pelos vários títulos conquistados, o último dos quais no final de 2017, através do triunfo no TER - Tour European Rally 2WD Trophy, competição ganha em Itália após a disputa do Tuscan Rewind, onde um quarto lugar no seu escalão permitiu festejar a conquista daquele título, então ao volante de um Ford Fiesta. Mas Renato Pita é um nome conhecido muito para além das pistas e dos traçados dos ralis, sendo alguém que procura levar aos mais jovens, nas escolas, ensinamentos que apontem para uma efectiva segurança rodoviária do ponto de vista de quem anda na estradas mesmo enquanto peão ou mero passageiro, como acontece com os mais pequenos.

Mais do que um simples piloto de competição nos ralis, Renato Pita apresenta-se como o rosto de um projecto – Etapa Segura – que tem vindo a crescer de uma forma global, bem pensado e estruturado, e que tem dado frutos nos últimos anos. Rigoroso, metódico, calculista e racional, este piloto lançou em 2017 um livro – “De mãos dadas com a segurança” –, obra da autoria de Renato Pita escrita por Isabel Zambujal e ilustrado por Carlos César Matos, o qual contou desde o início com o apoio dos patrocinadores do piloto, nomeadamente a BP Portugal e a Ford, e mais recentemente a Optivisão, no âmbito das respectivas estratégias de Responsabilidade Social e Corporativa.

Com este livro, integrado no Plano Nacional de Leitura, e que procura reforçar a mensagem sobre comportamentos e regras de trânsito junto daqueles que serão, num futuro próximo, os utilizadores das estradas, mas que são já hoje peões e passageiros nos veículos dos seus familiares, Renato Pita tem conseguido levar a mais escolas a campanha infantil de segurança rodoviária que ele próprio criou e com a qual tem visitado dezenas de escolas do ensino básico para transmitir a milhares de crianças uma mensagem de efectiva segurança rodoviária. À boleia do mais recente patrocinador, a Optivisão, Renato Pita tem conseguido espaço para outra acção, no âmbito do rastreio visual, conseguindo aqui que as crianças, mas também os seus educadores e os seus pais, tenham uma informação efectiva da saúde visual dos mais pequenos.

O projecto Etapa Segura reúne assim um piloto profissional, um carro de corridas e um mini circuito no qual as crianças das escolas do ensino básico podem aprender a brincar, tal como já aconteceu com mais de 30 mil crianças desde o seu lançamento, em 2012. Os rastreios visuais vêm agora complementar a utilidade destas acções, permitindo, afinal, um olhar mais alargado sobre as mesmas.

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Saiba quem é Renato Pita...

Metódico, curioso e muito observador, Renato Pita desde muito cedo desenvolveu o gosto pelos automóveis, mas sempre procurando saber mais sobre aquilo que observava. Como o próprio recorda, em miúdo “desmontava os carros todos e a seguir montava-os de novo, para perceber onde era o banco, o motor, satisfazendo uma curiosidade que sempre existiu desde miúdo”. Assumindo uma maneira ser peculiar – “Uns poderão chamar-me picuinhas, outros dirão que sou perfeccionista, mas ainda agora, se chegar ao meu escritório, sei o que mexeram na minha mesa. Num monte de folhas eu sei dizer rapidamente qual a folha que foi trocada da sua posição original. Se mexerem em uma caneta para o lado em um centímetro eu dou conta...” –, explica que tudo para si tem que fazer algum sentido e gosta de “perceber como é que tudo funciona.”

Do diálogo com Renato Pita fica facilmente a convicção de estarmos perante um piloto muito racional, muito contabilizado e pouco guiado apenas pelas emoções. Ele próprio assume ser assim e não esconde que essa sua faceta trouxe-lhe alguns problemas: “Eu passei muito por ser racional. Primeiro porque digo as verdades... e depois porque não me deixo levar. Eu posso ter toda a gente contra mim, até a minha família, mas se eu souber que tenho razão mantenho a minha posição. É claro que isso leva a que seja apontado por vezes como arrogante, mas sou assim mesmo.”

Tendo completado o 12º ano, Renato Pita chegou a equacionar ingressar no curso de arquitectura. Porém, por aquela altura, decidiu que estava na altura de trabalhar e tomar as rédeas do seu próprio caminho, pelo que avançou para a cidade do Porto para aí começar uma carreira profissional. Entrou assim para o mercado de trabalho através de uma empresa de comunicação e publicidade, onde trabalhou durante dois anos, percebendo desde logo que era necessário criar a sua própria empresa para a qual avançou.

“Naquela altura, tudo o que era loja comercial na baixa do Porto procurei trabalhar com todas elas, desenvolvendo uma área em que não havia nada, trabalhando em vitrinismo, artes gráficas... Fui criando uma poupança para um dia ter um carro de ralis porque queria poder experimentar ter eu próprio a minha equipa”, recordou Renato Pita, que chegou aos automóveis através das contas: “Eu adorava automóveis, sempre quis trabalhar em automóveis, e tive a possibilidade de ajudar uma equipa de ralis, era eu um puto por essa altura. A minha função era tratar das contas, ter em atenção os pagamentos dos hotéis, as refeições, e guardar os talões todos para os entregar ao pai do piloto, que era quem permitia o dinheiro para a equipa em questão. Ele gostou do meu trabalho pois era algo que até ali nunca tinha tido, e isso permitiu-me ter um primeiro conhecimento da realidade de uma equipa.”

Conseguidas algumas poupanças, Renato Pita resolveu aventurar-se, comprar um primeiro carro, um Peugeot 106, e avançou para uma primeira aventura que durou apenas dois anos: “No final de dois anos virei-me para a minha esposa e disse-lhe que ia colocar o carro à venda. Ela ficou admirada, perguntou-me mesmo se não era aquilo que eu queria, ao que lhe respondi que aquilo não era para mim. Sentia que tudo era feito com muito amadorismo e em dois dias vendi mesmo o carro.”

Organização e método na condução do caminho

Vendido o primeiro carro com o qual conquistou o seu primeiro título, então na categoria de Iniciados, a verdade é que os automóveis continuariam no caminho de Renato Pita que, alguns meses depois, naquele ano de 2005, decidiu escutar um conselho de um amigo: “Porque é que tu não fazes a diferença e fazes as coisas com regra, um verdadeiro projecto de uma forma diferente?”

“Fiquei a pensar naquilo, nas palavras do meu amigo e disse para mim mesmo – Até é capaz de fazer sentido! –, pelo que avancei e montei um projecto, algo que hoje não vou dizer que é melhor nem pior do que os outros, mas digo apenas que é diferente. Basta ver pela actividade em redor do projecto da Prevenção Rodoviária para verificar que é de facto diferente, e tenho algum orgulho que, sem qualquer histórico de presença no desporto automóvel até em termos familiares – para a minha família um automóvel é um mero meio de transporte –, percorri os campeonatos todos em Portugal, desde as provas de iniciados, os regionais, ao Open de ralis e ao Nacional, e em todos eles consegui boas classificações, cheguei a ser campeão regional, vice-campeão nacional nas duas rodas motrizes, e agora, ainda nas duas rodas motrizes, venci no Europeu o que naturalmente me deixou muito feliz, ainda mais por chegar onde cheguei sem nunca ter tido nenhuma formação específica, isto para além de ter começado muito tarde no automobilismo, já com 28 anos.”

Sem grandes conhecimentos no início – “Quando comecei a correr não sabia nada das provas, desconhecia mesmo se era preciso parar ou não nos controlos, e procurei aprender com quem sabia.” –, Ricardo Pita assume que a sua vontade de adquirir conhecimento sobre a realidade do mundo dos automóveis tem a ver com a sua forma de estar, procurando ser metódico e organizado para conseguir espaço num mundo que até ali não era o seu: “Sempre quis saber como as coisas funcionavam neste mundo é que particularmente complicado. Aliás, sempre disse que o Pinto da Costa, o presidente do FC Porto, se tivesse vindo para os automóveis seria um anjinho, e isto porque o mundo dos automóveis é bem peculiar, onde o Renato Pita caiu completamente aos trambolhões.”

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Vontade de conquista com os pés assentes na terra

Os títulos e as conquistas no desporto automóvel foram aparecendo naturalmente para Renato Pita que, apesar disso, olha para o automobilismo de uma forma bem mais alargada, através do seu projecto “Etapa Segura” que o motiva que que pretende permitir que chegue mais e mais longe. Para isso conta com o apoio dos seus patrocinadores a quem procura apresentar ideias bem definidas para que nada falhe: “Quando digo aos meus patrocinadores que faço uma coisa, faço-a efectivamente, não falha nada, e isto porque antes de eu dizer que vou fazer algo tenho a completa certeza de que tenho condições para a fazer. É claro que isso me dá crédito e fico feliz por poder afirmar isto mesmo.”

“Há já doze anos que mantenho o meu principal patrocinador, a BP, e isso deve-se ao trabalho continuado que temos realizado. Aliás, isso é também o que motiva a minha equipa, a capacidade de agarrar em quatro homens e ir às provas do Europeu e andar lá para dar o nosso melhor e conseguir resultados. Nas provas do Europeu, eu levava a minha carrinha de assistência e o meu carro até às provas. Chegava lá, tinha dois dias de descanso, fazia a prova e regressava com toda a estrutura. Já o meu adversário que ganhou por duas vezes o Europeu, o Luca Rossetti, tinha atrás de si uma equipa oficial Toyota.”

Determinado a enfrentar os desafios a que se propõe, Renato Pita aposta no futuro de forma pensada, sempre procurando manter os pés assentes na terra sem que isso o impeça de sonhar e chegar cada vez mais longe.

Pita e Optivisão de olhares coincidentes

Com um discurso fácil de quem acredita sem qualquer reserva na sua actividade, Renato Pita permite que aqueles que o ouvem acreditem nas suas ideias, mas principalmente porque este piloto transporta já as provas do seu trabalho feito. “Não sou uma pessoa que me acomode. O meu feitio não é fácil. Não vale a pena inventar porque invenções para mim não resultam, mas vamos conseguir lá chegar. Sou recebido nas Câmaras Municipais, por secretários de Estado, pelos ministros, e sou sempre a mesma pessoa.”

Foi este discurso que permitiu a chegada até ao projecto de Renato Pita daquele que é o seu mais recente patrocinador, a Optivisão: “Sempre quis ter o apoio de uma óptica, não só porque adoro óculos, sempre adorei óculos, mas também porque quando publiquei o meu livro “De mãos dadas com a segurança” o ilustrador inventou algumas coisas que eu não tinha, na área dos óculos. Ora, as crianças, quando eu vou às salas de aula, acham piada aos óculos azuis, depois aos vermelhos, aos amarelos, e entendi que era necessário um parceiro que me permitisse a resposta a essas mudanças, mas também porque a visão é algo que está directamente relacionado com a qualidade da actividade de um qualquer piloto.”

“Esta situação acabou assim por ser a porta de entrada para a ligação ao patrocinador, mas a quem eu disse desde a primeira hora que não queria óculos. O que eu queria mesmo, e o que lhes disse, é que pretendia fazer um trabalho completamente diferente com o meu patrocinador, e não apenas chegar com um autocolante no carro ou um bordado no fato de competição. Eu tenho que sentir que eles são importantes para mim, mas também que eu sou importante para eles na sua acção. Surgiu assim a capacidade de avançarmos para as acções de rastreio visual junto das crianças que é um complemento ao projecto inicial e que faz todo o sentido.”

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Um projecto para a Segurança Rodoviária

O livro “De mãos dadas com a segurança” resulta da ligação do piloto Renato Pita aos automóveis e à prevenção rodoviária, mas podem, no futuro, ser dados outros passos, também pelo piloto e com as crianças mas em outras áreas. Aqui, como nos dá conta o nosso interlocutor, “a Optivisão pode ter e vai ter uma acção determinante num trabalho que vai ser feito em acções de rastreio, como já aconteceu na Exponor e que irá continuar em outras acções em que permitam levar uma carrinha e fazer chegar esta acção aos seus destinatários”.

Em termos práticos, as crianças participam na acção ligada à Segurança Rodoviária, realizam o respectivo circuito, e a meio deste, num período já mais ligeiro, por entre algum divertimento num insuflável ou outras acções, as crianças são levadas pelo nosso parceiro para realizarem o rastreio visual, algo particularmente positivo até porque muitos pais tomam conhecimento de algo que nem sabiam antes relativamente a problemas visuais das suas crianças.

Na sequência destas acções de rastreio visual, as escolas fazem chegar até Renato Pita emails da parte dos pais com o testemunho pelo interesse de toda esta acção, sentindo o piloto que, “com tudo isto, torna-se possível transformar as competições automóveis em algo muito mais útil.”

Esta vontade de encontrar novas fórmulas para permitir retorno aos patrocinadores, neste caso à Optivisão, resulta da necessidade que Ricardo Pita sentiu em conseguir o devido retorno a quem apoia o automobilismo. Ao contrário do que acontecia no passado, quando o nosso interlocutor acredita que tudo era mais fácil em face dos montantes que eram permitidos pelos patrocinadores, hoje entende que “é necessário rentabilizar de uma forma muito mais eficaz os patrocínios e há que permitir o retorno efectivo que uma marca deve ter em face da verba aplicada.”

Parcerias fortes são para prosseguir

Ainda antes de completar uma década na estrada com o desporto automóvel, em 2012, Renato Pita entendeu que deveria percorrer também o país com um percurso didático, sensibilizando as crianças no 1º ciclo de escolaridade para a segurança rodoviária. Surgiu então o projeto Etapa Segura, que já percorreu quase duas dezenas de escolas, desde o Algarve ao Minho, passando por Trás-os-Montes.

“As escolas básicas são o espaço ideal para sensibilizar as crianças desde cedo, pois a par do ensino das letras e das contas deve haver espaço para este ensino das regras e do essencial da prevenção rodoviária”, refere Renato Pita, que tem a ambição de levar este programa até Espanha, ele que possui actualmente uma navegadora espanhola, concretizando uma ligação pensada já com o objectivo de chegar com as suas junto das crianças do país vizinho.

“Como estou a pensar realizar uma acção de prevenção rodoviária em Espanha, porque me chegaram já solicitações nesse sentido, houve a possibilidade de ter uma navegadora espanhola e avançámos por aí, até para começar um caminho com vista já ao trabalho que pode vir a ser feita em Espanha. Surgiu assim a possibilidade de trabalhar com a Alda Sanchez que irá integrar a nossa estrutura já a partir do Rali da Madeira”, como explica o nosso interlocutor.

Aliás, ainda a propósito de parcerias, Renato Pita olha para a ligação agora existente com a Optivisão e assume que esta parceria tem corrido bem melhor do que seria expectável: “Normalmente, não é no primeiro ano que os resultados das parcerias começam a surgir, até porque um primeiro ano deve sempre permitir alguma adaptação mútua. Porém, no caso da Optivisão as coisas começaram logo a correr muito bem, mesmo sabendo que havia desde o início muito trabalho para fazer.”

“Através do livro ‘De mãos dadas com a segurança’, é possível agora conhecermos as dicas que é possível dar às crianças também para a saúde visual, e estou superfeliz por trabalhar com eles. Por outro lado, gosto imenso da marca Optivisão e isso ajuda a conseguir um resultado ainda mais positivo relativamente ao trabalho que podemos desenvolver. Uma marca como a Optivisão que chega e partilha numa rede social a existência de uma parceria comigo, eu só posso ficar agradecido. Estamos por isso unidos para o bem e para o mal, e é desta forma que eu trabalho, sendo certo que um dia que termine a minha ligação à Optivisão não irei ter qualquer outra ligação a uma óptica, do mesmo modo que, quando terminar a minha ligação à BP, não terei qualquer outra ligação a uma gasolineira. É assim que eu sei trabalhar e é este o meu comportamento!”

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Etapa Segura pode continuar por muitos anos

Agora com 42 anos, Renato Pita assume que não irá fazer ralis toda a sua vida, mas vê-se perfeitamente a dar continuidade ao seu projecto “Etapa Segura”, algo que define mesmo como a sua prioridade “por muitos e muitos anos”. “Este ano, programei a minha temporada em face do que foi acordado com os meus patrocinadores. Farei por isso o Rali da Madeira, devido ao acordo existente com a Transinsular, com quem tenho estabelecida mais uma loucura que me irá levar num cargueiro durante 17 dias até à Mauritânia, onde irei poder fazer um trabalho com crianças em África através de uma ajuda humanitária, envolvendo um registo da viagem a bordo e um trabalho fotográfico, uma viagem na qual irei juntar todos os meus parceiros. Irei ainda à Suíça e também a Itália, e isto com um calendário devidamente estabelecido. Surgirá assim a Madeira em Agosto, Itália em Setembro, Suíça em Outubro e a viagem à Mauritânia em Novembro.”

Renato Pita, porventura o único piloto de automobilismo desportivo que apresenta em nome próprio um projecto em redor da Segurança Rodoviária, depois de ter já alcançado as suas metas desportivas, avança agora de uma forma uma vez mais calculista e bem pensada para um percurso delineado de acordo com os seus interesses mas também com os interesses dos seus patrocinadores. O projecto Etapa Segura irá ser naturalmente continuado com várias actividades, desde as simples palestras com as crianças, que irão receber um piloto com o seu capacete que lhes irá falar da necessidade de ter em conta as regras do trânsito e da segurança rodoviária, até à possibilidade de ser montado nas escolas um circuito em que as crianças podem colocar em prática os ensinamentos que motivam as palestras. Os resultados até poderão ser bem mais evidentes se surgirem os devidos apoios de entidades oficiais e governamentais, e Renato Pita procura chegar aos centros de decisão dando nota do trabalho que tem vindo a fazer, sendo certo que não será a concretização ou não desses apoios que irá condicionar o percurso de alguém que já chegou onde chegou e visa chegar ainda mais longe... sempre de modo racional e calculista.

texto: Jorge Reis

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