Três gerações depois, o Renault Mégane RS está a chegar e mais do que nunca, segundo garante o construtor e o LusoMotores pôde comprovar, pronto para as… curvas! A estética acompanha e de algum modo consegue suerar as expectativas, o motor apresenta-se com um potente bloco de 280 cavalos com uma sonoridade que impressiona quando é pressionado pelo pé direito de quem segue ao volante sem receios de perder pontos da carta de condução, como o verificámos na pista do Autódromo do Estoril, e o supereficiente sistema de quatro rodas direcionais 4Control, tenoclogia da Renault Sport Cars volta a elevar os padrões de performance dos modelos compactos desportivos.

A proposta da Renault feita para o traçado do Autódromo do Estoril e que o LusoMotores aceitou de bom grado foi simples: “Sente-se ao volante e perceba” a realidade deste novo Renault Mégane RS. Fizemos isso mesmo no arranque de mais uma edição dos já incontornáveis "Renault Passion Days”, e depois de um primeiro momento em que este modelo deu conta de não permitir grandes distrações, e que nos obrigou por isso a uma correcção para além da trajectória proposta quando nos deixámos distrair pelo toque do telemóvel que nem atendemos mas que nos retirou a atenção no momento preciso, depois disso revelou-se uma máquina aliciante e capaz mesmo de viciar.

Mas vejamos então que carro é este que a Renault se prepara para colocar no asfalto das estradas portuguesas ao ritmo do mercado. Com um preço que começa nos 38.780 euros — o valor de 38.780€ diz respeito à versão TCe 280cv, subindo aos 40.480€ na versão TCe EDC 280, ambas com chassis Sport —, esta terceira geração do Renault Mégane RS começa por cativar pelo design que nos é proposto de acordo com a concepção e o desenvolvimento da Renault Sport. Depois, as inovações tecnológicas que transportam conferem-lhe uma superior versatilidade, isto porque, de acordo com as escolhas de quem se senta ao volante, estamos perante um automóvel que tanto pode ser um desejado desportivo como um agradável familiar.

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Disponível em duas versões — TCe 280, com caixa manual de seis velocidades, e TCe 280 EDC, com caixa automática de dupla embraiagem de seis velocidades —, (uma terceira versão - Trophy - com motor mais potente de 300 cv chegará a Portugal no final de 2018), o novo Mégane RS reúne todos os argumentos para impressionar.

Dois chassis diferentes — Sport e Cup — integram o leque de opções disponíveis, tornando o modelo mais ou menos radical consoante a utilização pretendida. No caso da versão com chassis Sport, o eficaz comportamento em estrada está, desde logo, assegurado, mas a afinação de suspensão mais suave permite-lhe oferecer maior nível de conforto no quotidiano, mantendo intactas as suas virtudes desportivas. “Vestido” com o chassis Cup, o Mégane RS revela um amortecimento 10% mais rígido e uma nova parametrização do diferencial autoblocante mecânico Torsen, que promete melhorar, ainda mais, a motricidade e fará esquecer que estamos ao volante de um “tudo à frente”.

250 km/h de velocidade máxima e 5,8 segundos dos 0-100 km/h

Se um comportamento dinâmico excecional é a base para um desportivo de eleição, as performances alcançadas não são menos importantes. E, neste capítulo, o Mégane RS também “dá cartas”, com uma velocidade máxima anunciada de 250 km/h (controlada eletronicamente) e apenas 5,8 segundos necessários para chegar dos 0 aos 100 km/h, isto para além de conseguir, de acordo com as medições anunciadas pelo construtor, cruzar a barreira dos 1000 metros em apenas 25 segundos após arranque parado.

Para lidar com estes números, o mais potente Mégane RS de sempre oferece uma capacidade de travagem irrepreensível, tanto ao nível da potência como da resistência, apoiada num eficaz sistema com discos dianteiros de 355 mm e traseiros de 290 mm, e tudo isto num automóvel particularmente agradável à vista, por força de um design exterior orientado para o desempenho dinâmico, o qual fortalece neste novo Mégane RS a respectiva sensação desportiva do mesmo.

A distância ao solo agora reduzida em cinco milímetros (5 mm) face ao Mégane GT, o pára-choques dianteiro com grelha de entrada de ar com padrão 3D em ninho de abelha e lâmina F1, o alargamento dos guarda-lamas dianteiros e traseiros, as saídas de ar laterais que otimizam o fluxo de ar nas cavas das rodas, as novas jantes de 18 ou 19 polegadas, a que se juntam ainda o pára-choques traseiro com difusor integrado, saída de escape central e um difusor traseiro, projectado para aumentar a downforce (força descendente), são elementos que demarcam uma estética agressiva e que não deixam ninguém indiferente.

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O sistema de iluminação LED multirrefletores R.S. Vision (na original forma de bandeira quadriculada) reforça também os laços à competição de um modelo que, por onde quer que passe, promete “roubar” olhares e “colher” sorrisos, mas também desenvolver a vontade de o ter na mão, que o mesmo é dizer ao volante.

Aos elementos exteriores evocativos ao ADN de competição que o novo Mégane RS não dispensa, junta-se no habitáculo as referências à sua personalidade desportiva, como os bancos desportivos RS com apoios de cabeça integrados, estofos em tecido RS carbono escuro com posponto vermelho, frisos do painel de bordo e das portas RS, pedais e apoio de pé em alumínio, soleiras das portas dianteiras Renault Sport cromadas e volante e punho de alavanca de velocidades em couro (de origem bovina) premium perfurado RS com tapa-airbag RS, são apenas alguns dos muitos apontamentos que juntam qualidade à elevação estética e vincam, decididamente, o temperamento desportivo deste modelo automóvel Renault.

O ecrã TFT de sete polegadas, a cores, com display específico Renault Sport, e a iluminação ambiente nos painéis das portas dianteiras e traseiras, conferem ainda mais distinção ao habitáculo deste modelo que consegue prender o “piloto” que há em cada um de nós ao volante sem de lá querermos sair assim tão facilmente.

Motor com “injeção de adrenalina” incluída!

E se o design exterior e os pormenores do habitáculo são por si só cativantes, é após pressionar o botão de start com a consequente ignição do motor que todo este conjunto cativa aquele que gosta de facto de automóveis. O som produzido pelo bloco desenvolvido pelo “know how” dos engenheiros da Renault Sport Cars, da Renault Sport Racing e do Technocentre Renault, de quatro cilindros e 1.8 litros turbo, capaz de debitar 280 cavalos (205 kW) às 6.000 rpm, é simplesmente brutal, sem dúvida no melhor dos bons sentidos, e se atentarmos às passagens de caixa o cantar deste motor é simplesmente delicioso. 

O sistema de refrigeração e a cabeça dos cilindros foram redesenhados, com o novo Mégane RS a beneficiar de tratamentos de superfície provenientes da competição e dos supercarros, tais como o DLC (Diamond Like Carbon) para os pistões de válvulas e o Mirror Bore Coating para o revestimento das camisas dos cilindros. Com a distribuição feita por corrente, ao motor foi adicionada também uma dupla entrada de ar no turbocompressor (Twin Scroll), com vantagens evidentes ao nível do binário já que, comparado com a anterior geração do Mégane RS, o propulsor ganhou 30 Nm de binário extra, mesmo tendo uma cilindrada inferior. Agora, ao nível do binário, apresenta um pico de energia de 390 Nm, disponíveis logo às 2.400 rpm, mas que se prolonga até às 4.800 rpm.

Estamos assim perante valores de potência e binário suficientes para que condutor e passageiros possam ser brindados com uma “injecção de adrenalina” sempre que o acelerador é pisado, naquele que é apenas o primeiro passo para uma condução recheada de prazer e, para a qual muito contribui também a sonoridade ímpar extraída do sistema de escape, trabalhada ao detalhe.

E se está a pensar que, pela amostra de sensações, para os consumos e as emissões de CO2 está reservado o papel de “maus da fita”, também vale a pena saber que, face ao Mégane RS III da anterior geração, o novo Mégane RS, de acordo com as informações do construtor, é 11% menos “guloso” na hora de abastecer e 8% menos poluente na hora de respeitar o ambiente.

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Sistema 4Control: privilégio único no segmento

O sistema de quatro rodas direcionais 4Control é apontado pela Renault como um dos principais trunfos para que a nova geração do Mégane RS possa sobressair na estrada, mas não se poderá dizer que este sistema seja propriamente novo, isto porque foi já aplicado no passado em outros modelos da marca, sendo ainda assim aplicado pela primeira vez num automóvel com acentuado perfil desportivo. De série nos chassis Sport e Cup, o sistema de quatro rodas direcionais viu a sua parametrização reformulada (face ao Mégane GT) para adaptar o desempenho às necessidades próprias do carácter vincadamente desportivo do Mégane RS.

Assim, e graças ao 4Control, o chassis do novo Mégane RS eleva a fasquia em termos de agilidade, eficiência e estabilidade, tornando-se uma referência em termos de comportamento dinâmico. Na prática, o sistema melhora a agilidade nas curvas mais fechadas e aumenta a estabilidade nas curvas rápidas. A direcção torna-se assim 20% mais direta, sendo que a baixa velocidade o sistema faz com que as rodas traseiras girem no sentido inverso às rodas dianteiras, até a um máximo de 2,7 graus. Já a velocidades mais elevadas, as rodas traseiras acompanham o sentido de viragem das dianteiras, até ao limite de 1 grau. O ponto de inversão está fixado nos 60 km/h, havendo, todavia, uma parametrização diferente no modo “Race”, uma vez que neste modo o sistema só assume a inversão a partir dos 100 km/h, por forma a optimizar a estabilidade em curva.

Equipado com o Trem Dianteiro de Pivot Independente (TAPI), especialmente adaptado para a geometria e rigidez da suspensão, o novo Mégane RS promete ter na suspensão uma das suas principais virtudes. E não apenas por esta solução desenvolvida pelos técnicos da Renault Sport e já montada em anteriores gerações do modelo. É que, na sua terceira geração, o mais recente membro da família “RS” adopta quatro amortecedores com batentes hidráulicos de compressão.

Numa solução inspirada nos ralis, esta tecnologia contribui para a melhoria do conforto na utilização quotidiana, sem deixar de oferecer máxima competência em modo desportivo. Quando se adota o estilo de condução mais dinâmico, esta solução técnica filtra as irregularidades, proporcionando um amortecimento adicional e eliminando os efeitos de ressaltos, ou seja, permitindo, que o pneu e o solo estejam em contacto o maior tempo possível.

Launch Control para fazer a “Pole-Position” e reduções no limite

Atestado de tecnologia, o novo Mégane RS oferece dois dispositivos que prometem permitir que se apresente ainda mais rápido, eficaz e seguro na estrada ou em circuito — o Launch Control e o Multi-Change Down —, estando, qualquer um deles apenas disponível na versão TCe 280 EDC, com caixa automática de dupla embraiagem.

Conhecido por proporcionar “arranques-canhão”, o Launch Control otimiza ao máximo o poder de arranque e a aceleração nos primeiros metros, através da pré-carga da embraiagem e do turbo, aprimorando a acção do sistema de antipatinagem (no modo Sport) de modo a explorar a máxima aderência, mesmo em condições de aderência delicadas. E com o pé esquerdo no travão e o pé direito no acelerador a fundo, basta soltar o pedal de travão para viver este espantoso pico de adrenalina.

Já a eficiência da tecnologia Multi-Change Down notar-se-á à saída de cada curva, quando, em antecipação, o condutor reduzir várias relações de caixa em simultâneo, com a patilha esquerda premida. O sistema só “assumirá” a relação de caixa ideal para a situação quando estiver na rotação perfeita para otimizar toda a dinâmica da situação, evitando, desse modo, o risco de sobre-regime do motor.

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O mundo imaginário da competição encontra, no entanto, mais momentos de inspiração dentro do novo Mégane RS. A última versão do avançado sistema de monotorização de dados serve de derradeiro passaporte para o condutor se sentir como se estivesse em pista ou numa classificativa de rali, sendo que para reforçar o espírito desportivo, o RS Monitor foi completamente revisto, apresentando-se ainda com mais funcionalidades e uma visualização mais atractiva. Ao reunir e resumir informações monitorizadas por cerca de 40 sensores espalhados pelo automóvel, o aplicativo pode exibir uma vasta gama de configurações, em tempo real, no écrã tablet de 8.7’’ e touchscreen, R-Link 2, como aceleração, travagem, ângulo do volante, operacionalidade do sistema 4Control, bem como diversas temperaturas e pressões.

Além disso, o sistema RS Monitor Expert, só com paralelo nos superdesportivos, permite filmar as sessões de condução e depois carregar os dados de telemetria para outro suporte informático, enriquecendo a experiência de condução. Num mundo moderno e para quem já não sabe viver sem redes sociais, a partilha dos dados do RS Monitor através das aplicações disponíveis para smartphones iOS e Android, garante horas de diversão na análise do desempenho ao volante, seja a discutir “aquela” travagem demasiado tardia ou “aquela” aceleração no momento certo. Com a memorização e exposição das imagens e dados, só não podemos garantir que não vá criar alguma inveja nos amigos mais próximos!

Para usar todos os dias ou participar num Track Day!

Além das características desportivas, o Mégane RS tem na versatilidade uma das suas maiores virtudes, o que o torna perfeitamente adequado para uma utilização diária. As cinco portas melhoram a acessibilidade, enquanto o sistema de som Bose específico incrementa a qualidade de vida a bordo e uma dúzia de sistemas preventivos de auxílio à condução (de que o sistema de alerta de ângulo morto ou sistema de alerta de transposição involuntária de faixa são bons exemplos) zelam constantemente pela segurança.

Mas, é a adopção do sistema Multi-Sense, com os seus quatro modos distintos, nomeadamente Comfort, Normal, Sport e Race (este último modo desativa o ESP), que permite que o condutor escolha, de acordo com a sua personalidade ou estado de espírito do momento, o modo de condução que melhor a si se adapta, algo que torna o novo Mégane RS verdadeiramente polivalente. No fundo, estamos perante um automóvel compacto desportivo exemplar, com um excelente compromisso entre uma pacífica e civilizada viatura do dia-a-dia, perfeito até para levar as crianças à escola, e um detonante e eficaz desportivo, capaz de impressionar num qualquer Track Day de fim-de-semana.

Pessoalmente não acreditamos que se compre um automóvel desta qualidade para andar a impressionar quem quer que seja num qualquer Track Day, mas cada um conhecerá a capacidade dos seus caprichos... e das suas contas bancárias!

@LusoMotores

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