Rampa02É já no próximo fim-de-semana que se realiza a rampa da Falperra, prova sobre a qual damos conta de alguns segredos para a melhor prestação dos pilotos . Esta rampa, organizada pelo Clube Automóvel do Minho e pontuável para os Campeonato da Europa de Montanha e para o Campeonato de Portugal de Montanha, tem à partida 121 inscritos, sendo que dois deles avançaram as respectivas visões sobre a melhor forma de seguir adiante. São ele Tiago Reis, o actual líder do Campeonato de Portugal de Montanha, e Sofia Mouta, uma das mulheres que vão participar na Falperra, e ambos explicam como o fazem.

Com as atenções cada vez mais focadas na Falperra, Tiago Reis, o vencedor da primeira prova e consequentemente líder do Campeonato de Portugal de Montanha 2013, falou da prova bracarense, pontuável para o Campeonato da Europa: “A Rampa da Falperra é como o troço da Lameirinha nos ralis, é um circuito mítico que acolhe milhares de aficionados, que com os respectivos farnéis fazem uma autêntica romaria ao longo da pista, transmitindo-nos uma grande emoção quando estamos em prova".

"Quando estamos ao volante apenas temos um objectivo, chegar o mais rápido possível ao alto do Sameiro. Olhando ao carro que levo (Norma M20 F), tudo acontece muito rápido, e por vezes não há tempo para pensar, até porque a Falperra é a pista mais rápida do Campeonato. Na minha opinião, a concentração é o principal segredo", acrescenta.

Descrevendo o circuito, Tiago Reis explica como tudo se processa: "Após o arranque temos uma zona muito rápida, onde aproveitamos o carro ao máximo numa sequência de curvas praticamente feitas a fundo até à curva do restaurante. Aqui tardamos a travagem para depois sair com a máxima força até à chicane, uma zona que afunila e que aparece muito depressa, e onde temos que ter muita cabeça para não deitarmos tudo a perder. Ultrapassada a chicane voltamos a explorar o Norma M20 F ao máximo, de forma a tirar partido de toda a sua potência até à curva da morte, um local de dificuldade acrescida pois chegamos lá completamente a fundo e praticamente com o carro a esgotar. Depois só temos a curva do Papa, uma direita 90 que antecede a tomada de tempos".

Sobre a sua máquina, o Norma M20 F, Tiago Reis garante tratar-se de um carro "com um comportamento espectacular", que lhe transmite "uma confiança extrema", afirmando-se o piloto capaz de o levar ao limite "sem correr qualquer risco”.

A escolha de Sofia

Rampa01Sofia Mouta é uma das poucas mulheres com M grande que, de volante na mão, bate-se de igual para igual com os homens. Bracarense dos quatro costados, está já a contar os segundos para por o capacete, colocar as luvas, a apertar o cinto desfrutar da "sua" rampa, no seu BMW 320i. As palavras que se seguem são inteiramente de Sofia Mouta: "Vermelho…1ª Velocidade engrenada….Verde, temos cerca de 20 segundos para arrancar e os nervos todos começam agora".

"O arranque tem que ser feito a dosear o acelerador para não perder muito tempo e não ficar com o carro parado no mesmo sítio. Arrancamos e vamos ter três esquerdas que se aproveitarmos bem as trajetórias são feitas a fundo, abrimos na última, para uma pequena reta, para logo depois nos chegarmos à esquerda e travarmos forte para a direita do “barroco”. Esta direita é feita com calma mas sem perder muito tempo. Segue-se uma zona rápida, com umas curvas bastante engraçadas onde temos que aproveitar a estrada toda para sermos os mais rápidos possíveis, seguindo-se de uma direita parecida com a do “barroco” onde travamos forte e não posso deixar o carro escorregarm para não repetir um pequeno encontro com os rails que tive em 2012", prossegue.

"Após esta direita só voltamos a travar na direita que antecede a curva do restaurante para depois voltar a travar e a reduzir mesmo antes da curva redonda do restaurante saindo desta bem junto ao muro de pedra do lado direito. Mais uma vez preciso de aproveitar a pista toda para não ter nenhuma surpresa e fazer algum pião. Entramos agora na zona mais rápida do traçado da rampa, depois da curva do restaurante e de uma pequena reta aparece-nos uma esquerda feita a fundo seguida de duas direitas. Na primeira devemos entrar tarde para conseguir fazer a segunda direita a fundo e ter bastante cuidado com a esquerda do “Zé do Telhado” que parece rápida mas que aperta um pouco. Segue-se uma reta e uma direita feita a fundo antes da travagem forte para a chicane" explica ainda esta piloto que mostra ter o percurso bem memorizado, algo certamente indispensável a um bom resultado.

Ainda segundo Sofia Mouta, "a entrada na chicane é fácil mas a saída é um pouco apertada e é preciso ter cuidado para não calcar a pequena “banana” amarela na saída desta". "A partir da chicane seria tudo a fundo até a curva da morte mas só para quem tiver alma, para mim ainda é preciso ter algumas cautelas nos ss’s seguintes à  chicane que são apertados e nos podem comprometer todo um fim de semana de corridas. Após esses ss’s vem mesmo a parte rápida da pista, passando a zona dos castelinhos onde o traçado desce um pouco, lá em baixo encontramos a famosa curva da “Morte”. É  preciso travar tarde e forte mas ter todas as cautelas porque a curva é muito lenta. Seguimos a fundo para a curva do “Fojo”, redonda e muito semelhante à parabólica do Circuito Vasco Sameiro, seguindo-se uma pequena reta, uma direita feita a fundo, uma esquerda e direita encadeadas e rápidas e a reta que antecede a curva do “Papa”, onde devemos travar tarde e entrar tarde de modo a fazer uma trajetória limpa e evitar um toque nos rails na saída da mesma. Mais uma pequena reta e… bandeira de xadrez. Já está feita mais uma subida da rampa da Falperra".

Em resumo, explica Sofia Mouta, estaremos perante "um traçado técnico mas também muito rápido com uma extensão de 5,2 km e milhares de pessoas para acarinharem e verem passar os seus pilotos!"

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