NelsonPiquet-01Os pilotos de automóveis de corrida são gente especial. Vivendo em permanente stress, são poucas as oportunidades que têm de se mostrarem humanos. São obrigados a defenderem-se das agressões externas para poderem concentrar-se o mais possível no seu trabalho. Os jornalistas nem sempre compreendem isso assediam-nos por vezes da forma mais incorrecta e mais inoportuna.

Nelson Piquet é que não tinha papas na língua, especialmente para os jornalistas seus compatriotas, bastante mais agressivos que os portugueses. Uma vez, ia ele no paddock de Paul Ricard dirigindo-se para a sua box quando um jornalista brasileiro se aproximou dele com uma pergunta qualquer que não ouvi. Ouvi sim a resposta: “vai à merda”. Claro que desisti de o atacar não fosse ele humilhar-me também. Mais tarde, nesse dia, acabados os treinos, estávamos uns três jornalistas portugueses em roda dele, conversando casualmente. Aproveitei uma deixa para lhe perguntar se ele tinha algum contencioso com o tal jornalista brasileiro. “Você sabe, tem jornalista e jornalista e aquele cara já vem me tirando sarro faz um tempo, só escreve bobagem na folha dele e eu não gosto de incompetentes”.

Estava passada a mensagem. Era o tempo em que nós, portugueses, vivíamos da saudade de termos um piloto nosso na Fórmula 1, desde os tempos do Nicha Cabral e, o Pedro Lamy e o Pedro Matos Chaves ainda estavam longe de lá chegar. O Nelson, Nelsinho para os mais chegados, constituía o objecto da nossa atenção especial, não admirando que muitos títulos das nossas publicações frisassem o facto de o vencedor da corrida tal, quando era o Piquet, falar português. O Piquet era a transferência das nossas frustrações de não sermos ninguém na Fórmula 1.      

 

 

 

 

 



Helder de Sousa
Jornalista

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