FPAKO blogue "16 Válvulas" fez uma entrevista ao presidente da FPAK - Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting -, Luís Pinto Freitas , na qual este deixou algumas das suas opiniões sobre o estado actual do desporto automóvel em Portugal. No mesmo blogue, o meu amigo Duarte Cancella de Abreu deixou uma resposta que li atentamente e me mereceu algumas considerações que deixei naquele mesmo blogue em termos de comentário...

Ao longo de mais de 10 anos de existência do LusoMotores, e nomeadamente desde 2003, altura em que assumi em pleno a sua direcção, procurei sempre um "convívio equilibrado" entre o mundo do comércio e indústria e o desporto automóvel, acabando quase sempre este último por sair prejudicado em tempo, atenção e até mesmo alguma qualidade que poderia sempre ter sido maior, mas assumo isso com a consciência de que todo o trabalho tem sido feito com o maior profissionalismo e dedicação de uma equipa liimitada que, tal como os pilotos e as equipas, luta pelas receitas e pelos retornos, até porque é este o sustento daqueles que para o LusoMotores trabalham.

De qualquer modo, e ao longo do nosso trabalho, no terreno em reportagem, em entrevistas ou em meros diálogos com os mais diversos agentes, também ao longo destes últimos 10 anos fomos registando um role de críticas "ao sistema", nem sempre assumidas, que ao longo do tempo foram crescendo proporcionalmente com a dificuldade dos patrocínios, das inscrições em provas, da organização e regulamentação das próprias provas.

Pessoalmente, assumi sempre algum distanciamento relativamente às “tricas” federativas, mas a verdade é que, ao longo dos últimos anos, nunca houve um final de temporada em que os órgãos directivos da FPAK, e nomeadamente o seu presidente, não tenham levado “porrada” de todos os quadrantes, em conversas de bastidores, artigos de opinião e até algumas posições públicas deste ou daquele piloto ou dirigente.

- Foi a queda nos campeonatos de velocidade com os pilotos a fugirem para o estrangeiro, e nomeadamente para Espanha, onde há actualmente mais pilotos portugueses a correr do que em Portugal, pelo menos entre aqueles que realmente têm visibilidade.

- Foi a confusão no Nacional de Todo-o-Terreno que, entre outras consequências, e para além de provas com números caricatos de concorrentes, levou mesmo a que o então campeão nacional tenha sentido necessidade de rumar, também ele, a Espanha -- depois, quando veio até cá correr em provas lusas, deixou claro que tinha condições para dar mais “colorido” ao TT nacional acabando mesmo por vencer.

- Foi a confusão no Karting que perdeu o campeonato nacional, perdendo-se com isso uma geração (ou várias) de potenciais jovens pilotos que não terão tido oportunidade de “crescer” em competição.

- Foi o “nado morto” (ou não) da Taça de Portugal de Ralis que ninguém percebeu...

… e tantos outros problemas!

Porém, e apesar de tudo isto, a verdade é que também ao longo dos últimos anos nunca houve uma alternativa credível, e aos actuais dirigentes da FPAK sempre foi dado o aval necessário para a sua continuidade. Enquanto foi havendo dinheiro para provas, patrocínios e, porventura mais importante do que isso, para a pesada máquina burocrática que suporta o automobilismo português, em termos federativos mas também clubísticos, muitos assobiaram para o alto e seguiram em frente, ignorando os problemas que aconteciam mesmo debaixo do nariz. Agora, porém, quando começam a faltar os recursos,justifica-se a máxima popular segundo a qual “em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão!”. E a verdade é que o pão é cada vez mais escasso!

Há muito a criticar… sem dúvida! Mas tal como no país, quando um determinado partido acaba o seu ciclo legislativo e perde a sua maioria para outro, ninguém assume que, no passado, através do seu voto, contribuiu, afinal, para o real estado das coisas!

Pessoalmente, numa altura em que se fazem votos para os próximos 12 meses, defendo que se possam ajudar umas pessoas, corrigir outras, ou simplesmente corrigir rumos, mas sempre visando, de facto, a defesa do automobilismo… e não apenas que se fale da necessidade dessa defesa! Falar, já não chega… acho eu!

jreis-dir_250

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Pin It