Passos CoelhoPedro Passos Coelho falou ao país esta quinta-feira, 13 de Outubro. Por uma irónica “discrepância” no calendário, este dia 13 não calhou a uma sexta-feira, mas quase , e ainda assim houve logo quem falasse, após as declarações do primeiro-ministro, em dia de azar para o país pelas revelações que fez, nomeadamente o aumento do período laboral para os trabalhadores, ou os cortes dos subsídios de férias e de natal para os funcionários públicos com ordenados acima de mil euros. A verdade, porém, é que o espaço de manobra para o líder do Governo surge mínimo e pouco mais poderia ter dito.

Falemos claro. Perante a realidade do País, Passos Coelho tinha duas opções: ou anunciava medidas realmente difíceis e com pesadas consequências sociais mas necessárias para mudar de facto o rumo dos acontecimentos, ou optava por um discurso mais populista, determinava medidas mais ligeiras, e daqui a alguns tempos estaríamos a anunciar mais medidas à boa maneira dos gregos que tardam em emendar o rumo do seu barco. Passos Coelho não tinha (e não tem) outra alternativa e é bom que todos tenhamos isso bem presente!

Também é certo que, depois deste anúncio feito por Pedro Passos Coelho, será bom que este verdadeiro estrangular de cinto dê resultados práticos efectivos para a economia nacional, até porque o Governo não terá uma segunda oportunidade para impor novas restrições. Os portugueses, sacrificados não tanto por culpa da governação dos últimos seis meses, mas antes por culpa daqueles que governaram nos últimos seis anos, e já agora pelos que governaram antes desses, e mesmo antes ainda, têm agora que pagar as asneiras do passado que foram imensas.

Queixa-se a oposição de que não foram atacados aqueles que realmente podem pagar a situação em que o país se encontra, numa referência clara a uma alegada necessidade de atacar as classes alta e média-alta. Acontece, porém, a chamada classe média-alta está cada vez menos alta e mais média, e a classe média já só o é na aparência pois no dia-a-dia, dentro de casa de cada um, a pobreza envergonhada é cada vez maior, e as aparências são cada vez mais difíceis de manter.

Depois, é claro que sobra a classe alta, mas relativamente a estes estaremos a falar de uma ou duas dezenas de verdadeiramente ricos que ainda enchem os rankings de riqueza elaborados pela Visão que, sem dúvida, deveriam ser taxados de outra forma. Mas também acredito que lá chegaremos.

Queixa-se ainda a oposição de que não foram tomadas medidas de incremento à economia, mas esquecem-se aqueles que assim falam que o incremento da nossa economia, quando for feito, terá que ser à custa de ainda mais sacrifícios sociais. Cortar a gordura do Estado é preciso, sem dúvida, mas não ajuda ao crescimento económico. Além disso, quando isso for feito ainda vai resultar em dezenas, senão mesmo centenas de funcionários públicos no desemprego. Não será esse o destino dos que trabalham hoje nas fundações e nos institutos do Estado que não são necessários e só servem, essas instituições, para gastar dinheiro?

Por outro lado, o incremento da economia, e porque não há dinheiro, só pode ser conseguido, não através de subsídios às empresas, mas de oferta às empresas da única coisa que ainda há: mais trabalho produtivo de borla. Ora... quem é que pode dar mais trabalho de borla senão os trabalhadores?

De facto, incrementar a economia sem dinheiro para o fazer só é viável com a possibilidade das empresas poderem produzir de um modo mais barato, aumentando a produção sem com isso aumentar os custos. Só que, para isso, só falta dizer que ao invés de termos um mês de férias por ano passamos a ter apenas quinze dias!

E a verdade é que já faltou mais!

p.s.
No meio deste cenário de crise, e antes mesmo das declarações de Passos Coelho desta quinta-feira, continuamos a recordar os ecos do cancelamento daquela que seria a edição de 2011 do Salão Internacional do Automóvel de Lisboa, que a ACAP anunciou no início de Setembro e que pretendia levar por diante. Deste episódio fica a tão curiosa quanto aparente contradição entre o que queria a ACAP e o que era pretendido pela grande maioria dos responsáveis das marcas automóveis que, em termos práticos, formam a ACAP. Desde o início, aliás, em redor deste processo, eram cada vez mais fortes as indicações de que se poderia estar perante um "nado morto", tantas eram as marcas que desde a primeira hora, ou quase, que manifestaram a sua intenção de ficarem de fora. Outras houve, porém, que apostaram tudo no evento, e puseram mesmo as suas cúpulas europeias a investir para um Salão Internacional que, estando no calendário oficial destes eventos na Europa, será agora tão só um projecto que dificilmente terá de novo pernas para andar, ou rodas para rolar. Afinal, para as marcas que agora se "atravessaram", com contratos feitos e pedidos às suas "casas-mãe" na Europa, surge a pergunta: Como será possível conseguir de novo que estas apostem no mercado automóvel em Portugal, um mercado que, diga-se, e há que falar claro, afunda-se num buraco do qual não se vislumbra uma saída.

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